21/09/2018
 

OITO SUGESTÕES PARA PARTIR À DESCOBERTA DO PORTUGAL DESCONHECIDO

UM PAÍS PARA DESCOBRIR

TEXTOS | Edilson Coutinho e Tatiana Costa
INFOGRAFIA | Óscar Rocha

Marcelo deu o mote: tenciona passar uns dias de férias em Pedrógão Grande e mais a norte, nas áreas afetadas pelos fogos do ano passado. Reunimos sugestões para descobrir segredos desse outro país que em 2017 sofreu o flagelo dos incêndios, dos spots incontornáveis às propostas de caras conhecidas

PEDROGÃO GRANDE 

Epicentro da tragédia de junho de 2017, Pedrógão Grande quer reerguer-se. Para os amantes de desporto e caminhadas, a Câmara Municipal de Pedrógão Grande oferece uma panóplia de oito percursos pedestres que têm como objetivo dar a conhecer o património e a história da vila, bem como colocar os visitantes em contacto com a natureza. Saborear os pratos típicos da região é quase obrigatório para quem passa férias fora de casa. No restaurante Ponte Velha pode experimentar a gastronomia da região: a sopa de peixe, maranhos e o bucho. O preço médio são 20 euros e o restaurante fica localizado na Sertã.

Um local de veraneio popular é a praia das Rocas, ali perto, em Castanheira de Pera. Reabriu a 1 de junho depois de, no ano passado, o verão ter sido difícil: algumas das vítimas do fogo tinham estado no local. A praia tem uma ilha no centro e é ainda constituída pela maior piscina de ondas do país (2100 metros quadrados), uma albufeira e uma ponte secular. Se é mais aventureiro e radical e gosta de testar limites pode fazer escalada na encosta da Cotovia, que fica situada ao lado do viaduto da Estrada Municipal 2 e do miradouro do Cabril.

// COMO CHEGAR

CASTELO DE PAIVA

Férias do verão são sinónimo de praia mas, se não é fã de areia e mar, nada melhor do que visitar as características aldeias serranas. Em Midões e Gondarém encontrará casas de xisto e paisagens marcadas por vinha que poderá apreciar a pé. Nos dias quentes, os piqueniques não podem faltar, e levar o farnel até ao Choupal das Concas, um espaço amplo e cheio de choupos, é uma das opções. O choupal tem um pequeno areal na margem do rio que convida a banhos de sol. A ilha dos Amores também pode ser uma opção para quem gosta de praticar desportos náuticos: a ilhota localiza-se na confluência do rio Paiva com o Douro e é complementada por uma piscina ao ar livre, com um pequeno areal e um bar.

Os amantes de ciclismo podem fazer o Trilho das Vinhas ou o Trilho do Mineiro, organizados pela câmara municipal, aproveitando para conhecer belas paisagens naturais. Não se esqueça da gastronomia tradicional e, se não sabe o que pedir, aqui ficam algumas sugestões: anho assado no forno, bifes de cebolada à Sta. Eufêmea, vitela assada, cozido à lavrador, iscas de bacalhau e enchidos e fumeiros.

// COMO CHEGAR

BEIRA ALTA

As opções são imensas, mas em Oliveira do Hospital encontrará várias praias fluviais onde pode desfrutar do bom tempo. É o caso da praia fluvial classificada de Alvoco das Várzeas: é vigiada por nadador-salvador e tem várias acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida, chuveiros, balneários, bar e parque de merendas com serviço de churrasqueira. A praia está aberta das 11h até às 19h, de 1 de junho a 31 de agosto. Se do que mais gosta nas férias é de experimentar pratos diferentes, nada melhor do que fazer o Roteiro do Queijo da Serra da Estrela, também em Oliveira do Hospital. Terá a oportunidade de percorrer ribeiras, atravessar aldeias de xisto e visitar os vales dos rios Alva e Alvoco. No final da visita tem a oportunidade de provar o borrego da serra com vinho do Dão, o requeijão, manteiga de ovelha e o queijo da serra da Estrela.

Se gosta de caminhar e, ao mesmo tempo, apreciar a paisagem, não vai querer perder a aldeia do Piódão - uma aldeia histórica composta por casas de xisto e lousa. As festas também podem ser divertidas. Em Vila Nova de Poiares há a romaria de São Pedro em Lavegadas, a 29 de junho, ou a festa de S. Miguel, no 1.º domingo de agosto. 

// COMO CHEGAR

DÃO-LAFÕES

No concelho de Vouzela poderá experimentar parapente e desfrutar das paisagens. Se prefere ter os pés assentes na terra, pode optar por fazer um dos quatro circuitos turísticos que a câmara municipal promove, visitar a Reserva Botânica de Cambarinho - entre maio e julho, os loendros estão em floração - ou a Mata da Penoita, repleta de espécies exóticas e equipada com parques de merendas onde pode comer e descansar. Se passar por Oliveira de Frades é obrigatório experimentar a gastronomia local: vitela à Lafões, arroz de cabidela, rojões, enchidos e o cabrito e frango assados no forno são as especialidades.

Se prefere doces, experimente a iguaria da vila, as chamadas queijadinhas de Oliveira de Frades, feitas à base de gemas de ovos e açúcar. Se estiver de passagem pela vila em julho não se esqueça de dar um salto até às festas do concelho e mostra gastronómica: o programa acontece na terceira semana de julho e é mais uma oportunidade para provar os pratos tradicionais. 

// COMO CHEGAR

BAIXO MONDEGO

A região é de fácil acesso. De carro, por exemplo, se vai sair do norte e dependendo da zona, a viagem pode durar entre 30 minutos a duas horas. Se partir do sul vai perder mais tempo na estrada, mas as ofertas disponíveis na zona fazem esquecer qualquer espera. O turismo no Baixo Mondego passa por conhecer o património edificado, cultural e ambiental: igrejas, estátuas, jardins, artesanato e a arte xávega. O Museu Etnográfico da Praia de Mira, o Museu da Pedra e o Museu do Território da Gândara são alguns dos locais onde se pode conhecer um pouco mais da história que faz parte do Baixo Mondego. As atividades que os turistas vão encontrar nas diferentes freguesias são percursos pedestres, visitas aos moinhos de água e uma oferta alargada de praias na zona litoral.

Para quem prefere rios ou piscinas também existe a praia fluvial dos Olhos da Fervença, em Cadima, ou as Piscinas Municipais de Cantanhede. Sem esquecer as tradições mais antigas, como a matança do porco e a queima do Judas, as principais festas são o Festival da Sardinha Assada na Telha e da Batata Assada N’Areia, nos dias 17 a 19 de agosto, e a Expofacic, de 26 de julho a 5 de agosto. 

// COMO CHEGAR

SERRA DA ESTRELA

Se gosta de estar em contacto com a natureza, ir até uma das principais serras de Portugal pode ser o destino ideal para as férias. Antes de subir a serra, prepare o estômago com a gastronomia típica desta região. A carne de porco é o destaque da culinária local e não pode deixar de provar o bucho com grelos, o presunto curado e os enchidos. Mas para quem não gosta, também existem outras carnes: cabrito, borrego e javali são outras iguarias muito comuns na serra da Estrela, sem esquecer o famoso queijo, produzido em altitude. Pode aproveitar os passeios pela montanha que são organizados pelas câmaras municipais e visitar o famoso Museu Etnográfico do Rancho Folclórico de Seia.

Existem também monumentos como a Igreja da Misericórdia, o Solar dos Botelhos e a Capela de Santo Cristo do Calvário, que são de paragem obrigatória. Pode ficar alojado na Pousada Serra da Estrela, que tem uma piscina nas encostas rochosas da serra, ou, se preferir uma opção mais barata, o Covilhã Hostel fica cerca de meia hora de carro da serra. Para banhos, a praia fluvial de Loriga é imperdível. Fica perto de Seia. 

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PINHAL LITORAL

A Estrada do Atlântico, que liga Pombal a Caldas da Rainha, é uma extensão de 74 quilómetros que, para além da via para os automóveis, contém também uma ciclovia - a maior do país - que permite às pessoas praticar desporto, passear e conhecer a orla costeira. Pode conhecer as praias de Pedra de Ouro e S. Pedro de Moel, que fazem com que a zona fique mais atrativa para os turistas. Existem também diversos percursos de acesso paralelo à Estrada Atlântica que fazem ligação ao Pinhal de Leiria: durante o percurso é possível avistar as áreas verdes que resistiram aos incêndios de 2017. Mas quem se aventurar por este percurso deve ficar atento: existem algumas zonas no coração da mata que têm o acesso condicionado. A lagoa da Ervedeira - que fica próxima da praia de Pedrógão - é uma alternativa ao mar que já é possível visitar livremente.

Pode percorrer os passadiços. No Pinhal do Urso, as pessoas podem passear dentro da mata, usufruindo dos dois trilhos existentes - o Trilho da Lagoa de São José e o Trilho da Baleia Verde - e também da lagoa dos Linhos, para fazer piqueniques e atividades ao ar livre. 

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BEIRA BAIXA

Aldeias de xisto, igrejas e museus são algumas das opções que pode visitar num período de férias pela Beira Baixa. As dicas são muitas: na serra do Açor, o Picoto da Cebola oferece uma vista de 360 graus. Se não chegar, também existem miradouros na Barragem de Santa Luzia e nos meandros do Zêzere, onde se avista o reflexo das nuvens e vales nas águas do rio Unhais e do rio Zêzere. Pode optar por um percurso menos montanhoso na zona de Oleiros, onde irá caminhar por trilhos entre cascatas e pontes de madeira. Praias fluviais como a de Açude Pinto, Cambas e Álvaro também são opções menos cansativas.

Deve também ir até Góis, onde pode visitar o moinho no centro da vila ou fazer desportos como canoagem, escalada, rappel e paintball. No que diz respeito à acomodação, o Villa Pampilhosa Hotel é um requinte no meio da serra que oferece conforto aos seus hóspedes. Mas para quem pretende economizar existem alternativas mais em conta em casas de alojamento local como as Casinhas do Ceira, em Fajão, ou a Casa de Santo Antão, em Portelo do Fojo.

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O INTERIOR PELA MÃO DE QUEM O CONHECE BEM


Se ainda não tem um roteiro fechado para estas férias, descubra as sugestões de figuras de diferentes quadrantes que nasceram nesse outro Portugal que por vezes é esquecido. Almeida Rodrigues, Jaime Marta Soares, Jorge Coelho, Tony Carreira, Fernando Ruas e Joaquim Nicolau partilham as suas sugestões

Almeida Rodrigues
Viseu - Viseu

Natural de Viseu, o ex-diretor da PJ recorre às memórias de infância e juventude para fazer algumas sugestões de passeio na sua zona. “Recordo-me de ter passeado quando jovem pela Cava do Viriato, os parques do Fontelo e Aquilino Ribeiro, o miradouro de Santa Luzia, o monte de Santa Eufémia em Cepões, as termas de Alcafache, S. Gemil e S. Pedro do Sul. Estes são alguns dos locais que recomendo”, diz. Quanto às suas férias, diz fazer um misto: “Vou para o interior, mas também vou para o Algarve”. No apelo de Marcelo, Almeida Rodrigues vê uma medida extremamente positiva. A cumprir-se o desejo do PR, seria uma iniciativa louvável: “as pessoas do interior merecem ser visitadas.”

Jaime Marta Soares
Coimbra - Vila Nova de Poiares

O presidente da Liga dos Bombeiros e Portugueses e da Mesa da Assembleia Geral do Sporting conhece bem o interior – nasceu e foi autarca de Vila Nova de Poiares. As recomendações começam no concelho: “Vila Nova de Poiares tem zonas muito agradáveis, tem a zona do rio Alva, que tem um pesqueiro de trutas com mais de 8km. Umas aldeias muito bonitas, onde podem descansar à beira rio. Tem o açude da Marinheira na ponte de Mucela que é um sítio maravilhoso de lazer. A serra do Carvalho tem paisagens muito bonitas e onde a olho nu se vê a Serra da Senhora da Boa Viagem e o mar na zona da Figueira da Foz e tem uma panorâmica sobre toda a bacia da Lousã, Poiares e da Serra da Lousã.” Marta Soares fala ainda do centro da vila: tem o Cristo Rei e o jardim de Santo André, fora do vulgar. Há ainda a Serra de São Pedro Dias e as piscinas da fraga. “Poiares tem cerca de uma dúzia de restaurantes onde se pode comer e degustar da gastronomia maravilhosa: a chanfana, o bucho de porco, o cabrito assado e como doce há poiarito [pão doce tradicional de Poiares]. Quando éramos jovens juntavam-se os primos e íamos para o rio aos fins de semana, passávamos lá uma tarde ou um dia e depois íamos àquelas festas de verão.”

Tony Carreira
Coimbra - Pampilhosa da Serra

As raízes de Tony Carreira estão na Pampilhosa da Serra. O cantor não costuma tirar férias, mas sempre que a sua agenda o permite, gosta de fazer umas escapadelas. “Ora à minha terra, onde vou várias vezes durante o ano, ora a várias outras vilas e aldeias do país”, afirma, com orgulho na hospitalidade portuguesa. No seu recente livro, “OHomem que Sou” recorda momentos passados na sua aldeia do interior do país - Armadouro. Gosta muito das praias fluviais, mas é à Praia Fluvial de Pessegueiro, situada na zona da Pampilhosa da Serra, que tem mais ligação. Nadar nas praias fluviais é uma das sugestões que deixa. Andar de barco ou simplesmente passear e respirar o ar puro é o que mais gosta de fazer.

Fernando Ruas
Viseu - Farminhão

O eurodeputado e ex-autarca nasceu em Farminhão – uma aldeia de Viseu – e considera que devem ser criadas mais iniciativas para despertar o interesse das pessoas em visitar o interior. Garante que passa as férias do mês de agosto sempre em Viseu porque considera ser o melhor sítio para o fazer. Apoia a iniciativa de Marcelo Rebelo de Sousa e sugere, também, para além das zonas afetadas, todo o interior de Portugal como destino turístico. Recomenda a cidade de Estremoz, aconselha o vale do Douro, a Sé de Viseu, a Sé da Guarda e a cidade de Castelo Branco que está a ser cada vez mais dinamizada culturalmente. Sugere ainda conhecer as aldeias históricas e fazer percursos pedestres pelo interior.

Jorge Coelho
Viseu - Mangualde

O político socialista nasceu em Viseu e sempre viveu a sua vida entre o interior e o litoral. Conhece muito bem todos os concelhos que foram afetados pelos incêncidos do ano passado e, por isso, apoia a 100% o apelo do Presidente da República porque considera que “tem de haver um esforço dos portugueses para quererem visitar e ver o que já foi recuparado [em um ano]”. As sugestões passam por visitar a Feira de São Mateus, na cidade de Viseu, conhecer a Igreja Nossa Senhora do Castelo e o Palácio dos Condes de Anadia, ambos em Mangualde. Relembra ainda em Viseu, assim como nos outros concelhos que sofreram com os fogos, existem grandes festividades durante todo o ano.

Joaquim Nicolau
Castelo Branco - Serra da Gardunha

Natural da Serra da Gardunha, Castelo Branco, o ator revela algumas das suas sugestões aos portugueses para fazerem férias na sua terra. Viajar pelas estradas nacionais é a principal. “Recomendo visitar uma coisa que está nas bocas do mundo e que vale a pena ir lá” refere-se à zona de Vila Velha de Rodão, onde passa o Rio Tejo e ficou conhecida pela polémica da poluição no Tejo. Sugere também Idanha-a-Nova e a própria Serra da Gardunha. Apesar de atualmente não residir em Castelo Branco, sempre que visita a Gardunha gosta de passear pela serra com o seu pai. Quanto às palavras de Marcelo, Joaquim congratula o chefe de Estado. “É talvez dos melhores apelos que ele tem feito ultimamente”.