23/09/2018
 

COMO VAI A VIDA NO INTERIOR

O i dá voz a 20 rostos desse lado mais esquecido do país. Orgulham-se da qualidade de vida, dos preços acessíveis, da proximidade entre sítios e pessoas e da facilidade em arranjar vaga nas escolas. Mas na metade menos populosa do país, a vida tem muitos contras

Inês Barata Raposo

Copywriter e escritora | Penamacor 
27 anos

Vivo numa aldeia pequenina chamada Aranhas. A vila mais próxima é Penamacor. Nasci em Castelo Branco, estudei em Lisboa e há três anos mudei-me para esta aldeia, que é a terra do meu pai. Vim com o meu companheiro, quisemos mudar de vida. Trabalho a partir de casa como copywriter freelancer e redatora. Uma das coisas de que estou sempre dependente é da internet, e foi a primeira coisa que verifiquei antes de me mudar, porque há sítios no interior sem rede. Apesar de ser um pouco mais lenta e de não haver fibra, funciona. Uma das dificuldades que mais sinto aqui é o acesso à cultura. Ia ao teatro e ao cinema e aqui tenho um cinema e um cineteatro a 50 km, com uma oferta muito inferior. Algum espetáculo ou concerto maior que queira ver, terei sempre de ir a Lisboa ou ao Porto, o que implica muitos gastos. Aqui, o custo de vida é muito inferior ao de Lisboa. Acabo por gastar mais com o carro. Em Lisboa andava sempre de transportes públicos, mas aqui tenho de ir de carro para todo o lado. E tenho uma horta, onde produzo alguns produtos.