26/09/2018
 

COMO VAI A VIDA NO INTERIOR

O i dá voz a 20 rostos desse lado mais esquecido do país. Orgulham-se da qualidade de vida, dos preços acessíveis, da proximidade entre sítios e pessoas e da facilidade em arranjar vaga nas escolas. Mas na metade menos populosa do país, a vida tem muitos contras

Fernando Calado

Padre católico | Bragança
49 anos

Ser padre no interior é fazer mais funerais do que batizados e passar boa parte do tempo na estrada, entre as muitas paróquias que temos de acumular. Estudei no Porto e em Roma, mas a dada altura regressei a Bragança. Não escolhi, aconteceu, mas agora não trocava por nada. Costumo dizer que gosto muito de sair e de viajar, mas nunca por muito tempo. Bragança é uma cidade central: está perto de várias cidades espanholas e portuguesas. Só Lisboa é que fica fora de mão. Aqui há qualidade de vida, proximidade entre as pessoas, não existe trânsito e não se perde tempo em deslocações. O custo de vida é menor e a comida é excelente. Infelizmente, lidamos todos os dias com o despovoamento e o envelhecimento populacional – que estão na origem da deslocalização de investimento e serviços para outras zonas. Politicamente, o interior precisa de ser olhado de outra maneira.