23/09/2018
 

COMO VAI A VIDA NO INTERIOR

O i dá voz a 20 rostos desse lado mais esquecido do país. Orgulham-se da qualidade de vida, dos preços acessíveis, da proximidade entre sítios e pessoas e da facilidade em arranjar vaga nas escolas. Mas na metade menos populosa do país, a vida tem muitos contras

Tiago Cerveira

Realizador e fotógrafo | Oliveira do Hospital
28 anos

Sou natural de Travanca de Lagos, uma freguesia do concelho de Oliveira do Hospital. Faço realização de fotografia no departamento de marketing numa cadeia de ginásios. Sempre vivi em Oliveira do Hospital, só vivi três anos em Coimbra quando estive a estudar. Aqui no interior há um acesso à cultura menos variado. Quanto aos cuidados de saúde, é basicamente um local de triagem: somos sempre encaminhados para o Hospital de Coimbra, onde há nova triagem. Em termos de justiça é igual. Estamos um bocado limitados em termos de serviços. A vantagem é que aqui vive-se. Eu costumo dizer que nas cidades há mais uma sobrevivência. Aqui vive-se, não se sobrevive. Com menos recursos financeiros consegue-se viver com mais qualidade de vida. Tive uma fugaz emigração no ano passado: fui para a Alemanha à procura de uma oportunidade diferente e não me aguentei lá mais de seis meses. Mas acima de tudo, o que tirei dessa experiência foi que gosto mesmo do lugar onde nasci e quero continuar a lutar por ele.