23/09/2018
 

COMO VAI A VIDA NO INTERIOR

O i dá voz a 20 rostos desse lado mais esquecido do país. Orgulham-se da qualidade de vida, dos preços acessíveis, da proximidade entre sítios e pessoas e da facilidade em arranjar vaga nas escolas. Mas na metade menos populosa do país, a vida tem muitos contras

Maria do Carmo Jesus

Reformada | Nisa
73 anos 

Vivi em Lisboa 40 anos, sonhava com regressar. Não sei se teria tantas ocupações na cidade como temos aqui, porque conhecermo-nos todos ajuda a criar dinâmicas. A câmara apostou na universidade sénior. Ando no cavaquinho, na ginástica e no francês. Há um ambiente muito mais familiar, basta sair de casa para ver alguém conhecido. Temos supermercado, cinema, teatro, biblioteca. E tem havido alguma mobilização para dar vida às terras aqui à volta: no último fim de semana estive numa aldeia com oito residentes onde uma festa juntou 300 pessoas. Fomos lá atuar com o coro. Quando regressei de Lisboa, o choque maior foi só conhecer as pessoas da minha geração, vir cá de vez em quando não era o mesmo que estar cá. O que está pior é o acesso à saúde. O hospital concelhio foi desativado há anos. Não há um especialista de nada, as pessoas têm de ir a Portalegre ou a Castelo Branco. Às vezes, em urgência, andam de um lado para o outro. Temos muito menos facilidade em ter assistência médica. Fala-se de um novo centro de saúde, mas não é a mesma coisa.