24/09/2018
 

FERNANDO CORREIA

'TENTO QUE O PRESIDENTE NÃO FALE E QUE PRESIDA ÀS COISAS A QUE TEM DE PRESIDIR'

                TEXTO | Sónia Peres Pinto
FOTOGRAFIA | Bruno Gonçalves


O jornalista aceitou o cargo de porta-voz de Bruno de Carvalho com a missão de criar estabilidade no Sporting e resguardar o presidente para que ele se dedique àquilo que precisa de fazer: gerir o clube, e não falar

Fernando Correia abre as páginas da sua vida e conta como ingressou na carreira de jornalista, apesar de o seu sonho ser seguir medicina. De 60 anos de carreira ainda guarda com alguma amargura a forma como foi saneado da rádio após o 25 de Abril, apenas por desempenhar as suas funções durante o anterior regime. É o “pai” dos debates desportivos, mas descarta qualquer responsabilidade na forma como as televisões replicaram este modelo, apostando em insultos e quase em agressões. Quanto ao seu novo cargo no Sporting, Fernando Correia admite que já foi insultado na rua e há quem considere que está a cometer um grande crime por tentar unir o Sporting. Para o jornalista, essas pessoas querem é a divisão e a instabilidade do clube leonino.

Lançou agora a sua autobiografia “O que Eu Sei de Mim”. Sentiu essa necessidade?

Não senti nenhuma necessidade. Foi uma teimosia do meu editor, uma boa teimosia. Dou-me muito bem com ele, que é o Manuel Fonseca, trabalhou na SIC e tem agora a editora Guerra & Paz. Esse pedido veio na sequência de vários livros que escrevi e foi quando ele me disse que tinha chegado a altura de escrever o meu próprio livro, porque considera que as pessoas devem escrever sobre si próprias porque, se for outro a escrever, não é a mesma coisa. Aceitei o desafio e resolvi escrever sobre o que sei de mim e é por isso que o livro se chama assim. Mas admito que escrevi pressionado, no bom sentido, pelo meu editor. 

Que balanço faz destes 60 anos de carreira?

É um balanço necessariamente muito positivo porque atingi coisas muito bonitas. Nunca pensei em ser jornalista nem homem da bola, até pelo contrário, a minha paixão desde que me lembro era ser médico, e tentei tudo. Fiz o exame de admissão à universidade, fui aprovado, mas quando ia para entrar para o primeiro ano tive um problema familiar que veio retratado no livro, pois não escondi que foi a separação dos meus pais. Nessa altura tive de resolver um problema grave que era arranjar forma de ajudar a minha mãe a viver, ou a sobreviver. Fui trabalhar, tive de arranjar um emprego à pressa e, nessa altura, não havia cursos de Medicina à noite. Fiquei impedido de fazer aquilo que gostaria de fazer. 

Tem pena de não ter seguido medicina?

Tenho muita pena, embora a carreira de jornalista seja muito digna e bonita. Sempre tive uma grande atração pela medicina desde miúdo. Em criança, juntamente com colegas meus, fizemos várias intervenções cirúrgicas a animais, estragámos algumas lagartixas para tentar ver o que havia ali por dentro. Nessa altura, como só podia estudar à noite porque durante o dia tinha aqueles empregos horríveis de entrar às 9h e sair às 5h ou às 6h da tarde, e que eram contra a minha maneira de ser, fui estudar aquilo que se podia estudar nesse horário, que era línguas. Estudei inglês, francês, e a minha vida modificou-se quando concluí o curso de Inglês porque fui para Inglaterra com uma bolsa de estudo. Fiquei muito feliz da minha vida. Nessa altura, a minha mãe já tinha arranjado um outro senhor e tive a oportunidade de viver em Inglaterra e de conhecer outros costumes, tanto que estava numa idade gira para perceber o mundo. É preciso lembrar que, na época, tínhamos Salazar a mandar em Portugal e estávamos aqui como que de pés e mãos atados. Ir para fora e conhecer outro mundo foi algo que despertou em mim toda a minha consciência. Acho que isso foi determinante para a alteração da minha vida.

Como é que entra na comunicação social?

Quando voltei para Portugal tentei arranjar uma forma de preencher o tempo e havia uma coisa chamada Comissão Reguladora do Comércio de Algodão em Rama, na Rua Castilho, que era uma dependência do Ministério da Economia, e fui para lá. Mas como uns colegas achavam que tinha muito jeito para a locução, porque tinha apresentado várias festas, e souberam que tinha aberto um concurso para locutores do então Secretariado Nacional de Informação, que era, no fundo, a censura, o lápis azul – o nome era só uma fachada, mas eu não sabia –, concorri e fiquei qualificado. Fizemos durante uns meses alguns noticiários e teatro radiofónico em diversos postos amadores. Entretanto surgiu um concurso para a Emissora Nacional, concorri e fiquei.

FUI SANEADO POR TER FEITO A REPORTAGEM SOBRE A INAUGURAÇÃO DA PONTE SOBRE O TEJO

E esteve lá muitos anos…

Entrei em 1958, numa altura em que a televisão estava a começar em Portugal, e saí em 1975. Em 74 ocorreu o 25 de Abril e surgiram alguns problemas. Fui depois para o Rádio Clube Português até abrir a TSF, para onde fui a convite de Emídio Rangel. Emídio Rangel entrou na rádio depois de vir de Angola por minha causa, pois deram-me a tarefa de fazer um pequeno exame a várias pessoas que tinham chegado de Angola com experiência em rádio para ver se serviam. Uma dessas pessoas era o Emídio Rangel. Realmente, o mundo é muito pequeno. Tenho muita pena que não esteja entre nós, era um excelente profissional. 

Disse que saiu da Emissora Nacional por ter tido problemas. Que problemas foram esses?

Trabalhar na Emissora Nacional, que era a voz do Estado durante o período do fascismo e com Salazar no poder, era muito complicado. E, nesse período, como tinha jeito para fazer reportagens, fui mandado para Angola para fazer reportagens da guerra colonial durante três ou quatro meses. Fiz também reportagens da partida dos soldados para as colónias e da chegada dos barcos com muitos soldados que regressavam das suas missões e com muitos mortos. Fiz também reportagens das visitas de Américo Tomás e de Marcelo Caetano, quando tomou conta do poder. Após o 25 de Abril, alguns dos meus amigos da rádio, muitos deles técnicos, formaram uma comissão de trabalhadores e, ao mesmo tempo, criaram uma comissão de saneamento de pessoas que tinham trabalhado para aquilo que achavam que era o antigo regime. Como fiz, por exemplo, a reportagem da inauguração da ponte sobre o Tejo – na altura, Ponte Salazar e, depois, Ponte 25 de Abril –, entenderam que fazia parte do grupo de pessoas que não deviam continuar na rádio porque consideraram que tinha colaborado com o regime anterior, e fui saneado. O capitão de Abril que estava à frente da Emissora Nacional chamou-me e disse: “Fernando, sabemos quem tu és, o quanto trabalhaste na clandestinidade – era já membro de um partido político de esquerda –, os teus colegas estão a ser injustos contigo, mas não quero de forma alguma contradizê-los porque só agora é que cheguei à rádio.” Sugeriu-me ir para casa durante três meses, pagavam-me na mesma ordenado, sob a promessa de regressar quando estivesse tudo mais calmo. Não aceitei, vim-me embora porque não queria olhar para aqueles tipos. Eles sabiam perfeitamente quem eu era, como eu também sabia quem eles eram. Não fugi antes do 25 de Abril porque não tinha dinheiro, o meu pai foi preso pela PIDE, não fazia sentido ter sido saneado. Saí, cheguei ao pé da minha companheira e disse que estava desempregado. Mas estive desempregado uma meia hora porque, logo a seguir, o telefone tocou e era do Rádio Clube Português a convidarem-me para ir para lá. Comecei no dia seguinte, fui a convite de uma pessoa que já morreu, que era o Matos Maia, e do António Miguel.

A sua saída da Emissora Nacional deixou-o amargurado?

Fiquei amargurado, triste e, acima de tudo, revoltado. Tinha a consciência absoluta de que tinha desempenhado apenas a minha função, não fui conivente com coisa nenhuma. Fui para Angola relatar a guerra colonial e relatei tudo o que vi e, por isso, muitas das minhas reportagens foram censuradas em Lisboa, mas eu não sabia. Por exemplo, fui com Américo Tomás ao Brasil levar os ossos de D. Pedro, uma viagem completamente ridícula, mas descrevi tudo o que aconteceu. O mesmo aconteceu quando fui com Marcelo Caetano a Londres e descrevi que tinha sido agredido na rua com tomates e ovos por portugueses que lá viviam e eram contra o regime. Descrevi tudo isso, se eles cortaram em Lisboa já não era da minha responsabilidade. A minha obrigação era fazer as reportagens da melhor forma que podia e sabia. E tive de suportar tudo isso porque não tinha dinheiro para fugir do país como muitos fizeram. Mário Soares foi embora, Manuel Alegre também, mas eu não podia ir porque não tinha dinheiro.
No livro refere que vem de famílias humildes…

Exatamente. Mas sempre tive a preocupação de fazer jornalismo e, nessa altura, não fazia relatos de futebol, nem sequer sabia como é que eram feitos. Só em 1965/66, depois de regressar de Angola e de fazer todas aquelas reportagens das partidas e das chegadas dos barcos, com aquele drama todo, com as mortes e com as famílias agarradas aos caixões, decidi que não queria fazer mais aquilo. Fui ter com Artur Agostinho, tinha sido ele a dar-me o estágio para locutor, e disse que não queria fazer mais aquelas reportagens. Sugeri que me pusessem a ler noticiários ou a fazer serões para trabalhadores porque entendi que não estava no meu sangue nem no meu espírito continuar daquela forma. Foi quando Artur Agostinho me sugeriu fazer futebol. Nunca tinha feito futebol. Já era sócio do Sporting e comecei a fazer experiências de relatos em Alvalade no antigo estádio, para uma máquina de gravar. Fazia os relatos e entregava-os ao Artur Agostinho, não sei se alguma vez os ouviu. Mas conhecia-me muito bem e achava que, se eu queria, eu era capaz. Foi aí que comecei a fazer futebol e isso alterou completamente a minha vida. 

A partir daí nunca mais voltou às outras notícias?

Ainda houve um período em que fazia as duas coisas. Pagavam-me à parte o futebol porque era feito nas minhas folgas, ao sábado ou ao domingo. Recebia um cachet para fazer futebol porque consideravam que essa não era a minha obrigação e, na verdade, não era, porque não podia trabalhar sete dias na semana, ainda por cima sendo funcionário público. Já depois do 25 de Abril, o Igrejas Caeiro, já como presidente da Emissora, que era do Partido Socialista e um lutador antifascista, resolveu retirar-me da programação normal – na altura tinha um programa que se chamava “Dimensão 3” – e pôs-me como editor do desporto. E fiquei assim até hoje, e já passei por várias estações de rádio. No Rádio Clube fiz o programa “Dimensão 4”, eram quatro horas de emissão, mais os relatos de futebol, e, quando este acaba e começa a Rádio Comercial, fiquei só na área desportiva.

Entretanto vai para a TSF e no livro diz que sai amargurado porque bastava terem-lhe dito um “obrigado”… 

Vou para a TSF em 1990 e a minha saída foi muito má. Saí muito triste. Na altura, o diretor era José Fragoso, um jovem que tinha estagiado na rádio quando eu já lá estava, era um miúdo que tinha aprendido alguma coisa comigo e me respeitava muito. Mas depois, com as alterações que foram feitas – o Rangel tinha ido para a SIC, o David Borges também tinha saído –, José Fragoso assume as funções de diretor quando a TSF já estava descaracterizada e já pertencia a Joaquim Oliveira, da Olivedesportos. Nessa altura tinham--me convidado para ser diretor de um diário desportivo gratuito, chamava-se “Diário Desportivo”, e aceitei o cargo. É aí que José Fragoso teve uma reunião comigo num bar de um hotel para me pôr na rua. Vim a saber mais tarde que tinha sido uma ordem de Joaquim Oliveira.

Qual foi a justificação?

Que não podia ser diretor de um diário desportivo gratuito ao mesmo tempo que era trabalhador da TSF. Percebi depois que Joaquim Oliveira estava com receio que fizesse concorrência ao jornal “O Jogo”, que também era dele. Acho que a minha saída não fez sentido nenhum, mas não tinham passado 24 horas quando me ligaram a convidar para ir para o novo Rádio Clube Português, já pelas mãos da Prisa. Infelizmente, não teve êxito, mas estive lá durante o tempo todo que existiu. Durante um ano fiz o programa que tinha na rádio, ao mesmo tempo que fazia na TVI. Foi a primeira vez que se fez rádio e televisão juntas. Era o programa “Lugar Cativo”. Depois, o Rádio Clube acabou e fiquei na TVI, onde estou até hoje. Mesmo agora, com a minha participação suspensa, continuo a ser da TVI. 

Apesar de alguns sobressaltos, nunca esteve desempregado mais do que 24 horas?

Não, felizmente tive essa sorte, e se foram 24 horas foi muito. O mais certo foi ter ficado desempregado no máximo 12 horas, o que é bom para mim porque, de alguma forma, compensa os desgostos que tive ou que fui tendo ao longo da minha vida. Mas isso também faz parte: agora que sou um homem com mais idade e mais ponderado, percebo que existiu em mim uma revolta em determinada altura, mas que entretanto deixou de existir. Agora sinto mais amor fraterno com essas pessoas do que revolta. Isso vem com a idade e também com as experiências, com as amarguras e com os ensinamentos da própria da vida. A vida ensinou-me muito e o problema familiar que tive recentemente com a mãe das minhas filhas, que tem a doença de Alzheimer, modificou por completo a minha vida. Percebi que há uma outra vida que não sabia que existia. A mãe das minhas filhas sofre com esta doença há 14 anos, está internada há cinco ou seis anos e não sabe quem é.

FUI DESPEDIDO DA TSF NUM BAR DE HOTEL. SOUBE MAIS TARDE QUE FOI POR ORDEM DE JOAQUIM OLIVEIRA

Um dos seus outros livros fala nisso…

Sim. É o “Piso 3, Quarto 313”. Percebi que tem de haver outra vida e não estou a ser místico nem a tentar ir para outros planos mais complicados. Estou só a dizer que, de facto, vejo que a vida que ela tem não é igual à minha. Ela está viva, o coração bate, mas não tem cérebro. E o não ter cérebro o que quer dizer? Quer dizer que estará num outro sítio qualquer que não conheço. Ela não me compreende, não fala comigo, provavelmente não me ouve ou, pelo menos, não tem nenhuma reação que indique isso, mas está viva. 

Não tem nenhum momento de lucidez?

Não. Quando foi internada, tinha – aliás, foi internada para que a recuperação cognitiva se verificasse. Só que isso não aconteceu, a doença já estava tão avançada que não foi possível. Quando foi internada, tinha a certeza que não iria ficar como era anteriormente, mas tinha esperança que estancasse. E tinha esperança que, com mais ou menos dificuldade, conseguisse fazer uma vida caseira, mesmo que fosse condicionada. Mas não foi possível e a tendência foi agravar-se, como se verificou. Não estancou, evoluiu, evoluiu até este momento em que não tem nenhum tipo de reação. É como se não estivesse cá, a vida dela é outra coisa qualquer e que eu não sei o que é. 

Disse recentemente que já estava habituado ao seu estado de saúde, mas ainda não estava conformado…

Nenhum de nós está conformado com essas coisas porque há sempre a esperança que aconteça qualquer coisa. Nem que se descubra um medicamento que reverta tudo isto ou que haja uma transformação orgânica que não sabemos qual e que a pessoa, por si só,, consiga sair daquele estado. No fundo, é uma esperança que mantém as pessoas vivas. Se não fosse isso era muito mais complicado entender, perceber ou estar na vida. Quando vamos à casa de saúde visitá-la há sempre uma festa, um carinho, não sei se ela dá por isso ou não. Mas sabemos que ela ainda está ali, aquele corpo ainda tem vida e o coração ainda bate. Não controla coisa nenhuma, está totalmente dependente e, às vezes, quando se aperta a mão dela, ela reage e aperta também a mão. Dá a ideia que ela quer segurar-se a qualquer coisa e que é o seu elo de ligação com a vida exterior. 

Numa altura em que a eutanásia está tanto na ordem do dia, concorda que fosse aplicada para este tipo de casos?

Já coloquei várias vezes essa pergunta a mim próprio e a resposta é sempre a mesma. Se a pessoa não está em condições de decidir, acho que não devemos ser nós a decidir por ela. Mas admito completamente que uma pessoa lúcida que esteja, por exemplo, tetraplégica, que não mexa nada, apenas a cabeça, e se decidir que não quer continuar assim então, aí, a morte assistida faz todo o sentido. Se for eu decidir, o ónus da culpa é meu porque nunca se sabe se aquele corpo, por alguma razão misteriosa, pode voltar a ter vida. Não quero ser assassino, mas se a pessoa tiver capacidade e lucidez para decidir, então, para mim, a morte assistida faz todo o sentido. 

Mas os deputados não acharam o mesmo…

Não me quero meter muito nisso porque essas coisas são tão fortes, tão violentas e tão duras que devem ser decididas pela consciência de cada um. A mim causa-me alguma dúvida, até alguma repugnância, e faz-me parar se tivesse de ser eu dar a ordem para fazerem isso à mãe das minhas filhas. Agora, se ela tivesse capacidade para decidir, aceitaria isso perfeitamente. Se algum dia estiver numa situação idêntica ou com um cancro irreversível com dores horrorosas, mas que a minha cabeça estivesse boa, poderia perfeitamente decidir que queria que a minha vida acabasse aí. Quero e ninguém me pode impedir disso mas, pelos vistos, não deixam e querem que se continue a sofrer.
Mas quem tem dinheiro pode fazer isso, basta ir para outro país…
Exato, mas é pena que Portugal não tenha essa liberdade e poder intelectual e humano para o fazer, porque isto é um ato de humanismo. 

Acha que deveria ser feito um referendo?

Sem dúvida nenhuma, mas também tenho medo que a população portuguesa não esteja muito preparada para isso. Vejo coisas verdadeiramente irracionais. Não sei se é por sermos portugueses, se é por sermos latinos, se é uma questão rácica ou se é uma questão de mistura de sangue dos povos dos quais descendemos, mas o português é de extremos. Ou está de acordo com aquilo que se diz ou está completamente contra e comete atos irracionais, e isso vê-se em cada passo e em cada decisão. E com esta questão da eutanásia também se viu isso. Se fizéssemos um referendo, de certeza que a Igreja Católica iria dizer nas aldeias que só Deus é que pode tirar a vida, quando sabemos perfeitamente que não é assim. Mesmo que tenhamos alguma admiração e algum sentimento de gratidão pelo facto de existirmos, não podemos refugiar-nos em Deus e dizer que Deus é que resolve tudo. Deus não resolve. É como uma pessoa ir pedir à Nossa Senhora de Fátima para o Sporting ou o Benfica ser campeão – ela nem gosta de futebol. 

Tem cinco filhos e dez netos…

Já são 11 porque nasceu uma menina depois de ter terminado o livro. Nesta altura é uma equipa de futebol. Tenho filhos de dois casamentos. Do primeiro tenho dois filhos e do segundo tenho três filhos. Um parêntese muito engraçado: tenho um neto de dez anos que é benfiquista como o pai e joga no Sporting. O pai assinou agora um contrato porque ele tem a categoria de benjamim A ou B e é engraçado ver isso, porque é um benfiquista equipado à Sporting porque o pai reconhece que a formação é boa no Sporting e, como tal, puseram-no lá a jogar. Mas ele continua a dizer ao treinador que é do Benfica.

Algum dos seus filhos não é sportinguista?

Não. São todos sportinguistas.

Passou também por quatro “casamentos”… 

É verdade. Não estou arrependido de nenhum deles, foram fases da minha vida. 

Apesar de já ter 60 anos de carreira, Fernando Correia nunca pensou ser jornalista. Queria ser médico mas, quando ia entrar na universidade, foi obrigado a desistir para ir trabalhar, por causa da separação dos pais. Trabalhou muitos anos na Emissora Nacional no tempo da ditadura e ainda sente alguma revolta por ter sido saneado após o 25 de Abril apenas por ter cumprido as suas funções

Voltando ao desporto. Na TSF foi responsável por um programa mítico que é a “Bancada Central”. Sente-se responsável por ter sido um dos fundadores dos programas de comentário desportivo? 

Esse programa foi algo que me deixou muito feliz. Foi lançado numa época em que era preciso dar uma espécie de chicotada às pessoas e, sobretudo, dar voz a essas pessoas. Embora vivêssemos numa época de liberdade, ninguém se tinha lembrado de fazer um programa desportivo que permitisse às pessoas darem a sua opinião. Fizemos a “Bancada Central” exatamente para isso: lançávamos um tema com um convidado e depois abria-se a antena aos ouvintes para participarem. Esse programa teve um êxito verdadeiramente extraordinário, ultrapassou tudo o que imaginávamos. Até os próprios ouvintes se organizavam em grupos de apoio e depois reuniam-se em almoços, jantares e em jogos de futebol, sendo eles de vários clubes. Aí está, mais uma missão altruísta que penso que tenho de desempenhar na Terra, que é unir as pessoas e tentar fazer perceber a essas pessoas que existem coisas muito mais importantes do que o futebol. O desporto é ótimo de uma forma geral, mas é muitas vezes levado ao extremo, em Portugal e não só, em quase todos os países latinos. Veja-se a América Latina, onde se matam por causa do futebol. Isso não pode acontecer. As pessoas têm de ter consciência que é apenas um jogo em que jogam 11 contra 11 e com jogadores que geralmente são muito bem pagos, e nós estamos na bancada a chamar nomes aos árbitros, aos jogadores, e a fazer guerras entre nós por causa de uma coisa que tem 90 minutos. As emoções devem durar apenas aquele tempo. Mas isso não acontece em Portugal, e depois é alimentado por três jornais desportivos num país pequeníssimo como o nosso e pela intoxicação permanente das televisões e da rádio, que só falam em futebol, futebol. Discute-se futebol de manhã à noite nas televisões: há fóruns, há comentadores e mais não sei o quê. E a pessoa que está em casa não tem quase mais nenhuma opção. Eu tenho opção, simplesmente não vejo. Sei aquilo que quero e, por isso, não vejo. É uma intoxicação permanente, e isso não é inteligente. As pessoas têm de ter outras preocupações que não sejam só o futebol. 

Mas sente que as televisões copiaram a “Bancada Central” ao extremo?

Mas o modelo que trouxe para a rádio, e também fui eu que lancei os debates entre adeptos do Sporting, do Benfica e do Porto, era inteligente, tanto que eram jornalistas que assumiam esse papel. Esses três jornalistas tinham uma conversa muito inteligente e muito produtiva, mas a ideia foi adulterada e as televisões começaram a arranjar comentadores belicistas a defender quase de arma em punho o seu clube. A intenção não era essa, era discutir o futebol, o que estava bem e o que estava mal. E esses três jornalistas faziam isso muito bem e a “Bancada Central” tinha um limite, que era o da decência e da boa educação. Quando esse limite era ultrapassado cortava-se, tanto que tinha esse poder porque tinha o microfone na mão. Disse algumas vezes: “Desculpe, mas essa linguagem não entra aqui.” Agora não tenho culpa nenhuma que esse projeto tenha sido adaptado pelas televisões da forma como vemos agora. É inimaginável ouvir um programa onde as pessoas se insultam, comentadores que vieram não sei de onde se insultam e fazem coisas inacreditáveis. Vejo pessoas com formação académica também metidas nisso, isso dói muito. E é de futebol profissional que estamos a falar, não é de desporto, o que é muito pior. Ninguém se lembra do voleibol, do básquete, da ginástica nem do atletismo ou do ciclismo, é só sobre futebol profissional e são os tais que ganham milhões. Um jogador, quando acaba o jogo vai-se embora, cheio de dinheiro, e nós continuamos a discutir – nós não, porque eu não entro nisso. O pateta do adepto é que continua a discutir. 

Mas são programas que são campeões de audiências ….

Há um grande défice cultural em Portugal, disso não tenho dúvidas. E esse défice cultural leva quase ao défice democrático. Aquilo que se vê nas televisões, nas discussões entre pessoas de clubes diferentes, revela que não existe democracia no futebol. Pode existir qualquer coisa, mas não é nada democrático. É como se, “não és do meu clube, não estás do meu lado, então és meu inimigo”. Se isso se verificasse na Assembleia da República entre os deputados, não haveria hipótese nenhuma. Temos de ultrapassar isto e discutir as coisas com elevação. Posso perfeitamente ter ideias diferentes em relação a outra pessoa, ainda bem que tenho, mas tenho é de discutir com elevação. No fundo, esses programas deveriam servir para discutir ideias, não para discutir o resto, se foi penálti ou se não foi penálti, e repete-se essa imagem 20 vezes para tentar perceber se houve mão ou se não houve mão, ou se a mão é intencional ou não. O que é que isso me interessa? Para mim, o jogo acabou assim que o árbitro apitou, não entro em discussões depois disso.

Acha que este tipo de programas contribuem para as “guerras” que se vivem fora dos estádios?

A partir do momento em que uma televisão faz isso, as outras copiam, e é evidente que elas incendeiam quem vê e quem ouve. É o tal défice cultural: se houvesse uma cultura de base – e estou a falar de educação, de instrução e de cultura, que é uma coisa que falta em Portugal –, nada disto aconteceria. No outro dia, na rua, um individuo mais velho que eu insultou-me gratuitamente por ser porta-voz de Bruno de Carvalho. Parei e perguntei qual era o mal e se fazia mal tentar unir as pessoas que estão desunidas. Respondeu-me que não, mas acusou-me de estar lá por causa dos cifrões. Isto não tem importância nenhuma para mim, mas também lhe digo que ao aceitar este cargo apaziguador perco dinheiro em relação ao que ganhava mensalmente. Mas ganho outra coisa, que é esta capacidade de tentar remar contra a maré. 

Foi por isso que aceitou o cargo de porta-voz?

Sim, sou sócio 211 do Sporting, vou receber o emblema de platina no próximo ano e sinto que tenho obrigação de fazer alguma coisa pela paz do meu clube. Não sou sócio para insultar.

E acha que vai criar inimizades por isso?

Claro. Já me dizem como é que fui fazer isso quando me respeitavam tanto e acham que estou a cometer um grande crime que é o de tentar unir o Sporting. Para eles é um crime porque o que eles querem é a divisão, é a separação. Isto é inteligente? Não é. O presidente foi eleito com 90 e tal por cento de votos, quase 100%, tem legitimidade absoluta para dirigir o clube durante o seu mandato e quando terminar há novas eleições, e aí pode ir para a rua ou não. Se durante o seu mandato se portar mal, pode-se pedir uma assembleia-geral para analisar os factos, e na vida democrática é isso que se faz. Agora fazer isto de graça e dizer apenas “agora não gosto de ti e, por isso, vou pôr-te na rua porque escreveste no Facebook uma coisa de que não gostei” não faz qualquer sentido. Eu posso aconselhar a que não se escreva no Facebook, pois o Facebook é uma arma terrível. Eu posso aconselhar que a pessoa use ou não use gravata, posso aconselhar que a pessoa se cale ou que olhe de outra forma para as pessoas. A imagem é muito importante e é cada vez mais importante. Posso aconselhar que as pessoas não sejam como o Donald Trump, mas há uma coisa que não consigo fazer: é dizer aos outros que têm de olhar para essa pessoa da forma como acho que devem olhar. Primeiro, com respeito e, depois, se não estão de acordo, utilizar os meios próprios para tentarem resolver a questão. Se é uma questão de destituição, então que se faça uma assembleia-geral para discutir isso, mas com bases sérias. Não posso dizer que vou fazer uma Assembleia para destituir este senhor porque não gosto da cara dele ou porque no outro dia disse uma palavra de que não gostei. Não posso, isso nem sequer é lógico, nem faz sentido. 

O jornalista responsabiliza os programas desportivos por incendiarem o ambiente que se vive fora dos estádios. Para Fernando Correia, não faz sentido alimentar “guerras” porque não são os adeptos que ganham os milhões

E acha que já está a conseguir acalmar os ânimos dos sócios?

Ainda estou há pouco tempo. O que tento fazer é que o presidente não fale e que presida às coisas que tem de presidir e que resolva as coisas que tem de resolver. E eu falo por ele, não tenho problema nenhum com isso. Aliás, esse tipo de postura é comum internacionalmente: qualquer pessoa que desempenhe um cargo com uma determinada importância ou com determinado relevo tem sempre uma equipa ao lado dele que o ajuda a transmitir a sua mensagem. Nem é preciso chegar a presidente da República para existir esse tipo de funções. Neste caso específico do Sporting, acho que o presidente da SAD – cotada em bolsa e, às vezes, as pessoas esquecem-se disso, com obrigações perante a CMVM e perante os acionistas – e o presidente do conselho diretivo, que por acaso é o mesmo, tem de ter um comportamento de acordo com o cargo que desempenha. Como tal, tem de falar nos sítios em que tem de falar e sobre casos que tem de falar; o resto deixa para as outras pessoas.

E Bruno de Carvalho tem ouvido os seus conselhos?

Pediu-me para ir trabalhar com ele para que o pudesse aconselhar. E chegou ao ponto de me dizer que, se achasse que estava mal, para o corrigir. Para mim, isso é uma prova de humildade. Oxalá que isso se mantenha. 

Não hesitou em aceitar o cargo?

Não hesitei porque alguém tinha de fazer alguma coisa para a pacificação do clube. Se ninguém é capaz de fazer, eu vou tentar. Não quer dizer que seja capaz mas, pelo menos, vou tentar. 

Impôs algum limite até onde podia ir?

A assembleia-geral que suponho que se vá realizar vai certamente determinar o futuro deste conselho diretivo. E, aí, ou sai ou reforça a sua posição. Penso que é isso que vai acontecer porque não há razões para afastar o conselho diretivo ou a administração de uma SAD de um clube ganhador que tem 55 modalidades e ganha praticamente em todas e é campeão. Foi este conselho que construiu o pavilhão que o Sporting não tinha e é o mais moderno de Portugal. Falhou no futebol profissional, é verdade, mas o futebol profissional é tudo num clube? Se é tudo num clube, então, naturalmente, as pessoas não o querem e aí têm de arranjar um milionário que contrate jogadores ao nível de Cristiano Ronaldo ou do Ibrahimovic, que já não joga – enfim, jogadores fora de série. Então, aí, o Sporting é capaz de voltar a ser campeão, mas tem de ser campeão com equilíbrio financeiro, não pode ser à toa. Se os sócios só veem futebol profissional, então têm de fazer a seguinte pergunta: o Sporting falhou este ano o objetivo que tinha, que era ficar no primeiro lugar, também falhou o objetivo de ser o segundo classificado, mas porque é que falhou? Falhou porque na penúltima jornada empatou em casa com o Benfica; se tivesse ganhado, ficava como segundo classificado. Teve mais uma hipótese e, na última jornada, perdeu na Madeira. Então mas é o presidente que tem a culpa? O presidente nem joga à bola. 

Mas acusam-no de ter criado instabilidade na equipa…

Qual instabilidade? Em que aspeto? No post que escreveu no Facebook quando o Sporting perdeu com o Atlético de Madrid na Liga Europa? Mas isso cria instabilidade em pessoas que ganham milhões? Se estivesse lá na altura, tê-lo-ia aconselhado a não escrever. Mas o que aconteceu na academia não foi responsabilidade dele, não foi ele que ordenou esses ataques. Aliás, essa foi uma questão que lhe coloquei diretamente porque, se tivesse sido, então ter-me-ia ido embora imediatamente. Disse-lhe diretamente que só aceitava o cargo se não tivesse tido qualquer responsabilidade no que aconteceu. Respondeu-me de imediato que não.

E apresentou provas em como não foi o responsável?

Sim. 

Quais provas?

Na polícia não existe o nome dele, nenhuma das pessoas detidas referiu o nome dele. Agora, há uma coisa que posso garantir: se se viesse a provar que alguma destas coisas aconteceram de facto, vou-me embora, e ele sabe disso porque já o disse diretamente. 

Como sportinguista, como viu os ataques na academia?

Sou sportinguista desde nascença, foi o meu pai que me fez sócio e, por respeito a ele, nunca pensei em mudar de clube. Fui diretor do jornal do Sporting durante 18 anos e trabalhava ao mesmo tempo na TSF e, nessa altura, nunca ninguém me disse nada. É engraçado, dizem-me com alguma frequência “o senhor é do Sporting mas é boa pessoa”, como se houvesse algum tipo de relação ou como se dissessem a alguém que é do Benfica mas é boa pessoa. Por amor de Deus, a pessoa é boa ou má independentemente de ser do Sporting ou do Benfica. Vi o que aconteceu na academia com muita apreensão, uma coisa que não faz sentido. Foi um ato terrorista e desde a primeira hora que disse que esses indivíduos têm de ser punidos. Têm de ir a julgamento, claro, mas a sentença tem de ser exemplar. Não posso admitir que um filho meu vá participar numa coisa dessas. E sei de vários pais que estão angustiados porque os seus filhos estão lá metidos.

Mas nem todos os agressores eram sócios…

Alguns não eram, mas também não querem saber porque esta questão de massas é muito complexa. Se quatro ou cinco disserem alguma coisa e a esses quatro ou cinco se juntarem mais uns 40, é quase impossível impedir que não aconteça alguma desgraça porque há sempre pessoas infiltradas, o que é normal. Não devia ser normal, mas há sempre pessoas infiltradas que pertencem a outros clubes, a outras seitas religiosas ou a outra coisa qualquer. E vão porque acham que é fundamental espalhar a confusão. E ficaram detidos apenas 23, mas eles eram uns 50 ou mais, e os outros, onde é que estão?

NÃO SEI SE AQUELE ASSALTO TERRORISTA À ACADEMIA É MOTIVO PARA RESCINDIR POR JUSTA CAUSA

O que espera da próxima época, com a ameaça de alguns jogadores rescindirem com o clube?

Estou apreensivo, mas confio em Augusto Inácio, que é o novo diretor do futebol do Sporting e é um homem que foi campeão pelo Sporting e foi o campeão que mais marcou o clube, porque já foi neste novo século. O Sporting já habituou, infelizmente, os seus adeptos a ser campeão só de vez em quando, quando devia lutar para ser campeão sempre. Mas essa questão dos jogadores quererem sair tem muito que se lhe diga. É complicado, não sei sinceramente se há razão para saírem por justa causa ou não, e estou a dizer-lhe isto com toda a honestidade jornalística. Não sei se aquele assalto terrorista à academia é motivo para rescindir por justa causa. Atos de terrorismo podem acontecer em qualquer parte do mundo. Percebo que os jogadores tenham ficado traumatizados, também ficaria, mas daí até dizer que o Sporting é que tem a culpa e, por isso, querem ir-se embora vai uma distância grande. Tem de ser provado em tribunal e tem de ser provado com bases sólidas para que haja motivo de rescisão por justa causa. Não acredito que seja muito fácil resolver este problema. E há muitos jogadores, embora a opinião pública seja muitas vezes intoxicada – e passa o boato que x jogador já se demitiu e que o outro se vai demitir e o outro também –, que não querem fazer isso. Pode ser que ainda venha a acontecer mas, neste momento, ninguém pediu rescisão. Uma coisa é rescisão por justa causa, outra é sair do clube. É o caso de uma venda que já estava prevista e, como tal, vende-se o passe do jogador porque este quer ir, por exemplo, para o Nápoles. É o que acontece com Rui Patrício, que já tem um acordo para ir para o Nápoles e, se este clube pagar, tudo bem. Tenho muita pena que ele vá e o mesmo pode acontecer com outro jogador qualquer. Agora, dizer que tem motivos para rescindir por justa causa é complicado.

Mas estamos a falar de jogadores que já queriam ter saído do Sporting na época passada…

Sim, já se falava muito de Rui Patrício, de William Carvalho e de Gelson Martins. Mas, por aquilo que Augusto Inácio tem recolhido ao falar diretamente com os jogadores, duvido que isso venha a acontecer. É evidente que uma assembleia-geral em junho pode ser efervescente, mesmo considerando que o atual conselho diretivo tenha tudo para continuar e que tenha base de apoio suficiente para continuar. Pelo menos, é essa a minha perspetiva, por tudo aquilo que tenho ouvido e por aquilo que as pessoas têm falado comigo. Ainda assim, vai ter dificuldades em preparar a nova época porque está a trabalhar um pouco num arame, não sabe o que vai acontecer. E se não continuar?

Terão de ser convocadas novas eleições…

Sim, e isso pode atrasar o processo de constituição da nova equipa de futebol, não atrasa o resto. Porque, neste momento, já estão a ser feitas novas contratações para o andebol, para o voleibol. Mas as pessoas só ficam contentes com o futebol profissional, mas então porque é que essas pessoas ficaram tão contentes com o Pavilhão João Rocha? No pavilhão joga-se futebol profissional? Não, não tem espaço para isso. Este sábado vai realizar-se um jogo de hóquei em patins que vai ser decisivo, Sporting contra o Futebol Clube do Porto, e se o Sporting ganhar vai ser campeão nacional 30 anos depois, e o pavilhão já está esgotado. Então, isso é sinal de que as pessoas também gostam das modalidades. 

Como já está no clube, Augusto Inácio poderá vir a substituir Jorge Jesus no caso de este sair?

Não. Não sei se Jorge Jesus vai continuar, mas o que sei é que Augusto Inácio é diretor porque, como sabe, há um problema que envolve o anterior team manager, que é o André Geraldes. Não estou em condições para falar de André Geraldes porque não conheço o processo, não sei o que fez, se é que fez alguma coisa. Não me meto nisso porque não é da minha área mas, se fez alguma coisa de errado, então tem de ser castigado por isso; caso contrário, está a ser acusado injustamente. Augusto Inácio não está a ocupar uma vaga, o cargo de team manager, até prova em contrário, continua à espera de André Geraldes. Inácio é mais do que isso, é diretor-geral. E cabe ao diretor-geral decidir o futuro dos jogadores e do treinador, pois também intervém na equipa técnica. Se Augusto Inácio quer e achar que deve continuar Jorge Jesus, então que continue, mas se achar que não deve continuar ou que há motivos para haver uma rescisão amigável, então que se faça. Porque é que não há de acontecer? Só não acontece isso no futebol inglês porque os treinadores ficam lá 20 anos. Às vezes, no futebol português, nem 20 meses os treinadores ficam no cargo, como se sabe. Jorge Jesus ficou aquele tempo todo no Benfica porque ganhou, foi campeão e não havia justificação para não continuar.

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