21/09/2018
 

EM CONTAGEM DECRESCENTE PARA AS FÉRIAS

A maioria dos portugueses pensam no Algarve quando começam a fazer planos de férias, mas face aos preços altos há cada vez mais pessoas a procurar destinos alternativos e, como tal, mais económicos. Mas é certo que a data que escolhe tem muita influência no valor que é pedido. A pensar nisso, o i fez uma ronda por vários hotéis e mostra quanto pagaria se fosse ainda este mês gozar os merecidos dias de descanso e quanto terá de pagar se optar por julho ou agosto. E também lhe mostra que há destinos fora do país mais baratos do que a região algarvia 

TEXTOS | Beatriz Martinho, Marta F. Reis, Sofia Martins Santos e Sónia Peres Pinto

ALGARVE

OCUPAÇÃO VAI ATINGIR OS 100% E MAIORIA DA OFERTA JÁ ESTÁ QUASE ESGOTADA


Preços voltaram a subir este ano e foram acompanhados pelo aumento da procura. Os melhores negócios foram reservados com meses de antecedência

As perspetivas são animadoras para o setor. A taxa de ocupação no Algarve nos meses de julho e agosto – altura escolhida pela maioria dos portugueses para passar férias – deverá atingir os 100% e, com isso, os preços também irão aumentar. A garantia é dada ao i pelo presidente da direção da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA). Elidérico Viegas lembra que o mercado interno ocupa o segundo lugar do ranking da ocupação. Só o britânico é que está à nossa frente.

Esse cenário já se repetiu em anos anteriores, mesmo em altura de crise. “Assiste-se nessa altura a uma verdadeira corrida ao alojamento tanto para unidades hoteleiras como para apartamentos, nem nos anos de crise a procura abrandava”. A euforia, no entanto, verifica-se sobretudo na última quinzena de julho e na primeira quinzena de agosto.

Face a esta elevada procura não é de estranhar que muitas da oferta já esteja esgotada apesar do aumento dos preços. “Surpreendentemente os valores continuam a subir face aos preços cobrados no ano passado. Este ano estamos a assistir a uma subida na ordem dos 2 a 3% e, mesmo assim, a procura não para”, refere o responsável.

Sofia Ferreira, promotora imobiliária que opera na zona de Tavira, corrobora a tendência. “Muitas das casas já estão esgotadas porque a zona do Sotavento tem vindo a registar um grande aumento da procura nos últimos anos”, refere ao i. Ainda assim, a responsável admite que possam existir pontualmente imóveis com uma semana livre para esses meses. “Tudo depende dos preços que os portugueses estejam dispostos a pagar”, esclarece. 

Também a promotora imobiliária reconhece um aumento dos preços para este ano. E dá exemplos: na sua zona, os preços variam entre os 700 e os 750 euros semanais em Santa Luzia para um T2, e os 650 e os 700 euros em Cabanas de Tavira. “São valores que há uns anos eram impensáveis. Isso passou a acontecer de há uns quatro anos para cá”, afirma. Já para a cidade em si, a oferta consiste sobretudo em unidades hoteleiras e aí há preços mais variados.

De uma coisa os dois responsáveis não têm dúvidas: os melhores negócios já estão fechados e foram aqueles que foram reservados com vários meses de antecedência.

O i sabe que muitos portugueses para conseguirem valores mais baixos já estão à procura de quartos para passarem férias. Este tipo de arredamento vem dar alguma resposta a um nicho de mercado ou a uma procura específica, sobretudo junto dos mais jovens. Aliás, o aparecimento deste género de oferta vem na sequência do sucesso que o alojamento local tem tido no mercado português.

“HÁ UNS ANOS ESTES VALORES SERIAM IMPENSÁVEIS”, DIZ SOFIA FERREIRA, QUE OPERA NA ZONA DE TAVIRA

APARTAMENTOS COM MAIOR PROCURA

Elidérico Viegas garante, no entanto, que os preços são variados. Há ofertas para todas as bolsas – só depende da zona e do tipo de estabelecimento. E lembra que dentro das mesmas categorias há preços significativamente diferentes.

A escolha, obviamente, depende muito do agregado familiar. “Quem vai para o Algarve de férias são sobretudo famílias e a maioria prefere apartamentos, o que é natural porque querem estar todos juntos e, acima de tudo, porque é mais económico, uma vez que podem nesse espaço fazer todas ou apenas algumas refeições”. Já quem procura hotéis, segundo Elidérico Viegas, são sobretudo casais.

Também os preços diferem com a quantidade da oferta. Isto significa que as zonas com mais camas têm geralmente preços mais acessíveis e apresentam classificação mais baixa, atraindo pessoas com menor poder de compra. Já nas zonas onde há menos camas há tendência para os preços subirem. E o presidente da AHETA dá o exemplo do Carvoeiro, Quinta do Lago e Vale do Lobo que, “naturalmente, apresentam preços mais elevados”, revela ao i.

FACE AOS PREÇOS ELEVADOS E À ESCASSEZ DE OFERTA, MUITOS PORTUGUESES PROCURAM QUARTOS PARA AS FÉRIAS

LOCAIS MAIS CAROS

A zona de Quarteira e Albufeira estão no topo da lista das cidades portuguesas com os arrendamentos de casas mais caros, de acordo com o site Holidu. O preço médio por noite é de 180 euros, na época alta. Faro e Lagos surgem a seguir, com 161 euros e 151 euros, respetivamente, por noite. Já as cinco cidades mais baratas para passar estas férias de verão oferecem possibilidades de paisagens variadas. São elas Ponta Delgada, por 80 euros; Funchal, por quase 100 euros; Porto, por aproximadamente 112 euros; Sesimbra, por pouco mais de 115 euros, e Tavira, por 130. Lisboa, Portimão e Porto Santo estão a meio da tabela, com valores que oscilam entre 132 e os quase 140 euros. Feitas as contas, uma estadia em Portugal custa em média 140 euros.

Bons negócios Mas este aumento da procura também tem o reverso da medalha. A HomeAway, um dos líderes mundiais em arrendamento para férias online – conta com mais de 590 mil anúncios em 143 países – analisou os lucros dos proprietários que anunciam os seus alojamentos nesta plataforma e chegou à conclusão que o concelho de Loulé foi aquele onde os proprietários obtiveram um maior lucro trimestral com a reserva dos seus alojamentos para férias: mais de 14 mil euros.

“A tipologia dos alojamentos, que se caracteriza por vivendas ou apartamentos espaçosos quase sempre com vistas, entre outros equipamentos, piscina e proximidade quase imediata da praia, determinam preços mais elevados, o que acarreta um lucro maior para o proprietário” diz a plataforma.

Também o Carvoeiro (13150 euros) e Vilamoura (11739) foram os que obtiveram maiores lucros, pois são localidades que possuem alojamentos de maiores dimensões e onde o preço por noite é mais elevado.

Zonas espanholas perto da fronteira já praticam preços iguais aos nossos

O “Algarve Espanhol” como eram apresentadas algumas zonas do país vizinho perto da fronteira portuguesa – como Ayamonte, Isla Canela e Isla Cristina, entre outras – tem vindo a perder adeptos junto dos turistas portugueses. Estas zonas foram durante muitos anos uma espécie de “tábua de salvação” para quem queria passar umas férias mais económicas. No entanto, também estas localidades registaram um aumento de preços. A diferença de valores face a Portugal tornou-se irrelevante e passar a fronteira deixou de compensar em termos económicos.

Luísa Abrantes conta ao i que durante anos arrendou um apartamento em Isla Cristina por custar metade do preço face aos valores que eram cobrados em Monte Gordo, mas como gostava mais das praias portuguesas diariamente atravessava a ponte e vinha para Portugal. “Em menos de 20 minutos estava no nosso país e com a vantagem de não pagar qualquer portagem para atravessar a ponte do Guadiana. Depois era só estacionar e a aproveitar as nossas praias maravilhosas”. Só usava o imóvel para dormir. Como Luísa havia muitas outras histórias semelhantes. 

Segundo Elidérico Viegas, presidente da direção da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), nos últimos anos este expediente deixou de ter vantagens. E além dos preços serem praticamente semelhantes aos que são cobrados em Portugal, o responsável garante que oferta espanhola é inferior à nossa. “A comida é má, as praias deixam muito a desejar, os apartamentos estão inseridos numa construção padronizada e de fraca qualidade”, diz ao i.

HÁ VERÃO PARA LÁ DO ALGARVE

 

O sul continua a dominar oferta e procura, mas há mais areais por descobrir pelo país fora. Por vezes até pode sair mais em conta ou ser uma experiência apenas diferente

Os números não enganam. Neste momento no site OLX, um dos mais populares para reservar casas de férias, há 2943 anúncios disponíveis. Não é difícil imaginar onde está concentrada a grande maioria: o Algarve domina a oferta e a procura nos meses de verão, com 61% das moradias e apartamentos disponibilizados nesta plataforma, revelou ao i fonte oficial da empresa. A trajetória é mesmo impressionante, desde janeiro, o número de casas de férias disponíveis para alugar aumentou 900% no concelho de Lagoa e 700% em Faro, seguindo-se uma subida de 300% em Silves. 

Mas se o sul parece continuar a ser o rei do verão português, no top 5 dos contactos entre anunciantes e interessados desde o início do ano há outros quatro distritos que vão fazendo a sua caminhada estival: Leiria, Setúbal, Lisboa e Braga. Atualmente, se Faro continua a dominar a procura, 7% dos contactos entre anunciantes e interessados dizem respeito a casas de férias no distrito de Leiria, que apanha a costa de Peniche à Praia de Pedrógão, passando pela Nazaré ou por São Pedro de Moel. Segue-se Setúbal, com 6% dos contactos, enquanto Lisboa e Braga, distritos menos balneares mas na moda, totalizam cada um 3% dos contactos.

Fernando Neves, da imobiliária Casa’Caso, em Setúbal, não tem dúvidas que o verão vai passar cada vez mais por aqui, dado o esgotamento da oferta a sul mas também pela descoberta dos atrativos da zona. 

Por agora, porém, a procura continua a ser sobretudo de estrangeiros. E, mais do que alugueres para estadias temporárias, há muitas pessoas tentadas a comprar casa na cidade e arredores para férias, onde os preços ainda são 40% a 50% inferiores aos praticados em Lisboa. “Hoje ainda é possível encontrar um T3 em Setúbal por 180/200 mil euros e ter uma casa junto às praias. Em Lisboa custará duas a três vezes mais”, exemplifica. 

O facto de não haver assim tanta oferta de alojamento local ou aluguer à semana pode fazer com que a procura não seja maior, sobretudo porque o mercado não estava habituado a este movimento estival. Porque é que não há mais pessoas a pôr as suas casas a alugar? “O português é um bocadinho ‘Maria vai com as outras’ e têm sobretudo aberto hotéis e hosteis para responder a essa procura. Ainda estamos também a tentar perceber qual vai ser a sazonalidade”, explica o gestor. “Imagine que uma pessoa opta por tirar a casa do mercado de aluguer ao ano e depois só tem reservas em julho e agosto – acaba por não compensar. Ainda não existe movimento durante todo o ano. Acho que irremediavelmente é isso que vai acontecer, mas não sabemos se acontece este ano, no próximo ou daqui a dois anos.” 

PORTUGAL TEM 850 KM DE AREAL: HÁ QUASE TANTAS PRAIAS PARA DESCOBRIR NA ZONA OESTE COMO NO ALGARVE

A oferta pode ainda não ser comparável à que existe a sul, o que faz com que nesta altura não seja assim tão fácil encontrar uma boa pechincha como se se tentasse reservar mais cedo, mas basta uma pequena pesquisa para encontrar várias opções fora do Algarve, por vezes ainda com preços um pouco mais em conta. 

Analisando por exemplo a semana 5 a 12 de agosto, no Algarve há ofertas para moradias com dois quartos a partir de 80 euros/noite mas relativamente afastadas da praia. Uma semana sairá na ordem dos 600 euros. Mais perto do mar, por exemplo na Quarteira, os preços começam nos 150/160 euros por noite, mas a grande maioria das casas estão acima desse valor. Uma semana de férias para cinco pessoas relativamente perto do mar não sairá assim a menos de 1000 euros. Subindo um pouco, na zona de Odeceixe ou em Vila Nova de Milfontes ainda há algumas ofertas a partir de 120 euros, para a mesma tipologia. Na zona de Setúbal, a oferta económica já não é muita, mas na zona da Nazaré ou São Martinho do Porto ainda há casas com dois e três quartos a partir de 90/100 euros por noite.

Apesar de haver muito areal por descobrir em Portugal, com 33 praias no Alentejo ou mais de uma centena às portas de Lisboa e zona Oeste – quase tantas como no Algarve – em 2017 um estudo feito pela Trivago revelou que o Algarve continua a dominar os interesses dos portugueses.

Com base nas reservas de hotéis, Albufeira continuava a ser o destino de eleição, sendo o preço médio da estadia de 142 euros/noite. A empresa dava algumas pistas sobre os destinos mais em conta para quem quer mudar a cassete algarvia. Figueira da Foz, Esposende, Ericeira, Silves, Peniche, Torres Vedras, Matosinhos, Setúbal, Póvoa de Varzim eram as recomendações no continente, a que acrescentavam por fim a Praia da Vitória na Ilha da Terceira.

FÉRIAS

OS PREÇOS MAIS BARATOS DOS PARAÍSOS PORTUGUESES


Quando se pensa em marcar férias é preciso ter em conta o peso que o destino e a época têm no orçamento. O i dá-lhe várias alternativas, de norte a sul do país, e mostra-lhe as opções mais baratas. Pode começar já para a semana ou esperar até julho ou agosto, basta ter a mala pronta. Em todos os casos, escolhemos quarto duplo e hotéis que contemplam regimes de pequeno-almoço incluído

FÉRIAS

QUANDO VIAJAR PARA FORA FICA MAIS BARATO


Uma semana num hotel no Algarve custa, em média, 1200 euros. Mas há destinos lá fora que praticam preços preços mais baixos e alguns dos pacotes de férias são em regime “tudo incluído”, o que significa que não tem de pagar mais nada

MAIORCA – 583€

Preço por pessoa para a semana de 18 a 25 de agosto. Este valor inclui voo e sete noites num hotel de três estrelas. Se optar por regime “tudo incluído” sobe para 801 por pessoa. Pode contar ainda com vários serviços: piscinas, SPA e ginásio, restaurantes e espaços para crianças.

TENERIFE – 483€

Preço por pessoa para a semana de 13 a 20 de agosto, mas em regime de alojamento e pequeno almoço. No caso de optar por “meia pensão” terá de pagar pouco mais de 500 euros – geralmente é servido pequeno-almoço e jantar.

PORTO SANTO – 466€

Preço por pessoa para a semana de 20 a 27 de agosto em regime de “meia pensão” num hotel de quatro estrelas. O pequeno-almoço é servido em sistema de buffet. O almoço poderá ser escolhido pelo menu e o jantar pela ementa.

IBIZA – 647€

Preço por pessoa para a semana de 28 de agosto a 4 de setembro mas só alojamento. Se preferir regime “tudo incluído” já sobe para 817 euros por pessoa.

MARROCOS – 750€

Preço por pessoa para a semana de 27 de agosto a 3 de setembro para sete noites de alojamento em Agadir. Este valor contempla apenas pequeno-almoço. Se optar pelo regime “tudo incluído” terá de desembolsar 837 euros por pessoa.

ILHA DO SAL – 719€

Preço por pessoa para a semana de 18 a 25 de agosto, mas só alojamento (no caso de optar por regime “tudo incluído” o valor ronda os mil euros por pessoa). Tem ainda disponível na unidade hoteleira serviços como piscinas e bares.

TUNÍSIA – 699€

Preço por pessoa para a semana de 13 a 20 de agosto num hotel de três estrelas em Djerba. Estadia no hotel escolhido em regime de tudo incluído. Já no país terá de pagar uma taxa de solidariedade local (30 dinares cerca de 15 euros).

MALTA – 711€

Preço por pessoa para a semana de 16 a 23 de agosto, mas só alojamento e pequeno-almoço. Se optar pelo final de agosto consegue preços a rondar os 640 euros na mesma modalidade.