25/09/2018
 

COMO VAI A VIDA NO INTERIOR

O i dá voz a 20 rostos desse lado mais esquecido do país. Orgulham-se da qualidade de vida, dos preços acessíveis, da proximidade entre sítios e pessoas e da facilidade em arranjar vaga nas escolas. Mas na metade menos populosa do país, a vida tem muitos contras

Susete Ferreira

Arqueóloga | Sobral de São Miguel  
34 anos

Cresci na serra da Estrela, numa aldeia de xisto chamada Sobral de São Miguel. Formei--me em Coimbra e vivi dois anos em Setúbal. Tinha trabalho na minha área, mas nunca consegui adaptar-me à vida fora do interior: não gostava do trânsito, da solidão, da falta da natureza. Decidi que não queria mais viver assim e voltei. Aqui não há trânsito nem filas. Há vagas em todas as creches e acesso à saúde e à cultura. Tenho qualidade de vida, as casas são mais baratas, estou perto da família. As pessoas têm valores e entreajudam-se. Digo “bom dia” a quase toda a gente que encontro na rua e sei que os meus dois filhos estão a crescer felizes e em segurança. Estamos perto de Espanha e a menos de três horas de Lisboa e do Porto. O único senão é a falta de transportes. E as portagens.