Em conferência de imprensa, em Bruxelas, Orban afirmou que o “problema não é europeu, é um problema da Alemanha” porque “ninguém quer ficar na Hungria, nem na Eslováquia, Polónia ou na Estónia”, mas sim ir para a Alemanha.
“O nosso trabalho é apenas registá-los”, notou o chefe do executivo, numa altura em que centenas de refugiados e migrantes invadiram um comboio na principal estação internacional ferroviária de Budapeste, entretanto reaberta.
Orban sublinhou haver regras europeias claras e que a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou na quarta-feira que ninguém deve sair da Hungria sem estar registado.
“Se a chanceler alemã insiste que devemos registá-los, nós fazemo-lo, é um dever”, disse.
Orban tem recusado aceitar um plano comunitário de quotas obrigatórias para refugiados e avançou para a construção de uma cerca de arame farpado ao longo da fronteira com a Sérvia para travar o fluxo de migrantes.
Essa barreira não travou a chegada de pessoas à Hungria, que continua a ser uma das principais portas escolhidas por dezenas de milhares para entrarem na Europa.
Orban está em Bruxelas para reuniões com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.
Da sua agenda, o governante húngaro já cumpriu a reunião com o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, que instou Budapeste a contribuir para uma solução europeia comum.
“Pedi-lhe que ajude a conseguir uma solução europeia, tanto em relação à imigração ilegal, à proteção temporaria de refugiados e ao asilo político”, afirmou.
Segundo o relato de um jornalista da agência francesa France Presse, a entrada principal da estação ferroviária de Budapeste foi reaberta hoje pelas 08:15 (07:15 em Lisboa) e centenas de migrantes invadiram aquela estrutura em direção a um comboio que está numa das plataformas.
Desde terça-feira passada que as forças de segurança húngara estavam a bloquear a entrada da estação ferroviária, onde mais de mil refugiados aguardam acampados nas redondezas com o objetivo de poder partir de comboio rumo ao oeste da Europa.
Em agosto entraram cerca de 50.000 migrantes na Hungria.
Lusa