22/09/2018
 

COMO VAI A VIDA NO INTERIOR

O i dá voz a 20 rostos desse lado mais esquecido do país. Orgulham-se da qualidade de vida, dos preços acessíveis, da proximidade entre sítios e pessoas e da facilidade em arranjar vaga nas escolas. Mas na metade menos populosa do país, a vida tem muitos contras

Vítor Nunes

Empresário | Covilhã
42 anos

Trabalhei em Lisboa e sempre foi um objetivo de vida regressar ao interior. Na fase inicial da minha carreira queria trabalhar numa empresa de média dimensão como quadro superior de gestão, mas a partir de certa altura tive vontade de criar o meu próprio negócio e senti um apelo para ser agricultor e ter ligação à terra, com a produção de mirtilos. A qualidade de vida é, sem dúvida, um aspeto positivo de se viver no interior, mas o custo de vida também é menor do que nas grandes cidades, além do contacto com a natureza. Podemos ir facilmente dar uma caminhada pela natureza. O que acho mais negativo ao viver no interior são os custos de contexto em termos quer empresariais quer pessoais. Se tiver uma reunião com algum comprador que tenha sede em Lisboa, dificilmente conseguirei que ele venha reunir-se comigo aqui na Covilhã. Com a atual política de transportes, deficiente, se quiser distribuir os meus produtos terei muito mais custos do que uma empresa sediada em Lisboa para fazer essa distribuição. Há uma desvantagem competitiva para quem vive no interior.