Casa Pia. Advogado de Carlos Cruz vai pedir audição de novas testemunhas no processo


 Ricardo Sá Fernandes, advogado de Carlos Cruz, admitiu hoje que irá pedir ao Tribunal para ouvir novas testemunhas na nova produção de prova relativa à repetição dos julgamento, quanto aos factos ocorridos na casa de Elvas. O advogado falava à agência Lusa à entrada do Tribunal de Lisboa, onde o processo Casa Pia regressa hoje…


 Ricardo Sá Fernandes, advogado de Carlos Cruz, admitiu hoje que irá pedir ao Tribunal para ouvir novas testemunhas na nova produção de prova relativa à repetição dos julgamento, quanto aos factos ocorridos na casa de Elvas.

O advogado falava à agência Lusa à entrada do Tribunal de Lisboa, onde o processo Casa Pia regressa hoje a julgamento, depois de o Tribunal da Relação de Lisboa ter mandado repetir a produção de prova relativa aos alegados crimes sexuais cometidos contra ex-alunos numa vivenda em Elvas.

Sá Fernandes mostrou-se convicto de que, no final desta repetição do julgamento, se fará prova da inocência de Carlos Cruz, e disse esperar que haja maior celeridade na realização desta nova análise dos factos pelo tribunal.

A este propósito, Ricardo Sá Fernandes disse ainda esperar que, durante as férias judiciais, que decorrem de 15 de julho a 15 de setembro, se possam realizar não apenas uma ou duas sessões, mas várias, que permitam concluir o processo num prazo máximo de três meses.

O advogado não quis adiantar o nome das novas testemunhas que vai pedir ao tribunal para serem ouvidas, mas adiantou que a inquirição se prende com o facto de agora o Ministério Público atribuír a prática destes crimes a Carlos Cruz, já não em dias de fim de semana, mas sim em dias úteis.

Em relação à sessão de hoje, Ricardo Sá Fernandes antevê que seja uma sessão preliminar sem grandes desenvolvimentos, em que serão feitos alguns requerimentos pelos advogados sendo, em seguida, conhecida também a posição do tribunal de primeira instância face às alterações introduzidas pelo acórdão do Tribunal da Relação.

O Tribunal da Relação de Lisboa decretou a nulidade do acórdão de primeira instância em relação a factos ocorridos em Elvas.

Este acórdão, que tinha condenado seis dos sete arguidos a penas de prisão efetiva, foi proferido em 13 de setembro de 2010, depois de uma maratona judicial que durou quase seis anos, em que foram ouvidas perto de mil testemunhas.

Com excepção de Carlos Silvino, "Bibi", nenhum dos arguidos admitiu a prática de abusos sexuais de menores, reclamando inocência.

O coletivo de primeira instância, presidido pela juíza Ana Peres, condenou Carlos Silvino (18 anos de prisão), Carlos Cruz e Ferreira Diniz (sete anos), Jorge Ritto (seis anos e oito meses), Hugo Marçal (seis anos e dois meses), Manuel Abrantes (cinco anos e nove meses) e absolveu Gertrudes Nunes. Os condenados ficaram ainda obrigados a pagar indemnizações às vítimas.

O processo Casa Pia começou a ser julgado a 25 de novembro de 2004.
 

Leia mais aqui:

Casa Pia. Advogada de Hugo Marçal vai pedir audição de novas testemunhas