25/09/2018
 

COMO VAI A VIDA NO INTERIOR

O i dá voz a 20 rostos desse lado mais esquecido do país. Orgulham-se da qualidade de vida, dos preços acessíveis, da proximidade entre sítios e pessoas e da facilidade em arranjar vaga nas escolas. Mas na metade menos populosa do país, a vida tem muitos contras

Paulo Meirinhos

Músico e professor | Miranda do Douro
45 anos 

Sou de Miranda, mas não vivi sempre no interior, estive muitos anos a viver no Porto. Neste momento, a única vantagem que eu vejo em viver no interior, mais precisamente em Miranda do Douro, é que estou a um passo de Espanha, onde vou pôr gasóleo mais barato. Existem muitas dificuldades. É preciso espírito de missão para viver no interior. Esta região é muito despovoada e pouquíssima gente vive cá. Por exemplo, o total das turmas de primeiro ano de todo o concelho de Miranda do Douro é de cerca de 50 alunos. Isto é resultado de um círculo vicioso de fechar serviços: as pessoas vão embora e, como há menos pessoas, fecham mais serviços e mais pessoas vão embora. Além disso, para qualquer consulta de especialidade de que precisemos, temos de ir ao Porto ou a Bragança. É sempre longe e fica tudo muito mais caro. As estradas são más. Era preciso um investimento forte no interior, as pessoas que aqui vivem deviam pagar menos IRS, e as empresas terem benefícios reais. Tenho uma banda há 22 anos, Galandum Galundaina, e é muito difícil fazer as coisas a partir daqui.