26/09/2018
 

COMO VAI A VIDA NO INTERIOR

O i dá voz a 20 rostos desse lado mais esquecido do país. Orgulham-se da qualidade de vida, dos preços acessíveis, da proximidade entre sítios e pessoas e da facilidade em arranjar vaga nas escolas. Mas na metade menos populosa do país, a vida tem muitos contras

Nuno Amaral Jerónimo

Professor universitário de sociologia | Covilhã
46 anos

Do ponto de vista universitário, o ordenado de um professor na Covilhã é o mesmo que em Lisboa ou Coimbra, mas as rendas são mais baratas. Também é positivo estar-se numa universidade mais pequena e que tem um grau de proximidade maior entre professores e alunos e até entre os professores. É uma universidade com sete mil alunos, e não 30 mil. Por outro lado, há a desvantagem da oferta cultural. Na Covilhã existe apenas uma livraria para uma população de 60 mil pessoas e é difícil organizar eventos académicos nacionais e internacionais. Vamos ter agora o Congresso Português de Sociologia e só por ser na Covilhã perde um terço das pessoas que poderiam participar. Os alunos têm preferência por continuarem os seus estudos nos grandes centros urbanos, mas a Universidade da Beira Interior tem ganho atratividade precisamente pelo contacto próximo e pela calma de se viver no interior.