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Vassilis Vassilikos. Um autor empurrado das fábulas para a política

Vassilis Vassilikos. Um autor empurrado das fábulas para a política

Diogo Vaz Pinto 09/12/2023 19:59

1933-2023  Escritor e embaixador da Grécia na UNESCO

Vassilis Vassilikos, um aclamado escritor grego mais conhecido pelo seu romance político Z, de 1967, sobre o assassinato de um deputado grego e adaptado ao cinema por Costa-Gavras, morreu aos 89 anos. Sendo um escritor de fábulas e alguém que empurra a imaginação de modo a arquitectar novelas ou romances que funcionam como parábolas para o nosso mundo, e particularmente, para a realidade grega, o seu imaginário tem tanto de gótico como tem de uma acuidade à reflexão sobre os desafios da contemporaneidade. Os protagonistas dos seus primeiros livros eram jovens, introspectivos, desajeitados, inseguros de si próprios; arrastados por pensamentos confusos, sentimentos nebulosos. Pode dizer-se que foi a História que acabou por forçá-lo a graduar-se enquanto autor, a assumir responsabilidades às quais, de outro modo, ele se furtaria. «O nosso desejo é que a história seja escrita como foi e que nos seja dado nela o lugar que nos cabe», escreveu certa vez. Deu por si na lista negra do regime dos coronéis que haviam tomado o poder na Grécia em abril de 1967, e isto devido ao romance que viria a fazer dele um dos escritores gregos mais traduzidos em todo o mundo,  esse manifesto político em que relata o assassinato do deputado de esquerda Grigóris Lambrákis, em Salónica, e do inquérito conduzido pelo juiz de instrução Chrístos Sartzetákis, que seria presidente da Grécia duas décadas depois, entre 1985 e 1990. Esta denúncia da junta militar de extrema-direita viria a forçar o escritor ao exílio, mas o posterior sucesso do filme garantiria igualmente o sucesso internacional do original, traduzido em 32 línguas.

Depois de passar sete anos no exílio, até 1994 residiu e trabalhou em Itália, em França e nos EUA (Nova Iorque), com uma interrupção de três anos (1981-1984) durante a qual foi diretor-geral adjunto do canal público ERT durante o governo socialista de Andreas Papandreou. Regressado ao seu país, foi embaixador da Grécia na UNESCO, cargo que manteve entre 1996 e 2004. Foi um autor extremamente prolífico, tendo publicado mais de uma centena de livros, entre romances, peças de teatro e poesia. Em 2019, aos 86 anos, foi eleito deputado para o Parlamento grego, pelo Syriza.

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