17/04/2024
 
 

O poder da música

Essa é a força do som e a felicidade suprema para quem passa música. Ver gente feliz e a dançar, salas cheias e animadas e a sensação de que se está a fazer parte de algo especial e transcendental.

No fim de semana passado voltei a passar música na ilha da Madeira, nas cada vez mais conhecidas “Purple Fridays”, festas organizadas pela Estalagem da Ponta do Sol às sextas-feiras, em parceria com os nómadas digitais que por ali se instalaram. De facto, tenho percorrido muitos eventos, em Portugal e lá fora, alguns como Dj e muitos outros como cliente, é difícil encontrar muitos cenários e ambientes como aquele que voltei a testemunhar. Semana após semana, a corrida às entradas dá-se mal sai o flyer com a programação e rara é a ocasião em que não esgota no dia anterior. Uma consistência ao nível da quantidade de pessoas mas também da qualidade dos que assistem envoltos em energia positiva e que emprestam uma magia única naquele que já é um dos acontecimentos mais importantes ao nível da música eletrónica nacional.

Uma mescla de estrangeiros e locais a fazer lembrar aquela máxima de “local heroes and international superstars”, em que todos se reúnem à volta do prazer de dançar, de conviver e de serem felizes. A porta abre por volta das 19h30 e a festa termina impreterivelmente às 23h30 passando depois para o piano bar e esplanada numa versão mais tranquila, permitindo à comunidade púrpura interagir com as pessoas que acabaram de conhecer, trocar dois dedos de conversa e relaxar um pouco com o mar e uma vista maravilhosa da vila sob pano de fundo. Por ali ouvem-se diversas línguas, gente animada e muitos sorrisos de quem gosta do multiculturalismo e da troca de experiências.

Voltando à festa, é fascinante ver através da cabine, a forma como as pessoas se entregam ao poder da música e como através dela se lançam num espetáculo de luz e cor projetado em todas as paredes e telas, fazendo parecer que estamos todos dentro de uma cápsula do tempo, viajando a cada batida e a cada compasso num ritual de dança. Cabine essa que tem a particularidade de não ter separação com os participantes, o que permite uma interação permanente e a sensação de que todos fazem parte da mesma energia por igual. Não é difícil por isso, fazer por ali novos amigos, sentir o pulsar e gosto de cada um e trocar algumas palavras com quem está “do outro lado”.

Essa é a força do som e a felicidade suprema para quem passa música. Ver gente feliz e a dançar, salas cheias e animadas e a sensação de que se está a fazer parte de algo especial e transcendental. Esse é o objetivo primeiro de quem organiza, de quem faz parte, de quem se dedica e também de quem vai para ter algo de diferente. É também a prova de que não é preciso esperar pelas 3h ou 4h da manhã para se poder frequentar uma pista de dança e que ali somos todos iguais, todos à procura de momentos únicos. A sensação final de que a música e a relação que ela estabelece assume contornos surpreendentes!

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