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Manif. Pedro Nuno Santos já sabia

Manif. Pedro Nuno Santos já sabia

AFP Raquel Abecasis 23/02/2024 11:48

Ao contrário do líder do PS, que foi alertado e tinha reação preparada, Luís Montenegro foi apanhado de surpresa pela manifestação dos polícias no Parque Mayer. A Madeira ‘distraiu-o’.

Quando chegou ao final da tarde ao Capitólio, no Parque Mayer, para debater com Luís Montenegro, Pedro Nuno Santos já levava vantagem. Tinha conhecimento de uma informação preciosa que, aos olhos da maioria dos comentadores, lhe deu a vitória no debate dessa noite.

O secretário-geral dos socialistas já tinha sido informado sobre o desvio da manifestação inicialmente marcada para o Terreiro do Paço que um grupo de polícias preparava para a entrada do local onde o debate iria decorrer e já sabia que se tratava de uma iniciativa à margem das normas legais. As informações que chegaram à Polícia que estava de serviço chegaram também a Pedro Nuno Santos bem antes dos acontecimentos.

Quando os dois líderes chegaram ao Capitólio, por volta das 19.30h, nada fazia prever que poucos minutos depois um grupo de manifestantes da Polícia iria entupir a entrada do Parque Mayer, criando uma situação de potencial risco para quem se encontrava no local. A essa hora, à porta do Capitólio só estavam militantes da JS que para ali se deslocaram para aplaudir Pedro Nuno Santos e vaiar Montenegro.

 

Montenegro respondeu sem saber o que se passava na rua

À hora a que chegou ao Capitólio, o líder da AD estava preocupado com os desenvolvimentos da situação política na Madeira. Miguel Albuquerque tinha reunido a comissão política regional e convocou os jornalistas para uma conferência de imprensa que começou pouco antes de Montenegro abalar para o Capitólio. O anúncio da possível recandidatura de Albuquerque à liderança do PSD/Madeira prometia ser um dos temas quentes do debate e as decisões tomadas pelos sociais-democratas da região autónoma não tinham sido acertadas com a direção nacional.

Quando chegou ao local do debate, ainda sem vestígios da manifestação dos polícias, nos plateaus dos vários canais de televisão os comentadores antecipavam as dificuldades que o anúncio de Miguel Albuquerque poderia causar a Montenegro no debate. Adivinhava-se até que esse seria um tema central no frente-a-frente entre os dois líderes. O tema acabou por não merecer referência, porque, entretanto, chegou ao Parque Mayer a manifestação dos polícias de que Pedro Nuno Santos já tinha conhecimento e Luís Montenegro não. Esta foi a razão para a disparidade de respostas que, para a maioria dos comentadores, deu a vitória, logo no início, ao líder socialista. Pedro Nuno revelou sentido de Estado ao dizer «não negociamos sob coação» e Montenegro não se mostrou preocupado com o que se passava a escassos metros da sala, nem na resposta que deu inicialmente, nem ao não acompanhar o líder socialista depois de ouvir a sua resposta. A razão era simples, estavam a falar de coisas diferentes. Para Montenegro, o protesto dos polícias estaria a decorrer no Terreiro do Paço, como tinha sido vastamente divulgado.

 

Albuquerque ‘distraiu’ Montenegro

Luís Montenegro não estava à espera de novidades vindas do PSD/Madeira quando se começou a preparar para o debate mais importante da longa sucessão de frente-a-frente que se realizaram nas últimas semanas.

Foi no próprio dia em que se preparava para enfrentar Pedro Nuno Santos que o líder social-democrata foi surpreendido com a marcação de uma comissão política regional que deveria culminar no anúncio da recandidatura de Albuquerque à liderança do partido regional com o objetivo de regressar à presidência do governo madeirense.

O calendário não podia ser mais inoportuno para Montenegro, mas os calendários do PSD/Madeira ditaram a coincidência.

Depois da libertação de Pedro Calado sem indícios de qualquer prática ilícita, e depois de ter consultado o seu próprio processo, Albuquerque percebeu que tinha condições para inverter a sua saída. Para o conseguir em tempo útil (antes do dia 24 de março, data a partir da qual o Presidente da República pode dissolver o parlamento regional), Albuquerque tem que ser reeleito líder do PSD regional, podendo assim assumir o governo  com ou sem novas eleições. Os prazos estatutários para que a reeleição em diretas ocorra antes de dia 24 é muito apertado e tinha que começar no próprio dia do debate.

Fonte do partido regional disse ao Nascer do SOL que, «face à importância de salvar o poder na Madeira, a hipótese de perturbar o debate nacional nem se colocou». Cumprindo todos os prazos, que começaram com a reunião da comissão política de segunda-feira, as eleições diretas para eleger o líder do partido regional realizam-se à justa no dia 23 de março. Exatamente a véspera do dia a partir do qual Marcelo pode anunciar a dissolução do parlamento. Albuquerque está certo que a sua reeleição condicionará a decisão do Presidente.

 

Diretores de TV também não sabiam

O desconhecimento sobre o que se passava do lado de fora das portas do Capitólio estendeu-se também aos prórios diretores dos três canais de televisão, que, à hora da chegada dos manifestantes ao Parque Mayer, já se encontravam no interior do edifício para receber Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro. Enquanto os debatentes se maquilhavam para o debate, os diretores estiveram com as equipas de assessores que acompanhavam os respetivos líderes sem se terem apercebido do que se passava lá fora. As imagens dos ecrãs de televisão em silêncio, não chegaram para que os presentes na sala se tivessem apercebido do que se passava lá fora.

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