No geral, qual é a formação das pessoas que a procuram?
É muito transversal. Recebo desde a senhora da limpeza até ao presidente do banco. Políticos, cantores…
E foi sempre assim?
Comigo foi. Pessoas de todos os lados. Nunca tive assim [um padrão]… São pessoas! Eu atendo pessoas, não é? Depois de dar a consulta é que fico a perceber quem é que são, por causa do discurso. Só no final é que digo:”Ah, então este é aquele!”. Outras vezes eles dizem-me.
Recebe mais mulheres ou mais homens?
Mais senhoras.
Por que acha que há mais mulheres a procurá-la?
Porque as senhoras vão no lugar dos homens, dos filhos e não sei quê. Vão as mães, as mulheres. Vão perguntar para os outros.
Já lhe aconteceu alguma vez perceber que a pessoa precisava de ir a um médico?
Já, muitas vezes mesmo. Pelo menos mando ir ao médico, posso não indicar a especialidade, porque isso compete ao médico aconselhar. Mas mandar ir ao médico muitas vezes, e aos psiquiatras mando muito. Mas isso eu vejo logo de caras. Qualquer uma de nós com um bocadinho de sensibilidade vê. Não é o que a gente faz umas às outras quando a gente gosta?
Como surgiu a televisão na sua vida?
Foi tudo muito fácil. Bem, não direi foi fácil, mas foi tudo muito de repente. Comecei a escrever para aí por volta dos 50 e poucos anos e comecei a escrever para as maiores editoras, naquele caso para a Impala. Escrevia para a “Maria”, para essas revistas assim que se vendiam mais, e comecei logo a ter muito sucesso na escrita, a verdade é isso. Depois também mandei o meu currículo para a produtora da Teresa Guilherme, ela mandou-me chamar e sou entrevistada pelo Manuel Luís Goucha. Ele gostou de mim e do meu trabalho e então comecei com ele. Depois não saí mais. Fui para a Praça da Alegria, já passei por todas as televisões e agora estou na “SIC”. Aqui é que estou há mais tempo, já sete anos.
Quando começou a fazer televisão, qual sentiu que era a principal diferença entre dar uma consulta na televisão e frente a frente com uma pessoa, qual foi o grande desafio para si?
O grande desafio foi interiorizar que é uma pessoa e que estou a falar só para aquela pessoa, não importa se tenho câmaras ou não. É isso que faço até hoje.
E é fácil fazer isso ouvindo a voz só da pessoa?
Claro. Para o universo não há cá… Somos todos energia, filha. Isto é tudo energia. O que a gente vê… isto é tudo mais do que a gente vê. Então se os telemóveis comunicam de um lado para o outro, imagina nós. Achas que um telemóvel, isto que está aqui, é superior a um ser humano? A gente comunica muito pela voz, até pela presença.
Alguma vez se arrependeu de algum conselho que tenha dado na televisão? Houve uma polémica quando disse a uma senhora que, para não ser traída, tinha que se arranjar bem.
O que acontece é o seguinte: aquilo que as pessoas dizem a meu respeito, eu não tenho nada a ver com isso. Somos responsáveis unicamente por isto que lhe vou dizer: por aquilo que dizemos, por aquilo que fazemos e por aquilo que pensamos. Não temos comando sobre mais nada. Sobre aquilo que o outro vai dizer sobre nós, não temos comando nenhum. Portanto aquilo que as pessoas pensam ou digam, para mim, não é muito… Respeito, claro que sim, mas não é muito significativo. Então se uma pessoa diz que sou santa nesse dia, sou santa, outro se disser noutro dia que sou bruxa, sou bruxa? Não. Sou como a água. Podes olhar para um copo de água e dizer é gin, é aguardente, e a água está-se pouco lixando para a tua opinião. A água é água. E portanto eu sou mais ou menos assim. As pessoas podem dizer o que quiserem sobre mim porque não é sobre mim que elas estão a falar, as pessoas estão a dizer como elas me veem, que é um assunto totalmente diferente. E há muito mal-entendido na vida por causa disso, porque as pessoas não sabem distinguir isto que é básico.
E nunca ficou preocupada ou magoada com os comentários ou não vai procurar o que as pessoas dizem de si?
Eu não, às vezes acho é piada. Não ligo.
Foi sempre assim ou foi criando uma carapaça?
Para já não leio revistas, é raro ver. Vou uma vez por mês ao cabeleireiro e é lá que vejo uma revista ou assim. Mas as pessoas contam-me quando é assim engraçado. Há uma tal de “Maria das Cartas”, também na internet, que fizeram sobre mim. Quando lá vou mato-me a rir. Eu mato-me a rir! Sou fã da Maria das Cartas.
É uma rábula?
É uma coisa que fizeram na internet, já há muitos anos, mas estão atualizados, a malta trabalha! A malta trabalha, vê os meus programas, tudo direitinho para pôr ali.
Já aconteceu uma pessoa a quem tenha dado uma consulta na televisão depois procurá-la fisicamente no seu espaço?
Muitas vezes. Isso acontece muito, normalmente dou as consultas, as pessoas gostam e dizem-me que já tinham tido na televisão. É muito vulgar. Ou levarem filhos, maridos, amigas, isso faz parte do dia-a-dia para mim.
O que é que as pessoas podem encontrar neste livro que seja diferente dos outros que já publicou?
Este livro foi feito muito a pensar nas pessoas que querem mudar a sua vida. Estou sempre a dizer às pessoas: “Quer que a vida mude? Mude você”. Acho uma coisa… Santa Margarida! Então já viu se a vida andasse a mudar ao gosto de cada um? Nós é que temos de mudar de acordo com a vida, não é a vida mudar para nós. E então é fundamental as pessoas fazerem as mudanças que elas acharem que são capazes e precisas na vida delas, e este livro é para ajudar essa mudança. Fiz um livro diferente dos outros, que normalmente têm várias temáticas divididas por sete capítulos. Este fiz com 365 conselhos e é uma espécie de uma agenda onde as pessoas podem dizer “ah, este mês proponho-me a alcançar isto, por isso o que tenho que mudar é...”. É um passo a passo para ajudar as pessoas.
Porquê o tarot e não outro meio dentro do esoterismo? O que a fascinou nas cartas?
É uma boa pergunta mas também não sei responder. Só sei que, quando vi o baralho, achei que era meu. O baralho que tenho, depois cada um interpreta como quiser, eu achei que era meu. É um sentimento, é como tu chegares a um lugar e achares que já lá tinhas estado. Pronto, foi o que aconteceu com este baralho, que é o Visconti-Sforza, que é o baralho mais antigo, mais estudado e mais bonito do mundo e que está guardado em três museus. Mas eu não sabia disso quando o descobri.
Quando se deparou com ele?
Já foi há muitos anos. Primeiro comecei com o de Marselha, que é o que toda a gente usa e que era considerado o mais conhecido, o mais vulgar. E depois deparei-me com este. Não me lembro sinceramente como veio parar à minha mão, já foi há tantos anos. Sei que, quando olhei para ele, achei que era aquele. Deixei o outro e fiquei sempre com este.
Tem algum baralho especial?
Tenho um que anda sempre comigo, mas tenho mais do que um igual. Tenho aquele que anda sempre comigo, que trouxe aqui para as cartinhas, mas depois tenho mais. Tenho um no centro, outro que está guardado mas mais se fizer falta. Já está é muito velhinho, o meu, na televisão vê-se que está muito gasto.
E não se lembra onde o comprou?
Não me lembro, aquilo veio parar à minha mão. Lembro-me foi de o escolher entre os muitos baralhos que tinha. Faço coleção já há muitos anos de baralhos.
Tem quantos?
Não sei, não os contei, mas são mais de cem, à vontade. De todo o lado onde vou trago baralhos, se calhar já tenho a maior coleção de todas. Já trouxe dos EUA, da Holanda, do Brasil. De França trouxe o tarot de Marselha, o mais antigo de que consegui uma cópia. Vou procurar estas preciosidades.
Quando pegamos num guia para 2019 e, dependendo dos guias, encontramos mensagens díspares para os mesmos signos. Porque é que isto acontece, qual é a explicação?
Então é assim: se for sobre Astrologia, desde que seja um bom astrólogo, todos dizem o mesmo. Podem é dizer com palavras diferentes, ok? Porque os planetas são aqueles, e não há muito para dizer. Sobre a Astrologia é aquilo, são 12 signos, e os planetas e essa coisa toda e é aquilo que a gente tem. Agora se for sobre outros métodos, já tem mais a ver com a sensibilidade da pessoa, se bem que eu, no meu caso, associo a Astrologia ao tarot. Porque cada carta do tarot, principalmente cada carta de cada signo, está ligada a um planeta e então, como estudo muito, tenho esta facilidade de juntar tudo. Portanto os meus signos muitas vezes não são assim muito díspares. Agora realmente que há [diferenças], há, mas é de acordo com a interpretação de cada um.
Já tem a agenda cheia para 2019? As pessoas têm de esperar muito?
Não têm que esperar muito porque não faço agendas com muita antecedência. Se fizesse com muita antecedência tinha uma agenda já cheia até morrer.
Está a falar a sério?
Sim. Tenho 400 mil seguidores, faz ideia do que isso dá em clientes? Dá um catilhão e eu não posso fazer agendas assim. Por isso as pessoas vão ligando e, à medida que vão ligando, vou fazendo. Hoje deu para atender, atendo. É de uma semana para a outra, não faço mais do que isso. Só se por acaso for viajar ou fazer alguma coisa. Normalmente é dentro de uma semana, duas, três, é dentro disto.
Qual é o seu conselho, de uma forma muito generalista, para 2019?
Acho que o conselho para qualquer pessoa, para qualquer ano, é, sinceramente, a pessoa pensar no que quer da vida. A maioria das pessoas nem pensa nisso, no que quer da vida realmente. E depois ir atrás, todos os dias, e vai conseguir aquilo que quer, seja o que for.