21/09/2018
 

COMO VAI A VIDA NO INTERIOR

O i dá voz a 20 rostos desse lado mais esquecido do país. Orgulham-se da qualidade de vida, dos preços acessíveis, da proximidade entre sítios e pessoas e da facilidade em arranjar vaga nas escolas. Mas na metade menos populosa do país, a vida tem muitos contras

Sara Cunha

Interna de cirurgia torácica | Vila Real
26 anos

Sou de Vila Real, estudei na Covilhã, já vivi no Porto e em Viseu e agora estou em Coimbra. Só existe cirurgia torácica nos hospitais centrais, embora haja tendência para haver um dia de bloco nos hospitais das cidades mais pequenas. Achei que tinha investido demasiado para escolher uma especialidade em função da proximidade a casa. Vejo grande potencial em cidades mais pequenas, por exemplo Viseu, que começa a ter uma boa vida cultural e talvez possa servir de exemplo de que não há necessidade de ir para Lisboa para ter uma vida espetacular. Penso que a solução passa por maior oferta cultural, de transportes e de emprego. A minha irmã está a estudar em Lisboa e tem alfa para todo o lado, até para Madrid. Para Vila Real, já não existe sequer comboio: lembro-me de, quando era pequenina, haver a estação dos comboios que ligava a cidade a vários sítios. Não sei se deixou de se justificar mas, mesmo como estudante, era chato.
O autocarro é lento: para Coimbra são mais de três horas, quando de carro se faz em duas. Se o interior tem coisas más, tem muitas boas. Há mais liberdade: eu ia a pé para a escola. E existe uma sensação familiar, o que ajuda a ter algum consolo quando alguma coisa corre mal.