20/11/2018
 







EXPO 98

UM EVENTO QUE MUDOU PARA SEMPRE O ROSTO DE LISBOA

    TEXTOS | BEATRIZ MARTINHO, SOFIA MARTINS SANTOS E SÓNIA PERES PINTO


A 22 de maio de 1998, Portugal conheceu aquela que viria a ser uma das zonas mais modernas e nobres da capital. Nessa altura, o país estava bem longe dos grandes acontecimentos europeus, como o Euro 2004 ou, mais recentemente, a Eurovisão. Lisboa mudou para sempre

Lisboa tem um antes e um depois da Expo 98. A Exposição Internacional – um dos maiores eventos que o país já recebeu – mudou para sempre o rosto da capital. A zona oriental, onde até essa altura havia depósitos de contentores, refinarias de petróleo, armazéns, lixeiras a céu aberto e matadouros, deu lugar a uma das zonas mais nobres e privilegiadas – uma verdadeira revolução e a maior intervenção feita na capital desde o terramoto de 1755.

A torre da refinaria da Petrogal, única estrutura conservada, ficou como lembrança do espaço antes da intervenção. A verdade é que houve um grande cuidado para que quase todos os equipamentos do recinto tivessem utilização posterior, evitando assim o seu abandono e degradação, como aconteceu em exposições anteriores, nomeadamente em Sevilha, em 1992. 


O evento abriu portas faz amanhã 20 anos sob o mote “Os oceanos: um património para o futuro”. Até 30 de setembro desse ano passaram pelo recinto cerca de 10 milhões de visitantes – entre eles Bill Gates ou Ringo Starr, reis e rainhas e as mais variadas figuras de Estado – para celebrar os 500 anos dos Descobrimentos portugueses. Ainda assim, o evento recebeu menos quatro milhões do que era esperado.

A ideia, aparentemente megalómana, surgiu quase dez anos antes da cabeça de António Mega Ferreira e Vasco Graça Moura. Só no último dia, a Expo 98 recebeu mais de 200 mil pessoas – uma verdadeira enchente que levou a que existissem falhas de comunicações, ao ponto de ninguém conseguir falar com ninguém por telemóvel. 

E as entradas? Havia soluções para todos os gostos. Um bilhete para um dia custava 25 euros (cinco mil escudos); para três dias, pouco mais de 62 euros (12 500 escudos); e um passe livre com acesso ilimitado à exposição durante três meses, 250 euros (50 mil escudos), ou seja, quase o equivalente ao salário mínimo nacional pago nessa altura e que rondava os 300 euros. Para quem só queria aproveitar a noite bastaria desembolsar 12,50 euros (2500 escudos).

A exposição fechou portas já ao nascer do dia 1 de outubro e, durante 15 dias, o recinto esteve fechado ao público. Reabriu já como Parque das Nações, recebendo nesse primeiro fim de semana mais de 100 mil visitantes. 
Muitas zonas foram sendo gradualmente vendidas para habitação e escritórios e, no fim do processo de venda de terrenos, as receitas tinham superado o custo da exposição em oito vezes. 

AS IMAGENS DE BEBÉS A NADAR E DE VÁRIAS PESSOAS SUBMERSAS E VESTIDAS COM OS TRAJES NACIONAIS ENCANTARAM PORTUGAL

VERDADEIRA REVOLUÇÃO

A opinião é unânime junto dos mais variados especialistas: a zona oriental de Lisboa é hoje o bairro mais moderno da cidade, concentrando áreas comerciais, culturais e de lazer com uma vista privilegiada para o rio Tejo. Esta zona acabou por atrair uma série de instituições e grandes empresas, nomeadamente multinacionais, como a Vodafone, Microsoft, Sonaecom SGPS e Sony, entre outras. 

Também o mercado habitacional atraiu muitos portugueses e estrangeiros. Cerca de 28 mil pessoas habitam nas áreas residenciais norte e sul, integrando a freguesia do Parque das Nações – criada no âmbito de uma reorganização administrativa que entrou em vigor após as eleições autárquicas de 2013. Os preços sempre acompanharam este sucesso e, com a explosão do mercado imobiliário, continuam a sofrer um agravamento de preços.

Atualmente, a freguesia do Parque das Nações – juntamente com a da Misericórdia – é uma das mais caras de Lisboa em matéria de arrendamento, com o preço por metro quadrado a fixar-se nos 11,6 euros, de acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Feitas as contas, arrendar um imóvel com 80 metros quadrados no Parque das Nações custa cerca de 940 euros.

Para quem pretende comprar, os valores são ainda mais significativos. Nesta freguesia, os preços por metro quadrado fixam-se em 3253 euros. 

HISTÓRIAS DE SUCESSO E TAMBÉM DE FRACASSO 

Como consequência da exposição, Lisboa ganhou uma nova ponte sobre o Tejo, mais estações de metro e uma nova interface de transportes, a Gare do Oriente. Também o teleférico, uma das várias inovações mais emblemáticas que atraíram milhões de portugueses e estrangeiros, continua a cativar a atenção dos visitantes que passam por aquela zona. 

Nos 131 dias que durou a Expo 98, o teleférico transportou três milhões de pessoas, o que deu uma média de 1600 por dia. Fazer uma viagem a 30 metros de altura custava, à data, 500 escudos para adulto e 250 escudos para criança. Hoje, os bilhetes variam entre os 2 euros e os 3,95 euros. 

A esta atração juntam-se ainda os edifícios do Oceanário, Teatro Camões, Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva (que era o do Conhecimento dos Mares), Pavilhão Atlântico (também designado Pavilhão da Utopia e recentemente rebatizado Meo Arena) e Casino de Lisboa (antigo Pavilhão do Futuro).

Mas nem tudo foi um caso de sucesso. A marina é um dos exemplos contrários e atualmente tem mais problemas do que barcos – isto porque, segundo especialistas, a obra foi concebida e executada de forma deficiente. A sua localização, num trecho da margem do rio Tejo conhecido pela elevada taxa de envasamento com lodos, leva a que haja assoreamentos constantes até aos dias de hoje.

OBRAS

A EXPO É A ZONA MAIS MODERNA DA CIDADE, CONCENTRANDO ÁREAS COMERCIAIS, CULTURAIS E DE LAZER COM VISTA PARA O TEJO

Também a Parque Expo – empresa criada em 1993 para construir, explorar e desmantelar a Expo 98, tendo depois alargado as suas competências à escala nacional e internacional – foi extinta no final de dezembro de 2016, cinco anos depois ter anunciado a sua liquidação face às dívidas avultadas que tinha. A decisão foi tomada durante o governo de Passos Coelho, ao apresentar dívidas de quase 225 milhões de euros.

Ao longo dos anos, a empresa de capitais públicos foi aumentando competências à escala nacional, tendo sido responsável, por exemplo, pela gestão de projetos do Programa Polis em diversas cidades e participado em 27 projetos de reabilitação de centros históricos, como Mafra, Vila Nova de Gaia, Viseu, Évora, Marvão e na Baixa pombalina, em Lisboa, e na recuperação ou construção de equipamentos públicos, como a Casa das Artes, no Porto, ou a fortaleza de Sagres.

Fora de Portugal, também geriu a participação portuguesa em exposições internacionais após a Expo 98, como na exposição de Saragoça ou na de Xangai, e participou em projetos internacionais em Angola, Argélia, Brasil, Cabo Verde, Egito, Espanha, Marrocos, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Tunísia.

OCEANÁRIO DE LISBOA

HÁ 20 ANOS A DAR A CONHECER O FUNDO DOS OCEANOS


É uma das atrações mais emblemáticas da Expo 98 
e continua a deslumbrar os visitantes como no primeiro dia. O i falou com o CEO do Oceanário de Lisboa sobre os 20 anos de existência do aquário. João Falcato refere que, agora, a principal missão é a conservação dos oceanos 

Com mais de oito mil organismos, entre animais e plantas, de mais de 500 espécies diferentes, o Oceanário de Lisboa permite-nos fazer uma viagem ao mundo subaquático. Àquilo que os olhos veem junta-se o que os ouvidos captam. A visita aos vários aquários é sempre acompanhada por sons que nos remetem para os diferentes habitats que vamos conhecendo. Foi neste ambiente que o i falou com João Falcato, CEO do Oceanário de Lisboa, sobre a celebração dos 20 anos de existência do aquário.

Inaugurado em 1998 com a Expo – cujo tema foi “Os oceanos, um património para o futuro” –, o Oceanário eternizou a ligação de Lisboa com o oceano e tornou-se um dos espaços culturais mais emblemáticos da cidade. “Além do objetivo de trazer o mar de volta a Portugal, a ideia era também reformular toda uma área da cidade. Esses dois objetivos, em conjunto, passavam muito pelo equipamento do oceanário”, conta João Falcato. 

De acordo com o biólogo marinho – que acompanhou o projeto do oceanário desde o início –, quando se pensou em revitalizar a área do agora chamado Parque das Nações concluiu-se que era necessário construir um equipamento que fizesse o pós-Expo funcionar, continuando a trazer visitantes todos os dias. O Oceanário nasceu também com esse propósito e, para João Falcato, o objetivo foi cumprido. “Foi um grande sucesso. Fechámos durante 15 dias (depois de a Expo terminar), voltámos a abrir e tivemos logo mais de um milhão de visitantes no primeiro ano. Isso fez com que toda esta área nunca morresse e tornou a Expo em Portugal, do que eu sei, o maior sucesso histórico. Não há nenhuma Expo que tenha tido tanto sucesso no pós-Expo. A estratégia de criar um equipamento que trouxesse a esta zona da cidade muita gente e revitalizasse a vida aqui funcionou”, explica.

João Falcato conta que o início foi um grande desafio e teve as dificuldades inerentes à construção de um projeto desta dimensão. “Os desafios passaram, por exemplo, pelo transporte dos animais, como um tubarão que está cá desde 1998 e já era grande. Agora está só um bocadinho maior. Pensámos: ‘Como é que eu o trago do outro lado do mundo?’ Era preciso ter em conta toda a tecnologia e todas as ferramentas necessárias para que o transporte corresse bem, para que os animais estivessem bem e para que o seu bem-estar estivesse garantido”, descreve o CEO. 

Seis meses antes da abertura foram postos os primeiros peixes no aquário do Oceanário de Lisboa, algo que João Falcato afirma que não aconteceu nos outros projetos deste tipo espalhados pelo mundo. O CEO refere que foi tudo muito bem planeado na criação do Oceanário de Lisboa e que o bom funcionamento se mantém. “Hoje olhamos para estes animais e estão perfeitos. Passados 20 anos, estão aqui extremamente saudáveis e com comportamentos completamente naturais. Toda a planificação para trazer para aqui um ecossistema novo e trazer animais dos quatro oceanos para que o público que nos visita possa perceber a beleza que existe debaixo de água funcionou muito bem”, afirma.

CERCA DE 60 A 70% DOS VISITANTES DO OCEANÁRIO SÃO TURISTAS E 27% DOS TURISTAS QUE VÊM A LISBOA VISITAM O AQUÁRIO

TURISMO

O oceanário tem um papel importante no panorama turístico da cidade de Lisboa. Cerca de 60 a 70% dos visitantes do oceanário são turistas e 27% dos turistas que vêm à capital visitam o oceanário. Segundo João Falcato, o oceanário sempre foi mais visitado por estrangeiros do que por portugueses. 

Atualmente está prestes a atingir o patamar dos 23 milhões de visitantes e é considerado pelo site Trip Advisor o melhor aquário do mundo. “É um equipamento que honra a cidade. Sendo considerado o melhor aquário do mundo, acho que contribui para um aumento da qualidade e reconhecimento da oferta turística da cidade. Contribui também, eventualmente, para que visitem a nossa cidade por ser considerado um equipamento que é muito bom e que se ajusta a todas as idades e que, para além de nos divertir, envolver e emocionar, nos ensina a contribuir para um mundo melhor amanhã”, refere o CEO.

CONSERVAÇÃO DOS OCEANOS

Depois das infraestruturas construídas e das várias espécies adquiridas – apesar de continuarem sempre em busca de novos animais que “tenham uma história para contar” –, a principal missão do oceanário baseia-se agora na literacia azul e na preservação dos oceanos. “Não faria sentido um equipamento deste género existir sem ter essa missão e esse objetivo final”, explica João Falcato.

Para isso usam ferramentas como a sensibilização do público que visita o Oceanário de Lisboa e promovem um programa educativo ambiental. “Temos de tocar cada vez mais gente e temos de ter cada vez mais visitantes para lhes mostrar como é bonito o mar, como é importante garantir que esta beleza e estes recursos se mantêm para o futuro. Para além disso, temos um programa educativo que julgo ser o maior programa educativo do país a nível ambiental. O ano passado chegámos a 168 mil crianças e adultos com o nosso programa educativo”, refere o biólogo marinho.

Este ano, o oceanário está ainda a desenvolver um projeto de educação ambiental em movimento que promove atividades lúdico-pedagógicas gratuitas “fora de portas”. O “Vaivém Oceanário” já visitou mais de 200 municípios de todos os distritos de Portugal continental e regiões autónomas, com impacte em mais de 240 mil pessoas.

Depois, atuam também no terreno. João Falcato considera que é importante não se focarem apenas no principal problema – que somos nós, os seres humanos –, educando e sensibilizando, mas também atuar diretamente nos oceanos. “É fundamental ir para o oceano tentar contribuir para que algumas espécies sejam conservadas e continuem a existir no nosso planeta quando estão em risco. É isso que temos vindo a fazer, financiando inúmeros projetos normalmente desenvolvidos por universidades. São elas que vão para o terreno, financiadas e desafiadas por nós, para desenvolver alguns projetos. No ano passado financiámos alguns relacionados com tubarões e raias, mas desde 2007 que financiamos muitos projetos de tartarugas-marinhas, peixes-lua e tubarões. De certeza que hoje há muitos animais que estão a nadar nos oceanos porque nós existimos”, explica.

Para o futuro, há uma grande ambição. João Falcato afirma que, desde que a Fundação Oceano Azul adquiriu o oceanário, em 2015, a capacidade de atuação nos oceanos é completamente diferente do passado. “Atualmente, todas as nossas receitas e todos os nossos lucros são aplicados 100% na conservação dos oceanos e na literacia azul, o que não era a realidade quando éramos um equipamento público. Nessa altura, os nossos resultados eram distribuídos em dividendos. Hoje são totalmente aplicados na conservação, ou seja, estamos a iniciar – começámos em 2016 – um novo percurso com uma capacidade de atuação, fora daqui, muito superior”, refere.

NÚMEROS

23

Milhões de pessoas já visitaram o Oceanário de Lisboa desde 1998, ano da abertura

1,3

Milhões de pessoas visitaram o Oceanário de Lisboa só no ano de 2017

8

Mil organismos – entre animais e plantas – de mais de 500 espécies diferentes vivem no Oceanário de Lisboa

550

Quilos de alimento são administrados por semana aos organismos que habitam no oceanário

200

Mil euros foram investidos pela Fundação Oceano Azul em dez projetos de conservação dos oceanos em 2017

168

Mil crianças e adultos participaram no programa de educação ambiental do Oceanário de Lisboa em 2017

ESPAÇOS EMBLEMÁTICOS

Os que sobreviveram 20 anos e os que entretanto surgiram 


Da Expo 98, apenas os pavilhões temáticos sobrevivem para contar a história da Exposição Internacional de Lisboa. Ainda assim, um deles foi transformado em casino e o de Portugal viu o seu futuro tremido por muitos anos. Ao mesmo tempo foram surgindo novos espaços que já se transformaram em verdadeiras atrações da cidade, localizados numa zona nobre da capital que se estende ao longo do rio Tejo, numa faixa de cinco quilómetros

O QUE SE MANTÉM

ALTICE ARENA

A maior sala de espetáculos do país nasceu durante o evento como Pavilhão da Utopia. O edifício, projetado pelo arquiteto português Regino Cruz em parceria com um gabinete internacional, foi buscar alusões às naves quinhentistas e a um pequeno caranguejo--ferradura, que existiu no período Jurássico. O espaço foi pensado para ter funções multiusos, para que pudesse ser comercialmente rentável. Mais tarde deu lugar ao Pavilhão Atlântico até ter sido comprado, em 2012, pelo consórcio Arena Atlântico por 21,2 milhões, passando a chamar-se Meo Arena. Recentemente voltou a mudar de nome para Altice Arena.

PETER CAFÉ SPORT

A primeira vez que o Peter Café Sport saiu dos Açores – altura em que ganhou renome mundial por ser um ponto de paragem no meio do Atlântico para os muitos tripulantes de iates que aportavam no Faial e depois de ter sido considerado, em 1986, pela revista “Newsweek” como um dos melhores bares do mundo – foi quando abriu portas na Expo 98. Neste espaço foi montado uma réplica do Peter Café Sport. Conhecido pelo seu gin tónico – ícone absoluto do Peter –, mantém as portas abertas desde essa altura. 

PAVILHÃO PORTUGAL

Desenvolvido por Siza Vieira, o Pavilhão de Portugal  – um dos mais emblemáticos da Expo 98, cuja pala foi considerada uma das dez melhores estruturas de betão do mundo – foi o edifício responsável por abrigar a representação nacional portuguesa naquele evento. Mas desde que a Expo fechou portas, o pavilhão tem estado ao abandono e passa a maior parte do tempo sem uso. As propostas para a sua ocupação foram várias, desde sede da presidência do conselho de ministros a museu da arquitetura, mas nenhuma dessas alternativas avançou. Em 2015 foi entregue pelo governo à Universidade de Lisboa para ser usado para eventos científicos e exposições.

GARE DO ORIENTE

Projetada pelo arquiteto e engenheiro espanhol Santiago Calatrava, a Gare do Oriente ficou concluída em 1998 para servir a Expo 98, e, posteriormente, o Parque das Nações. A abertura desta gare foi acompanhada também pela inauguração de novas linhas de metro: Oriente, Cabo Ruivo, Olivais, Chelas, Bela Vista, Olaias e Alameda (linha vermelha). Tudo pensado com o mesmo objetivo: facilitar a chegada dos cerca de 10 milhões de visitantes ao recinto e contribuir para uma nova centralidade da capital.

TORRE VASCO DA GAMA

Com cerca de 140 metros de altura, esta torre foi construída para o evento com o objetivo de ter no seu topo um restaurante de luxo com vista panorâmica sobre o rio Tejo. O espaço foi inicialmente concessionado a José Manuel Trigo, do T Clube, e ainda permaneceu aberto durante cerca de três anos após a exposição. Desde novembro de 2012, a torre funciona como hotel de luxo da cadeia SANA Hotéis, tendo-se adicionado ao conjunto inicial um edifício da autoria do arq.º Nuno Leónidas cuja construção se iniciou em agosto de 2009.

AS NOVIDADES

CASINO

O Pavilhão do Futuro era um espaço subordinado ao tema “O Futuro dos Oceanos”. A exposição era maioritariamente informativa, integrada num ambiente envolvente e moderno, e o seu maior atrativo era um filme em três dimensões projetado de início. A visita terminava com uma descida ao fundo dos oceanos, simbolizada por uma passadeira em espiral, com ilustrações do desenvolvimento do planeta. Com o fim do evento, o espaço manteve--se encerrado durante vários anos até que houve a decisão de utilizar a estrutura para o novo Casino de Lisboa, inaugurado em 2006.

ZEROZERO

Há menos de um ano abriu portas a ZeroZero, a conhecida pizzaria do Príncipe Real, do grupo Multifood. Localizada na Alameda dos Oceanos, promete aos clientes uma verdadeira visita aos sabores de Itália, mas com uma vista privilegiada sobre o Tejo. O espaço tem dois fornos de lenha e conta com mesas no interior, onde pode ver toda a preparação das pizzas, e com esplanada no exterior. A pizzaria dispõe também de um bar de prosecco com cocktails de assinatura que podem ser pedidos em jarro de litro, para partilhar.

CENTRO VASCO DA GAMA

Com o fim da Expo 98, menos de um ano depois foi inaugurado no Parque das Nações o Centro Comercial Vasco da Gama (abril de 1999), gerido pela Sonae Sierra. O seu nome é uma homenagem a Vasco da Gama, descobridor do caminho marítimo para a Índia, e o seu interior é inspirado no mar, com peixes e animais marinhos no teto, nos elevadores, nas casas de banho, nas lojas, e com água a escorrer na cobertura. O espaço conta com 170 lojas onde se incluem 33 restaurantes, seis salas de cinema e um health club.

CANTINHO DO AVILLEZ

O novo Cantinho do Avillez acaba de ser inaugurado no Parque das Nações, no ano em que se assinalam os 20 anos da Exposição Internacional de Lisboa. Fiel à filosofia dos oceanos e dos Descobrimentos, este 15.º restaurante em Lisboa do famoso chefe português conta com vista para o rio Tejo e a ementa é inspirada na cozinha tradicional portuguesa contemporânea, sendo influenciada pelas viagens feitas por Avillez. O espaço foi decorado pela famosa artista portuguesa Joana Astolfi.

Mega Ferreira

O mentor da Expo 98 que no máximo aceita ser “tio” do evento


O homem que há 20 anos pensou a Expo 98 já veio admitir que esse foi o seu período mais intenso do ponto de vista profissional. Mas minimizou o impacto que o evento teve na cidade

Mobirise
O mentor da Expo 98 tem um rosto. A ideia de organizar uma exposição internacional em Portugal veio de António Mega Ferreira e Vasco Graça Moura. Os dois estavam à frente da comissão para as comemorações dos 500 anos dos Descobrimentos portugueses, liderada por Francisco Faria Paulino, diretor do Pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha. Para muitos, Mega Ferreira é considerado o pai do evento, mas em declarações ao i diz apenas que, “quando muito, terá sido tio da Expo”. “Não tenho filhos, só tenho sobrinhos. Quando muito serei tio, mas nunca pai da exposição”, refere.

Mas a verdade é que a sua intervenção não pode ser dissociada do evento e, por isso mesmo, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, poucos dias depois de o evento ter aberto portas. Numa entrevista ao “DN” no ano passado, admitiu que aquela altura foi “claramente o período mais intenso do ponto de vista profissional”, mas ainda assim, minimizou o impacto do evento. “Não me apercebo de que a Expo tenha mudado assim a cidade. Provavelmente porque ambicionava que o impacto da Expo na cidade tivesse sido muito maior”, disse, acrescentando ainda que “se algum impacto a Expo teve na cidade foi sobre os comportamentos das pessoas e sobre um conjunto de referências mentais”.

IDEIA VEIO DE UM ALMOÇO

Mas o sonho de realizar uma exposição mundial em Lisboa nasceu muito anos antes. Diz-se que foi em 1989 e à mesa do restaurante Martinho da Arcada. O tema começou por ser o “Mercado do Oriente” mas, mais tarde, a equipa de Mega Ferreira concluiu que o tema dos oceanos era melhor. 
Quatro anos depois, em Paris, Mega Ferreira, Torres Campos e Jorge Sampaio viam o sonho tornar-se realidade: a Exposição Mundial de 1998 vinha parar a Portugal e não ao Canadá, que até aí tinha sido considerado o país favorito (23 votos a favor contra 18 atribuídos a Toronto).

No ano seguinte, o projeto entrou numa fase rápida de planeamento e desenvolvimento, desde a estratégia de promoção internacional às campanhas de sensibilização interna, passando pelas negociações para a desocupação da área onde iria decorrer a exposição. É também nessa altura que é criada a Parque Expo, responsável por lançar e executar o empreendimento.

A partir daí foram anos de consolidação e construção. Aos poucos foram saindo do terreno as estruturas obsoletas que aí se encontravam, foram ganhando forma, com as áreas internacionais norte e sul, o Pavilhão de Portugal, o Pavilhão do Futuro, o Pavilhão do Conhecimento dos Mares, a Estação do Oriente. Começou-se a assistir às primeiras campanhas de promoção internacional e definição de novo objetivo: a participação de 100 países e organizações (foram 160), com alargamento do recinto. Ao mesmo tempo traçaram-se os grandes sistemas de acesso viário, assim como os trabalhos da nova linha de metropolitano, rumo à exposição.

SETE OFÍCIOS

Licenciado em Direito, António Mega Ferreira estudou Comunicação Social na Universidade de Manchester e iniciou a sua carreira no jornalismo, no “Comércio do Funchal”, em 1968, passando depois pelo “Jornal Novo”, “Expresso”, ANOP, RTP e “Jornal de Letras”. Fundou a “Ler”, para a qual Francisco José Viegas entrou em 1987 como chefe de redação, tendo lançado em conjunto o primeiro número da revista. 

Em 2006, a convite da então ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima (PS), assume o cargo de presidente da Fundação do Centro Cultural de Belém, sendo depois reconduzido no cargo em janeiro de 2009. Abandonou o CCB em 2012.