Na Cimeira de Roma ou vai ou racha


Dar uma última oportunidade à UE de retomar o caminho da paz e da prosperidade para que foi criada pelos seus fundadores. Roma 2017 pode ser uma última oportunidade. Não pode ser desperdiçada.


Em 25 de março de 2017 assinalam-se os 60 anos do Tratado de Roma. Para essa data está agendada uma cimeira europeia que pode ser uma derradeira oportunidade de mudar a direção da União Europeia (UE) e de retomar a dinâmica de cooperação e convergência. Um ponto de viragem ou um ponto de não retorno. Um “ou vai ou racha”.

A União Europeia (UE) é hoje o “doente” da globalização, num momento em que, pelos seus valores e princípios, deveria ser a força mais saudável ao serviço de um modelo global de entendimento entre os povos, focado na dignidade das pessoas e na preservação do planeta.

Cada dia que passa são mais frequentes as ocorrências e incidentes que deslassam a consistência e a credibilidade da UE.

Quando pensamos que o projeto finalmente bateu no fundo, surge uma nova fonte de bloqueio ou de conflito que atira ainda mais para baixo a moral e a ambição dos que, como eu, acreditam nas vantagens de uma união política, económica e social capaz de dar voz aos valores de humanismo e da cooperação pacífica que estiveram na base da criação e do desenvolvimento da UE.

Neste cenário surge com insistência a interrogação: ainda há uma oportunidade de reversão deste processo? É preciso manter um espírito aberto, otimista e até francamente idealista para responder que sim, e é preciso gerar uma base mobilizadora que escore a ambição.

Na Cimeira de Roma, o Conselho Europeu comprometeu-se a debater e adotar uma estratégia sobre o futuro da Europa, e a Comissão e o Parlamento Europeu já estão a trabalhar para esse cenário. A primeira prepara um livro branco sobre o futuro da UE e o segundo recuperou um pacote de relatórios centrais no plano institucional e funcional.

Uma declaração conjunta Conselho/ Parlamento/Comissão é esperada para o final deste ano. Este processo não pode ser mais um punhado de areia para os olhos dos cidadãos europeus. Tem de levar a decisões concretas em domínios-chave.

É indiscutível que a união da segurança e da defesa é hoje uma prioridade muito forte na UE. O modelo casuístico tem tido consequências tremendas. A crise dos refugiados não só não tem uma solução à vista como foi adensando fraturas internas. As tensões nas fronteiras da UE são cada vez mais fortes e imprevisíveis Alguns países começaram a desenvolver estratégias regionais contra potenciais ameaças externas. O guarda-chuva americano tem cada vez menos varetas seguras e está sujeito a incertezas e contingências fortes.

Uma união da segurança e da defesa sem uma equivalente união económica e monetária completada e com uma arquitetura robusta é uma solução coxa e inaceitável. Mas as duas juntas, consolidadas por um instrumento comum de convergência que aposte no investimento e no desenvolvimento e proporcione dinâmicas concretas de crescimento e inclusão, podem consolidar o milagre.

Dar uma última oportunidade à UE de retomar o caminho da paz e da prosperidade para que foi criada pelos seus fundadores. Roma 2017 pode ser uma última oportunidade. Não pode ser desperdiçada.

Eurodeputado


Na Cimeira de Roma ou vai ou racha


Dar uma última oportunidade à UE de retomar o caminho da paz e da prosperidade para que foi criada pelos seus fundadores. Roma 2017 pode ser uma última oportunidade. Não pode ser desperdiçada.


Em 25 de março de 2017 assinalam-se os 60 anos do Tratado de Roma. Para essa data está agendada uma cimeira europeia que pode ser uma derradeira oportunidade de mudar a direção da União Europeia (UE) e de retomar a dinâmica de cooperação e convergência. Um ponto de viragem ou um ponto de não retorno. Um “ou vai ou racha”.

A União Europeia (UE) é hoje o “doente” da globalização, num momento em que, pelos seus valores e princípios, deveria ser a força mais saudável ao serviço de um modelo global de entendimento entre os povos, focado na dignidade das pessoas e na preservação do planeta.

Cada dia que passa são mais frequentes as ocorrências e incidentes que deslassam a consistência e a credibilidade da UE.

Quando pensamos que o projeto finalmente bateu no fundo, surge uma nova fonte de bloqueio ou de conflito que atira ainda mais para baixo a moral e a ambição dos que, como eu, acreditam nas vantagens de uma união política, económica e social capaz de dar voz aos valores de humanismo e da cooperação pacífica que estiveram na base da criação e do desenvolvimento da UE.

Neste cenário surge com insistência a interrogação: ainda há uma oportunidade de reversão deste processo? É preciso manter um espírito aberto, otimista e até francamente idealista para responder que sim, e é preciso gerar uma base mobilizadora que escore a ambição.

Na Cimeira de Roma, o Conselho Europeu comprometeu-se a debater e adotar uma estratégia sobre o futuro da Europa, e a Comissão e o Parlamento Europeu já estão a trabalhar para esse cenário. A primeira prepara um livro branco sobre o futuro da UE e o segundo recuperou um pacote de relatórios centrais no plano institucional e funcional.

Uma declaração conjunta Conselho/ Parlamento/Comissão é esperada para o final deste ano. Este processo não pode ser mais um punhado de areia para os olhos dos cidadãos europeus. Tem de levar a decisões concretas em domínios-chave.

É indiscutível que a união da segurança e da defesa é hoje uma prioridade muito forte na UE. O modelo casuístico tem tido consequências tremendas. A crise dos refugiados não só não tem uma solução à vista como foi adensando fraturas internas. As tensões nas fronteiras da UE são cada vez mais fortes e imprevisíveis Alguns países começaram a desenvolver estratégias regionais contra potenciais ameaças externas. O guarda-chuva americano tem cada vez menos varetas seguras e está sujeito a incertezas e contingências fortes.

Uma união da segurança e da defesa sem uma equivalente união económica e monetária completada e com uma arquitetura robusta é uma solução coxa e inaceitável. Mas as duas juntas, consolidadas por um instrumento comum de convergência que aposte no investimento e no desenvolvimento e proporcione dinâmicas concretas de crescimento e inclusão, podem consolidar o milagre.

Dar uma última oportunidade à UE de retomar o caminho da paz e da prosperidade para que foi criada pelos seus fundadores. Roma 2017 pode ser uma última oportunidade. Não pode ser desperdiçada.

Eurodeputado