25/09/2018
 

COMO VAI A VIDA NO INTERIOR

O i dá voz a 20 rostos desse lado mais esquecido do país. Orgulham-se da qualidade de vida, dos preços acessíveis, da proximidade entre sítios e pessoas e da facilidade em arranjar vaga nas escolas. Mas na metade menos populosa do país, a vida tem muitos contras

Tomás Martins

Consultor na área de recursos humanos | Trancoso
44 anos

Sempre vivi no interior, no distrito da Guarda. Tem vantagens, claro: qualidade de vida, tranquilidade, segurança. Para estarmos às 9 horas no trabalho não precisamos de nos levantar de madrugada, por exemplo. Tenho dois filhos, uma menina e um menino, e é fácil criá-los até à idade em que têm de ir para a universidade. Já quem vive no interior e quer implementar uma empresa ou desenvolver um negócio, por exemplo, é muito difícil. Há muita falta de mão-de-obra qualificada e da outra também. Não houve nenhum governo até hoje que efetivamente apostasse em pegar naquilo que temos de bom. Existe uma ligação mais leal entre as pessoas. E há a possibilidade, no final do dia, de conviver com um vizinho. Somos uma família com cerca de nove mil pessoas, olhamos todos uns pelos outros, que é a única forma de a gente se manter aqui – o espírito de resiliência é comum.