Quaresma. A trivela de despedida

Quaresma. A trivela de despedida


Extremo anuncia adeus emotivo ao Porto e regressa ao Besiktas


Ricardo Andrade Quaresma Bernardo. O nome estará sempre associado ao FC Porto, graças a uma estreia de sonho com aquele golo ao Benfica a decidir a Supertaça portuguesa (1-0), em 2005. A vida dá muitas voltas. O extremo sai do Dragão e regressa em 2013. Apanha o Benfica em maré alta e nada ganha nesse ano e meio seguinte.

Pelo meio, deixa umas trivelas de sonho, uns golos importantes (bis ao Bayern naquele imprevisível 3-1) e mais umas frases lapidares, sobretudo a partir do momento em que é relegado para o banco de suplentes por Julen Lopetegui, com quem nunca se entende. Aquele "deixem-se de filmes" para os jornalistas ainda na pré-eliminatória da Liga dos Campeões (vs. Lille) é um claro indício de uma relação podre, sem futuro. Em Munique, sai ao intervalo. Estranho mas compreensível. O Porto já está eliminado da Europa, a caminho da pior derrota de sempre (6-1), e prepara-se para o clássico da Luz, onde só a vitória interessa para continuar a sonhar com o título de campeão. De repente, golpe de teatro. Quaresma vai para o banco. Quer dizer, um dos poucos desequilibradores não joga de início. É como entregar o ouro ao bandido. O Benfica suspira de alívio (0-0).

Contas feitas, Quaresma está mais fora que dentro da estrutura. E nem vai ao estágio de pré-época na Holanda. O futuro não passa pelo Porto. Chega-se o Besiktas à frente. O besiktas, novamente o Besiktas. Entre 2010 e 2012, o extremo ganha uma Taça e é levado em ombros pelos adeptos. A sensação repetir-se-á nos próximos dias quando for apresentado como reforço num campeonato turco já cheio de artistas portugueses, como Nani, Bruno Alves e Raul Meireles no Fenerbahçe de Vítor Pereira.

De malas feitas para a Turquia, o 7 português despede-se do Porto com emoção. Eis a sua trivela de despedida. "Quem chega ao Norte para jogar no Futebol Clube do Porto, nunca mais na vida se esquece da forma como é recebido. O carinho da cidade e da massa associativa do clube tocam o coração e esse toque rapidamente se transforma em paixão, uma paixão que te faz correr mais, lutar mais, fazer mais golos e assim poder devolver em dobro todo o carinho que recebes. Durante este tempo em que estive no Porto, quando já alguns pensavam que eu estava acabado, tive a alegria de dar o meu melhor, trabalhar ao máximo e ajudar o clube o melhor que soube e pude, dentro e fora de campo. Ao presidente do Futebol Clube do Porto quero deixar o meu muito obrigado, às claques, sócios, apoiantes e simpatizantes do Porto quero dar um abraço que não se esgota nunca, ao norte deixo o sorriso de agradecimento por tudo o que fez por mim. Por agora os nossos caminhos vão se separar, mas onde quer que esteja nunca me vou esquecer do meu norte."