13/11/2018
 

//AMBIENTE

UM MUNDO DE PLÁSTICO


Nunca a expressão “mar de plástico” teve contornos tão reais. No Pacífico flutua, neste preciso momento, um aglomerado tal que já ganhou o nome de Ilha do Plástico. Mas há cada vez mais alternativas a este material que ameaça os oceanos e há também cada vez mais pessoas que o baniram das suas vidas – até na hora do casamento. Neste trabalho falamos ainda das novas utilidades para o plástico velho, como estradas e sapatos 

Um casamento sem plástico? Inês e Francisco provaram que é possível

Há quem deixe de usar pauzinhos de plástico, outros que fogem dos sacos do supermercado. Inês Raposo e Francisco Neves foram mais longe e, depois de conseguirem abolir este ano o consumo de plástico em casa, deram o nó numa cerimónia sem mácula para o ambiente

TEXTO | Mariana Madrinha

Mobirise
Maria João deixou de beber café no mesmo sítio porque insistiam em dar-lhe um daqueles pauzinhos de plástico em vez de uma colher de metal. Miguel Gonçalves anda sempre com sacos de pano no carro, um hábito que muitos já terão adotado para fugir aos sacos de plástico pagos no supermercado. Mas de há uns tempos para cá deu por si a tentar fugir também aos sacos de plástico leves, aqueles usados para pesar a fruta e legumes. “Sempre que posso peso o que estou a comprar e colo o rótulo diretamente, por exemplo num ananás ou na courgette”, explica. “Uma vez já fiz queixa de terem cada vez mais coisas embrulhadas em plástico e em embalagens. Qual é o sentido de comprarmos brócolos enrolados naquele plástico aderente?” Carolina Torres tinha preocupações semelhantes, pelo que compra tudo a granel “há sensivelmente um ano”. No Natal do ano passado decidiu levar a coisa mais a sério e presenteou toda a gente com cremes feitos por si a partir de ingredientes naturais, como óleo de coco, que acondicionou dentro de pequenos frascos de vidro. “E não embrulhei a maior parte dos presentes, é um abuso o papel que se gasta. Usei alguns sacos bonitos que tinha lá por casa e noutros pus só uma fitinha com um cartão”, conta ao i.

Estes são exemplos de atos simples mas que plasmam uma tendência comum a uma geração – Maria João, Miguel e Carolina têm entre 28 e 42 anos – cada vez mais preocupada com a sustentabilidade do planeta. Uma preocupação que parece chegar cada vez mais às grandes organizações: hoje em dia, nos grandes resorts e hotéis, as placas a pedir aos clientes para se absterem do uso de palhinhas são cada vez mais comuns.

Mas se estes três exemplos espelham a mudança, o caso de Inês Raposo, 26 anos, e Francisco Neves, 27, é, definitivamente, um salto gigante em direção a uma nova forma de vida – e de consumo. A médica dentista e o gestor decidiram reduzir a produção de lixo doméstico quase a um nível nulo e, quando se casaram, a 30 de junho deste ano, não lhes fazia sentido terem uma festa que não refletisse esta forma de estar na vida. Já lá iremos. 



UM CASAL ZERO WASTE

Começou tudo com uma resolução de ano novo, tomada depois de verem muitos documentários e discutirem o tema com amigos. “O Francisco era mais consciente do que eu nestas matérias”, conta Inês. Em conjunto, decidiram que iriam reduzir o consumo de plástico lá por casa e começaram pelo que lhes pareceu mais óbvio: a alimentação. “Começámos por comprar a granel e levamos os nossos frascos. Vamos a uma loja, a Maria Granel, que agora também já abriu em Campo de Ourique, e compramos logo, por exemplo, o grão em grandes quantidades. Depois demolhamos, cozemos e congelamos, e assim temos sempre pronto”, explica Já os produtos frescos são adquiridos no Mercado de Campo de Ourique e, mais uma vez, levar os sacos e embalagens necessárias de casa é o método de eleição.

Inês admite que, como vegetarianos, talvez seja mais fácil contornar as embalagens, mas, ainda assim, diz que quem come peixe e carne também consegue contornar a questão. “Já me aconteceu ter de ir comprar peixe ao Pingo Doce, levei os recipientes e também não houve problema”, relata.

E encomendar comida, passou a ser uma linha vermelha? “Deixámos de pedir take-away para entregar em casa porque vem cheio de embalagens, mas encomendamos e vamos diretamente buscar aos restaurantes. Explicamos que vamos levar os nossos recipientes e, até agora, ninguém olhou para nós como se fôssemos extraterrestres”, explica a dentista.

Depois de implementarem estes hábitos “aos bocadinhos”, perceberam que tinham reduzido drasticamente o lixo que produziam e, nessa altura, viraram--se para a segunda zona da casa onde usavam mais plástico: a casa de banho. Por isso, começaram a comprar os sabonetes também a granel e a fabricar em casa a própria pasta de dentes. “Só faltava uma alternativa ao papel higiénico, que vem sempre numa embalagem de plástico. Mas, há duas semanas, a Renova lançou uma linha de papel higiénico que vem dentro de uma embalagem de papel. Por isso, agora estamos no consumo zero de plásticos”, conta.

NO CASAMENTO, A COMIDA FOI FEITA POR AMIGOS E FAMÍLIA E OS INGREDIENTES FORAM COMPRADOS NA MARIA GRANEL E NO MERCADO DE BENFICA

CASAR SEM LIXO

No final de junho, Inês e Francisco deram o nó na zona de Alenquer, numa cerimónia “mais informal” que a noiva gosta de definir como “um casamento comunitário”. “Pedimos as loiças emprestadas, as mesas e as cadeiras”, diz. A comida também ficou a cargo da família e amigos. Os noivos compraram todos os ingredientes e depois pediram aos mais chegados para os confecionarem: houve húmus de vários tipos, croquetes de batata doce, muito cuscuz... “Encomendámos e comprámos tudo na Maria Granel, que realmente foi uma grande ajuda, e os restantes vegetais no Mercado de Benfica”, relata Inês, contando que também a decoração foi toda feita com prata da casa. 

No fim, ficam as memórias de um dia passado exatamente como tinham planeado: rodeado de amigos, família e praticamente sem mácula para o ambiente.

Mas escolher viver sem plástico fica, afinal, mais caro? E é muito mais trabalhoso? “Sinceramente, achava que ia dar muito mais trabalho”, responde a dentista. “Como cozinhamos sempre em grandes quantidades e congelamos, acho que até poupamos dinheiro. Claro que para isso é preciso muita organização para depois não ter de ir ao supermercado à última hora comprar um pacote de massa.” Por isso, Inês diz que esta tem de ser uma decisão “superconsciente”. “Para nós, isto não aconteceu de um momento para o outro, primeiro houve uma fase de habituação.”

Para quem quer ter uma vida mais sustentável, Inês deixa quatro sugestões. Fazer as coisas por fases, ter muita vontade e, acima de tudo, planear. Por último, mas não menos importante: não ter vergonha de aparecer de caixa na mão. 

Marcas declaram guerra ao plástico mas ainda há muito a fazer

Acabar com palhinhas e copos de plástico é a medida mais imediata adotada pelas mais variadas marcas. Mas a estratégia também passa pela redução de sacos de plástico

TEXTO | Sónia Peres Pinto

A pouco e pouco, as marcas vão estando mais sensíveis à questão de restringir e até mesmo eliminar o uso do plástico. Os casos vão-se multiplicando e o ambiente agradece. O i fez uma ronda por várias marcas e a opinião é unânime: é imperativo mudar as práticas. Uma das guerras assenta no fim das palhinhas pois, na sua maioria, são feitas de plásticos como o polipropileno e o poliestireno que, se não forem reciclados, precisam de centenas de anos para se decompor. Muitas acabam em aterros sanitários ou nos oceanos.

O mais recente caso é o da cadeia Starbucks, que já prometeu deixar de usar palhinhas de plástico até 2020. A cadeia multinacional, que tem 16 lojas em Portugal e mais de 28 mil por todo o mundo, pretende, até essa data, substituir as palhinhas de plástico por soluções menos prejudiciais para o ambiente, como uma tampa reciclável que dispensa palhinha, copos reutilizáveis ou palhinhas feitas de outros materiais que não o plástico. 

Segundo a empresa, a medida eliminará a produção anual de mais de mil milhões de palhinhas de plástico para as suas lojas. Para já, esta alternativa está a ser utilizada em 8 mil lojas nos EUA e no Canadá, mas irá chegar a Portugal.
Ainda assim, as tradicionais tampas vão continuar a ser de plástico, mas a marca garante que se trata de um termoplástico resistente que pode ser reciclado muito mais facilmente do que as convencionais palhinhas, que passam a estar disponíveis apenas para situações excecionais, como o caso de clientes com deficiências motoras que precisem realmente do utensílio para ingerir líquidos.

Mas pela ronda feita pelo i, a par dos hipermercados, só as cervejeiras têm vindo a aplicar medidas mais restritivas no mercado nacional. Segundo o setor da distribuição, tanto os super como os hipermercados estão a utilizar menos plásticos e, além do corte nos sacos, estão também a substituir pratos e copos de plástico por material reciclável e a apostar na venda a granel.

A Auchan, que detém a marca de hipermercados Jumbo, pretende “acabar com os plásticos de utilização única” e, como tal, está à procura de alternativas. Uma das soluções passa pela introdução de um saco em papel kraft, utilização de embalagens reutilizáveis para encher na loja ou a aposta nas vendas a granel.

E dá como exemplo a linha de pratos, tigelas e copos descartáveis mas ecológicos – feitos de bagaço de cana-de-açúcar, um recurso renovável e natural e um material biodegradável – e talheres de madeira, que começaram a ser disponibilizados em março.

Já o Lidl comprometeu-se a reduzir em 20% a utilização de plástico até 2025. A primeira medida passou por descontinuar o sortido dos artigos de plástico descartável, como copos e pratos, nas mais de 250 lojas que o grupo tem no mercado nacional. A iniciativa, segundo as contas da empresa, vai evitar a entrada no circuito de 12,5 milhões de copos e de cinco milhões de pratos de plástico descartável por ano.

O Lidl afirma ainda que tem vindo a “adotar diversas iniciativas com vista à redução de plástico”, de que são exemplo as reduções nas embalagens das cápsulas de café – deixam de ter um invólucro de plástico por cápsula e passam a ter embalagens mais pequenas para o mesmo número de cápsulas. Estas alterações, segundo a empresa, “fazem prever uma poupança de cerca de 74 toneladas de plástico apenas neste produto em um ano”.

Mas dá mais exemplos. A quantidade de plástico usada por embalagem nos frutos secos foi reduzida, sem que tal tenha impacto no conteúdo em qualidade e quantidade. Na secção de frutas e legumes, padaria, frutos secos e no caso dos têxteis, as embalagens de plástico deram lugar às de cartão.

Tanto a Jerónimo Martins – dona dos supermercados Pingo Doce – como o grupo Dia admitem que estão atentos a este tema, mas ainda estão a ser analisadas alternativas, nomeadamente materiais biodegradáveis e papel. 

Já a Sonae MC, dos hipermercados Continente, aponta a existência de um grupo de trabalho multidisciplinar e transversal a todas as áreas de atuação da empresa para o desenvolvimento e implementação de medidas visando um uso mais responsável do plástico, desde a marca própria, logística e fornecedores até ao nível interno e também da sensibilização do consumidor, a que acresce o trabalho já feito para a redução da espessura de plástico dos diferentes produtos.

Mais avançadas estão as restrições nas cafetarias e restaurantes do Pingo Doce e do Continente. A Jerónimo Martins garante que já aposta em loiças e talheres reutilizáveis nestes espaços, enquanto a Sonae promete, até ao final do ano, acabar com a loiça de plástico, que será substituída por loiça de cerâmica, talheres de inox e copos de vidro. 
Além disso, também têm sido adotadas medidas para desincentivar o uso de plástico, a começar desde logo pela introdução de uma contribuição para os sacos de plástico nos supermercados. Esta taxa, que tem sido até agora aplicada aos sacos de plástico leve, poderá ser alargada aos mais espessos com o objetivo de incentivar uma maior reutilização, uma vez que “houve uma transferência e as pessoas passaram dos sacos leves para os de maior gramagem”.

Ao i, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) garante que desde 2015 se assistiu a uma redução na ordem de 88% do consumo de sacos de plástico leves face a 2014, o que resultou da entrada em vigor da lei da fiscalidade verde. “A APED promove, junto dos seus associados, a adoção de medidas que contribuam para o cumprimento das metas definidas na Estratégia Europeia dos Plásticos para 2030 e para padrões de consumo e produção mais sustentáveis. As empresas associadas têm vindo a colaborar de forma significativa para este desígnio, através de um leque alargado de soluções, diversificadas e complementares entre si”, salienta.

SÓ EM 2015 VERIFICOU-SE UMA REDUÇÃO NA ORDEM DOS 88% DO CONSUMO DE SACOS DE PLÁSTICO LEVES FACE AO ANO ANTERIOR

CERVEJEIRAS APERTAM O CERCO 

O grande desafio para as cervejeiras nesta matéria tem sido as festas populares e os festivais. O pontapé de saída foi dado nas Festas de Lisboa, onde durante todo o evento foram usados copos reutilizáveis. “Não teremos mais esses copos de plástico nos grandes eventos, uma medida importante para a vida da nossa cidade”, chegou a anunciar o presidente da Câmara Municipal de Lisboa durante a apresentação das festividades. Aliás, segundo Fernando Medina, este foi “um dos requisitos que se colocaram e que resulta da edição deste ano”: que “nos eventos de grande dimensão, os copos sejam copos reutilizáveis e não copos de plástico”. 

A medida foi posta em prática pela Sociedade Central de Cervejas, dona da Sagres. O mesmo exemplo foi seguido na última edição do Nos Alive, com recurso à utilização de copos de origem 100% vegetal. Tal como já tinha acontecido em 2008, a marca recorreu a copos biodegradáveis com o objetivo de tornar o evento cada vez mais sustentável e com uma pegada ambiental mais reduzida.

Os copos biodegradáveis são fabricados com base em ácido poliláctico (PLA). Requerem baixo consumo energético na sua produção e, após utilização, podem ser reciclados ou decompostos (45 a 60 dias), enquanto os copos de plástico genérico podem demorar mais de 300 anos a decompor-se. 

Já a Super Bock tem apostado no uso de copos reutilizáveis nos festivais de música. Com esta medida, a cervejeira conseguiu eliminar três milhões de copos descartáveis nos eventos em que esteve presente, como é o caso do Super Bock Super Rock, Rock in Rio Lisboa e Meo Sudoeste. Ao i, a Unicer garante que “os copos ecológicos reutilizáveis são certamente uma das nossas maiores apostas nesta área e com maior visibilidade junto do consumidor, contribuindo para diminuir as quantidades de plástico que são enviadas para a reciclagem”. 

Em apenas dois anos, desde que introduziu este sistema em grande escala nos festivais de música (como o Super Bock Super Rock), em festividades (como as Festas de Lisboa) e nas Queimas das Fitas, a dona da Super Bock já conseguiu eliminar três milhões de copos de plástico descartáveis. 



OUTROS CASOS

Esta “guerra” também está a ser seguida pela McDonald’s que irá, a partir de setembro, substituir o material de que são feitas as palhinhas dos copos em que serve refrigerantes e outras bebidas. Para já, a medida só está a ser aplicada nas lojas no Reino Unido, país que usa 1,8 milhões de palhinhas de plástico por dia. Contactada pelo i, a cadeia de fast food garante que está a trabalhar para encontrar uma solução mais sustentável em alternativa às palhinhas de plástico. “Estamos presentemente a avaliar e testar diferentes opções em diversos mercados, tendo sempre como prioridade garantir aos nossos clientes uma experiência positiva e corresponder às suas expetativas. Esta é uma das iniciativas em que estamos empenhados, de modo a conseguir garantir que 100% das nossas embalagens serão provenientes de fontes renováveis, recicladas ou certificadas até 2025, conforme o compromisso mundial assumido pela nossa marca”, salienta.

Ainda assim, garante que já tem procurado otimizar a quantidade de embalagens que utiliza nos restaurantes com a finalidade de melhorar as práticas de reciclagem. “Atualmente temos já incorporação de fibras recicladas nos nossos sacos, nas embalagens das nossas sanduíches e batatas fritas, bem como nos guardanapos, toalhetes dos tabuleiros e copos de papel”, esclarece. 

Já a Renova lançou no mercado inglês, e vai estender até ao final de setembro aos diversos mercados onde opera, uma nova gama de produtos com embalagem em papel substituindo o plástico – resposta a uma expetativa crescente dos cidadãos em todo o mundo.

Também a Disney anunciou recentemente que a partir de meados de 2019 vai deixar de usar palhinhas de plástico nos seus espaços a nível mundial, prevendo uma redução anual de mais de 175 milhões de palhinhas. A marca norte-americana também vai passar a usar mais produtos reutilizáveis nos quartos dos hotéis e cruzeiros, reduzindo o consumo de plástico em 80%. Também irá usar menos sacos de plástico nas lojas e oferecerá sacos reutilizáveis ao preço de um saco convencional. A Disney adianta ainda que vai deixar de usar copos de plástico.

Já no Ikea, produtos como palhinhas, pratos, copos, sacos de congelação ou sacos do lixo vão deixar de ser vendidos até 2020. Durante os próximos dois anos, a cadeia sueca quer eliminar todos os itens de plástico descartável nas suas lojas. A medida faz parte da estratégia da marca para o de-senvolvimento de um modelo de negócio mais sustentável.
Estes produtos estão já a ser retirados dos restaurantes e cafés das 363 lojas, de 29 mercados, que fazem parte dos espaços Ikea em todo o mundo, incluindo em Portugal. “Queremos continuar a trabalhar com os nossos fornecedores e a desafiá-los, a longo prazo, a adotarem práticas mais sustentáveis para continuarmos a desenvolver a nossa gama com a garantia de que todos os materiais são reutilizáveis ou recicláveis”, diz a empresa.

Também a Adidas se prepara para usar plásticos reciclados a partir de 2024 em todos os seus sapatos e roupas. Nos próximos seis anos, a marca alemã quer ser sustentável em toda a sua cadeia de valor. No entanto, esta transição será ainda um pouco demorada, pois quase metade do material usado pela marca alemã para produzir 920 milhões de produtos é composto por poliéster. 

Das estradas ao calçado para acabar com a poluição

Em Portugal é fabricado calçado com garrafas de plástico que são recolhidas nas praias. A ideia é tentar acabar com a poluição

TEXTO | Tatiana Costa

Mobirise
O enorme desperdício de plástico tem estado a preocupar, agora mais do que nunca, a sociedade. Numa altura em que os governantes tentam adotar medidas para reduzir o uso deste material – com a Comissão Europeia a apresentar medidas para reduzir a poluição nos oceanos, com a eliminação do uso de cotonetes, palhinhas, talheres, pratos e outros objetos de plástico descartável até 2025 – surgiu uma nova utilização para os plásticos: reaproveitar este material para construir estradas.

Em 2015, uma empresa holandesa decidiu criar um projeto, chamado PlasticRoad, que em vez de usar os materiais habituais para construir estradas, como cimento ou alcatrão, usa plástico. A empresa está a desenvolver uma ciclovia, que deverá estar pronta para testar em setembro deste ano. 

No entanto, as chamadas ‘estradas de plástico’ já podem ser encontradas no Reino Unido, Canadá, Austrália ou Nova Zelândia. Uma empresa escocesa arranjou uma maneira de misturar plástico com o asfalto das estradas, tendo sido bem sucedida. Atualmente, cada tonelada de asfalto contém 20 mil garrafas de plástico ou cerca de 70 mil sacos. Toby McCartney, um dos responsáveis da empresa, disse à “CNN” que esta substância apesar de ser mais barata também torna as estradas 60% mais fortes do que as normais.

A ideia, segundo contou Toby McCartney, veio da Índia, quando um dia reparou que os buracos da estrada eram tapados com plásticos usados, que depois eram derretidos e alisados solucionando o problema. 


REALIDADE EM PORTUGAL?

Para já esta realidade ainda não está a ser aplicada em Portugal, mas segundo explicou ao i Mariana Milagaia, colaboradora do Centro de Informação de Resíduos da Quercus, poderá ser implementada “se houver uma política de incentivo que alavanque a investigação e a recetividade do mercado”. Esta solução tem algumas vantagens, nomeadamente ao nível da resistência e flexibilidade, “adiando a formação de fissuras e buracos”, esclareceu. “Isto representa uma vantagem económica na medida em que aumenta a durabilidade do tapete reduzindo os investimentos em manutenção nas estradas”, completou.

Mariana Milagaia considera que esta é uma solução “aparentemente vantajosa e segura”. No entanto, em Portugal, ainda é necessário investigar as “propriedades dos materiais reciclados e o seu desempenho quando misturado com o betume”.

A medida parece ser uma boa alternativa ao desperdício, mas de acordo com a responsável, não ajuda a reduzir a exploração petrolífera: “As atuais misturas betuminosas têm como aglomerante o betume que é de origem petrolífera. Mesmo que o plástico integre a mistura, só eventualmente reduz a quantidade de agregados utilizados, que são materiais rochosos. Esta solução só reduziria o uso de betume se passasse a funcionar como tal”.

Já Rui Derkemeier, colaborador da Zero na parte dos resíduos, diz por outro lado que esta solução não “é uma mais valia em termos de aproveitamento” do plástico. Este componente tem mais valor se for utilizado para fazer novas garrafas ou novos sacos de plástico: “Se nós com sacos plásticos fizermos outros sacos estamos a poupar no petróleo, estamos a valorizar muito mais esse resíduo em termos económicos e a dar uma utilização mais racional em termos ambientais do que estar a fazer pavimentos para estradas”.

Para já, Rui Derkemeier não acredita que este seja o caminho certo para Portugal, referindo que em vez das garrafas ou sacos plásticos, se deve apostar na reutilização de pneus reciclados para fazer estradas.

A responsável da Quercus concorda: este método é uma “solução económica e ambientalmente favorável”, que também ajuda a reduzir “substancialmente o ruído do tráfego”.


PLÁSTICO TAMBÉM PODE ORIGINAR CALÇADO

O plástico apanhado nas praias pode ter mais usos do que imagina, podendo ser utilizado para fazer calçado.

A ideia partiu de dois amigos do Minho – Adriana Mano e António Barros – que sempre sonharam em limpar o mar, deixando-o livre de plásticos. A partir daí, arregaçaram mangas e criaram o Zouri: um projeto que dá vida a calçado amigo do ambiente. 

Segundo Adriana Mano, a ideia foi ganhando força durante as idas à praia em Esposende com António Barros. Juntos apanhavam os plásticos e falavam sobre o constante problema da poluição nas praias. Uma coisa levou à outra e a partir daí começaram a pensar em alternativas para combater o desperdício de plástico e reduzir a poluição das praias.

Para cada par de calçado, são utilizadas cerca de dez garrafas de plástico.

Para além de só usar os plásticos recolhidos, o projeto também não utiliza qualquer produto de origem animal. Cortiça, borracha e até mesmo um material feito de folhas de ananás são alguns dos materiais que integram este tipo de calçado sustentável.

Esqueça as águas cristalinas e os peixes. O mar está entregue ao plástico

Algumas praias deixaram de ser paraísos e passaram a ser verdadeiros infernos. Bali é um dos exemplos. São cenários trágicos, que chocam, mas continuam a multiplicar-se

TEXTO | Sofia Martins Santos

Mobirise
No verão, multiplicam-se sugestões para aproveitar as férias ao máximo. Entre os conteúdos mais partilhados estão listas com algumas das praias mais bonitas do mundo. No entanto, muitas vezes o que a natureza tem para dar já foi estragado pelo homem. É o caso de centenas de praias onde os mergulhos são dados no meio de... lixo. Falamos de casos onde já não há espaço para falar de águas cristalinas, porque estas deram lugar a verdadeiros mares de plástico. Um dos exemplos mais polémicos e dramáticos acontece em Bali, na Indonésia. 

Em março, um mergulhador chocou o mundo ao partilhar no Youtube e nas redes sociais um vídeo em que nada perto de Bali, num mar onde o que mais se vê é lixo. O material mais visto? “Sacos de plástico, garrafas de plástico, copos de plástico, baldes de plástico, ferramentas de plástico, sacos de plástico, mais sacos de plástico, plástico e plástico. Tanto plástico”, respondeu Rich Horner, na publicação que acabou por ser vista um pouco por todo o mundo. 

Com a situação a horrorizar tanto turistas como ambientalistas, muitos começaram a insistir na necessidade de arranjar soluções, já que a poluição começou a afetar várias espécies. A agravar a situação está ainda o facto de a Indonésia produzir cerca de 130 mil toneladas de lixo sólido todos os dias. Com muito plástico no meio, metade chega às lixeiras, enquanto a outra metade é queimada ilegalmente ou atirada aos rios ou ao mar. 

Também a República Dominicana tem feito correr muita tinta na imprensa internacional. No mês passado, foi notícia que na praia de Montesinos, em Santo Domingo, foram recolhidas, em apenas três dias, 30 toneladas de plástico. Aquelas fotografias de praias paradisíacas desapareceram e deram lugar a outras que mostram uma realidade muito diferente. Um manto de lixo a boiar no mar foi o que se viu num vídeo partilhado por uma equipa da ONG Parley Oceans, que se dedica à conservação dos oceanos. 

“Precisamos de uma onda de mudança e de uma revolução material”, pediu a organização, depois de ter realizado o trabalho de limpeza em conjunto com as forças armadas, elementos da Marinha e ainda cerca de 500 funcionários públicos. 

“No passado enviávamos postais de praias mágicas e palmeiras. Agora, são ondas de resíduos plásticos. A menos que façamos alguma coisa já, a geração futura não irá acreditar que os cenários dos postais alguma vez tenham existido. Estamos a pedir uma Revolução Material – o plástico tem de desaparecer”, tem insistido Cyrill Gutsch, fundador desta organização. A verdade é que, depois de publicadas as imagens desta praia, muitas vozes se lhe têm juntado. 
Para conseguir ter mais expressão nesta luta contra o plástico, a organização decidiu transformar o plástico recolhido em produtos de consumo. A ideia tem como objetivo maior alertar para a poluição dos oceanos e para a necessidade de começar a mudar rotinas e consciências. 

Ao i, Marta Dias conta que, com viagem marcada para Punta Cana, pensou em desistir. Acabou por manter a viagem, mas para outro local: “Vamos na mesma, mas para um local que fica a 180 quilómetros do que estava planeado”. 



DADOS ASSUSTAM

Segundo um estudo publicado em março deste ano, quase 80 mil toneladas de detritos de plástico ocupam no oceano Pacífico, entre a Califórnia e o Havai, uma área que equivale a três vezes o território de França. O coordenador do estudo, o investigador Laurent Lebreton, da Ocean Cleanup Foundation, explica que a quantidade de plástico tem vindo a aumentar “exponencialmente” e salienta que é preciso olhar com atenção para os números. Em 1990, a produção de plástico era metade da atual. Dizem os especialistas que, se nada for feito para evitar o consumo deste material, acabaremos por ter mais plástico do que peixe.

A Ilha de Plástico do Pacífico pode ser a maior, mas também há plásticos no Atlântico

Um novo sistema vai, daqui a menos de um mês, tentar capturar o lixo da Ilha de Lixo do Pacífico. Quer funcione, quer não, o problema dos plásticos existe em todos os oceanos e até em Portugal há evidências de que os peixes os consomem 

TEXTO | Beatriz Dias Coelho

Mobirise
Todos os oceanos têm lixo – maioritariamente, plástico. Segundo previsões do Fórum Económico Mundial, se não repensarmos o uso e a produção de plástico, é possível que, até 2050, haja mais plástico do que peixes no mar. É no oceano Pacífico Norte que este problema assume contornos mais preocupantes: lá existe a maior ilha de lixo flutuante, conhecida como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico. Os cientistas estimam que tenha cerca de 1,6 milhões de quilómetros quadrados: no seu interior, caberiam mais de 17 conjuntos de Portugal continental e ilhas. Mais curioso ainda é que, recentemente, em março deste ano, um grupo de cientistas chegou à conclusão de que a ilha está a acumular lixo de forma muito rápida, expandindo-se cada vez mais. Num artigo publicado na revista científica Scientific Reports, os investigadores concluem que a ilha tem, hoje, cerca de 80 mil toneladas de resíduos.

Mais do que prejudicar o ambiente e poluir as águas, os plásticos são ingeridos pelas espécies marinhas que, por sua vez, são expostas à sua toxicidade e acabam por nos chegar ao prato. Preocupado com a gravidade da situação, o holandês Boyan Slat, de 24 anos, decidiu aplicar os seus conhecimentos e fortuna para encontrar uma solução para um problema que, de forma mais ou menos direta, nos afeta a todos. Por isso, criou em 2013 a fundação The Ocean Cleanup e inventou um sistema que pretende extrair os plásticos dos oceanos. E, apesar das vozes críticas de muitos especialistas, que acreditam que a suposta solução irá criar outros problemas, Slat não recuou e a data e o local para iniciar o sistema já estão marcados: será a 8 de setembro, precisamente na ilha do Pacífico. 

Mas quais são as bases deste sistema? A ideia de Boyan Slat passa por ‘encurralar’ o plástico, utilizando barreiras flutuantes de 600 metros de comprimento e telas em nylon com três metros de profundidade presas às barreiras para impedir que os plásticos mais pequenos, e que não estão à superfície, escapem à armadilha – todos, menos os micro plásticos, que não é possível capturar. Depois, os ventos, as ondas e as correntes, que transportam o lixo, encaminham-no naturalmente para a barreira. Consegue-se, assim, concentrar o lixo no interior da barreira – cujas telas são mais compridas no centro do que nas extremidades, obrigando a barreira a adotar uma forma em “u”, capturando o lixo –, para depois ser retirado por barcos e trazido para terra para reciclar. O sistema, assegura o criador, não vai prejudicar os peixes, que conseguirão em segurança passar por baixo das telas em nylon.

Se funcionará ou não, só o tempo o dirá, mas as previsões de Boyan Slat e da sua equipa são ambiciosas e animadoras: estimam que o sistema consiga vir a limpar 50% da Grande Mancha de Lixo do Pacífico a cada cinco anos.


O PLÁSTICO NO ATLÂNTICO

O Pacífico pode ser longe, mas o flagelo do plástico também se vive no oceano que banha a costa portuguesa. Nuno Mota faz pesca submarina há 25 anos e, há cerca de um mês, teve uma surpresa.

“Pesquei um robalo com 2,6 quilos na zona da Consolação/Peniche e, ao arranjar o peixe, encontrei dois pedaços de plástico”, contou ao i. “O alarmante deste caso é ser um peixe capturado aqui à nossa ‘porta’ e tratar-se de uma espécie com um enorme valor comercial”, defende Nuno Mota, associado da Oceanos Sem Plásticos – associação que expôs o caso nas redes sociais.

Em Portugal, a academia já estuda o problema dos plásticos na costa portuguesa, mas ainda há muito para investigar. Quem o diz é Paula Sobral, investigadora do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e professora da Universidade Nova de Lisboa, que tem vindo a participar em vários estudos que analisam a presença de micro plásticos nos peixes da costa portuguesa. “Os micro plásticos são partículas inferiores a cinco milímetros e existem numa quantidade muito grande porque resultam da fragmentação de objetos maiores. O problema que se coloca é que muitos animais marinhos confundem essas partículas com alimento. E não são só os peixes, mas também outras espécies, como tartarugas, bivalves ou até plâncton”, explica a investigadora. “Capturámos peixes na nossa costa e, quando fomos analisá-los, verificámos que de facto estão a consumir micro plásticos e fibras”, recorda.

Segundo Paula Sobral, “em todos os oceanos existe uma zona central em que as correntes acumulam no seu interior – os chamados giros oceânicos – o plástico flutuante”. E por que é que a maior ilha de lixo se localiza no Pacífico? “Deve-se ao facto de a costa asiática praticamente não ter gestão de resíduos”, acredita a investigadora. Por outro lado, “os países localizados no Atlântico Norte têm uma gestão de resíduos mais ou menos eficiente e o lixo que entra no mar é muito menor”. Ainda assim, Paula Sobral deixa o aviso: “Os oceanos não têm fronteiras, não quer dizer que o lixo que existe no Pacífico não possa vir para o Atlântico eventualmente”.

Problema do plástico é reconhecido mas nem todos mudam de comportamento

Há portugueses que não conhecem as alternativas ecológicas como os sacos de pano, escovas em bambu ou garrafas reutilizáveis

TEXTO | Sónia Peres Pinto

Uma baleia morreu depois de ter engolido mais de 80 sacos de plástico no sul da Tailândia. O caso remonta a junho e foi noticiado um pouco por todo o mundo. Os portugueses mostraram-se sensibilizados, mas nem todos estão disponíveis para mudarem os seus comportamentos. E isso é visível pelo estudo levado a cabo pela Quercus, que revela que os portugueses inquiridos numa campanha de sensibilização conhecem o problema ambiental causado pelos descartáveis de plástico, mas apenas metade mudou o seu comportamento. 

As conclusões do inquérito a uma amostra de 300 pessoas “permitiram demonstrar que, apesar de 95,9% dos participantes conhecerem o problema ambiental do uso de descartáveis e dos microplásticos, apenas 49,6% mudaram o comportamento adotando melhores práticas no seu dia-a-dia”, refere a associação de defesa do ambiente Quercus.
Naquele grupo de inquiridos, 22,6% não conhecem as alternativas ecológicas aos descartáveis, como os sacos de pano, escovas em bambu, garrafas reutilizáveis ou palhinhas em inox, a maioria tem dúvidas na identificação dos produtos que contêm microplásticos e 65% não sabem identificar os plásticos recicláveis.

E os números não ficam por aqui. Só no ano passado, cada português produziu 1,32 quilos de resíduos por dia. Os dados são do relatório do estado do ambiente divulgado pela agência Lusa. Foram praticamente cinco milhões de toneladas de lixo, mais 2,3% do que em 2016. Do total de resíduos urbanos recolhidos, 83,5% tiveram origem na recolha indiferenciada. 

Limpeza Outra preocupação diz respeito às praias. Os plásticos dominam os resíduos encontrados no Mediterrâneo, a maior parte com origem na Turquia e Espanha, e afetam Portugal, alertou a organização ambientalista internacional WWF. Em Portugal, “os microplásticos predominam nas areias das praias, representando 72% do lixo encontrado em zonas industriais e de estuários”, salientou. 

Segundo trabalhos científicos referidos pela WWF, Portugal apresenta “dados preocupantes ao longo da cadeia alimentar marinha, nomeadamente em espécies que servem de alimento a peixes e mamíferos”.

Os artigos, refere a organização, destacam as zonas de Lisboa e Costa Vicentina pela proximidade aos estuários do Tejo e Sado, apresentando elevadas densidades de microplásticos. E acrescenta ainda que “20% dos peixes de consumo quotidiano têm microplásticos nos seus estômagos e 80% das tartarugas-marinhas-comuns (Caretta caretta), cujos juvenis têm zonas de alimentação nos Açores, comem lixo, na sua maioria plástico”.

A pensar nisso foi lançada uma campanha de reciclagem de plástico que percorre 14 praias portuguesas com o objetivo de levar os utentes a recolher o plástico das praias, para ser depois transformado em aparelhos de atividade física. Os aparelhos de atividade física conseguidos através do projeto “TransforMAR” serão devolvidos às praias onde decorreu a recolha do plástico reciclado.

A par disso vão surgindo também movimentos organizados pela população com o mesmo objetivo: limpeza do areal. Foi o que aconteceu recentemente na praia de Carcavelos, em Cascais. Mas a esta iniciativa juntam-se muitas outras. 


TOLERÂNCIA ZERO

O certo é que, face a estes números, Bruxelas quer declarar guerra aos desperdícios de plástico e pretende acabar com o plástico descartável até 2030. O objetivo é que, até essa data, todo o tipo de embalagens e empacotamento sejam feitos com recurso a materiais reutilizáveis ou recicláveis. No entanto, a estratégia europeia para os plásticos tem em conta “uma razão económica de peso” para seguir esse caminho e que a Europa deve estar na vanguarda da reciclagem e reutilização de materiais, criando “novas oportunidades de investimento e novos postos de trabalho” numa indústria que emprega 1,5 milhões de pessoas e move 340 mil milhões de euros. 

A Comissão Europeia quer tornar a reciclagem mais rentável para as empresas e defende que a União Europeia deve fazer novas normas para embalagens, tornando o plástico utilizado mais reciclável e aumentando e melhorando a recolha para poupar “cerca de cem euros por cada tonelada de resíduos recolhida”. 

A criação de 200 mil empregos no setor de triagem e reciclagem é outra das metas que devem ser alcançadas até 2030. Ao mesmo tempo, estão previstos 100 milhões de euros adicionais para financiar “a criação de materiais plásticos mais inteligentes e mais recicláveis, o aumento da eficiência do processo de reciclagem e o rastreio e eliminação de substâncias perigosas e contaminantes de plásticos reciclados”.

“Se não mudarmos a forma como produzimos e utilizamos os objetos de plástico, em 2050 haverá mais plástico do que peixes nos nossos oceanos”, já argumentou o responsável pelo desenvolvimento sustentável e vice-presidente da comissão, Frans Timmermans.

DISQUS COMMENTS WILL BE SHOWN ONLY WHEN YOUR SITE IS ONLINE