23/09/2018
 

COMO VAI A VIDA NO INTERIOR

O i dá voz a 20 rostos desse lado mais esquecido do país. Orgulham-se da qualidade de vida, dos preços acessíveis, da proximidade entre sítios e pessoas e da facilidade em arranjar vaga nas escolas. Mas na metade menos populosa do país, a vida tem muitos contras

Mariana Honrado

Estudante universitária | Mirandela
21 anos

Sempre vivi em Mirandela, mas há dois anos comecei a ter uma perceção diferente da realidade. O choque entre cidades do litoral e do interior é absurdo. Para começar, nas grandes cidades existem muito mais oportunidades do que em Mirandela. É difícil haver pessoas a querer construir vida num lugar onde pouco acontece. As pessoas que vão ficando por Mirandela é porque a família é toda de cá, mas muitos já foram embora por causa das condições. O hospital que serve a região não tem todas as áreas da saúde e muitas vezes é necessário percorrer vários quilómetros para fazer uma consulta. Não há maternidade em Mirandela, por exemplo. Só temos o comércio local como gerador de grandes lucros, e isso deixa-me triste. Mas, apesar de não existir um shopping, também temos boas coisas. É quase impossível não conhecer o nosso azeite e o nosso vinho e, sobretudo, a nossa alheira. Até temos museus e feiras dedicadas à gastronomia local.