25/09/2018
 

COMO VAI A VIDA NO INTERIOR

O i dá voz a 20 rostos desse lado mais esquecido do país. Orgulham-se da qualidade de vida, dos preços acessíveis, da proximidade entre sítios e pessoas e da facilidade em arranjar vaga nas escolas. Mas na metade menos populosa do país, a vida tem muitos contras

Henrique Silva

Comerciante | Mangualde
60 anos 

Herdei a papelaria do meu pai aos 19 anos. Na altura quis ficar à frente do negócio em vez de ir para a universidade. O espaço fez 40 anos em fevereiro e temos ganhado vários prémios. Apesar de estarmos em Mangualde, somos o agente líder em Portugal em cobranças Paypal. As pessoas em Lisboa perguntam como é possível ter estes resultados porque Mangualde é um sítio pequeno, no meio da serra, com pouca população. Eu acredito que é uma questão de dinamismo, de honestidade e de sermos capazes de incutir confiança nos clientes. E é preciso, acima de tudo, ter a capacidade de inovar. Há empresas e negócios que falham no interior por falta de inovação: há que reinventar fórmulas todos os dias e é preciso trabalhar muito. Se calhar, aqui temos de trabalhar a dobrar para obter os mesmos resultados que nos grandes centros. De resto, só vejo vantagens em viver no interior: o ar é puro, a vida é mais saudável, saio de casa cinco minutos antes da hora de começar a trabalhar e tudo aquilo que existe nas grandes cidades também existe aqui ou em Viseu, todo o tipo de serviços e comércio. Entretanto, os meus filhos já entraram no negócio. Sou feliz.