Quem nunca teve sequer dúvidas a que sítio pertence é Paulo Pereira. “Sempre estive ligado às Beiras”, diz. E o produto que levou há dois anos ao programa “Shark Tank” e que se tornou numa das apostas mais rentáveis dos investidores é uma extensão dessa ligação: o gin Amicis, produzido em Anadia e aromatizado com 14 botânicos oriundos da zona centro do país.
Desde aí o Amicis espalhou-se pelos copos do país. Paulo vê “bastantes vantagens” na localização da sua empresa ligadas principalmente ao produto em si. “Não produzir aqui iria retirar identidade, até porque usamos produtos endógenos”, afirma, sublinhando que, no entanto, não consegue traçar nenhuma comparação com um grande centro porque nunca teve essa experiência.
Já como principais dificuldades, aponta “a quantidade de burocracia” que teve de enfrentar até começar a laborar. “Julgo que podiam ter gabinetes de apoio para acelerar os projetos”, aponta. A full-time, já há quatro pessoas a trabalhar na empresa. “Depois os restamos serviços contratamos externamente”,
Até agora, já produziram sete lotes – cada um com duas mil garrafas – e já entraram no mercado luxemburguês. E o Amicis parece que vai mesmo espalhar-se pelo mundo: em cima da mesa, estão os mercados do Brasil, Singapura e China.
E do Alentejo para... Num estágio mais inicial está a City Check, uma app pensada por Tomás Caeiro no início de 2017 enquanto ainda era aluno de Gestão da Universidade de Évora e que permite que os utilizadores explorem os pontos turísticos da cidade através de jogos interativos.
Mas é a partir de Évora que esta equipa quer conquistar terreno e é aqui que vão constituir a empresa em setembro. “Estamos em Évora nesta fase porque os custos são mais baixos, ainda para mais nesta altura em que ainda estamos a desenvolver o produto – e podemos fazê-lo em qualquer lado”. Neste processo, já ganharam alguns concurso, o que lhes deu “incubação gratuita” no Núcleos Empresariais (NER) de Évora. “Mas não é só por isso: o NER sempre nos apoiou desde a fase em que éramos basicamente uma ideia, e isso para nós significou bastante, ter pessoas com experiência que nos ajudaram a encarar as coisas de forma mais séria”.
No entanto, e apesar de a decisão de ficar na capital alentejana não ter sido contestada por nenhum dos investidores, foi-lhes aconselhado a manter um pé em Lisboa nesta primeira fase, “até para captar investimentos futuros e para fazer marketing”. Assim, vão continuar a ter Évora como sede e deslocar-se aos sítios onde há mais investidores “quando necessário”. Ainda assim, Tomás admite que nem tudo são rosas. “Há coisas que são um pouco mais difíceis. Quando estivemos em Lisboa durante um mês vimos as outras startups a fazer de forma mais fácil. Por exemplo, espalhar simplesmente a notícia de que estamos à procura de pessoal para trabalhar connosco, em Lisboa chovem pedidos, lá não encontramos ninguém e temos que ser nós a ir à procura quase porta a porta”.
E, aqui pelo meio, há alguma questão afetiva que os leve a optar pelo interior? “Não é por aí. A verdade é que há apoios em Évora que nós provavelmente não conseguiríamos arranjar em Lisboa nesta fase. É uma cidade mais pequena, com poucas startups, pelo que o nosso projeto é quase pioneiro. E as pessoas gostam desse tipo de situações e recebem-nos com mais facilidade”.
O projeto começa a correr sobre rodas: nos próximos dias, vão lançar oficialmente a app com conteúdos para Évora e... Lisboa.