10/12/2023
 
 

Vale Perdido, a celebração da música

São cinco os dias do festival que se vai perder entre a imponência da igreja de St. George, o multi-culturalismo do B.Leza, o espaço de eventos e concertos LISA e o novo complexo 8 Marvilla.

Chegados ao Outono, ao tempo frio e pouco convidativo para andar na rua, mudam-se as vontades e as ofertas culturais também. Se no Verão há festivais por todo o lado, concertos todos os dias e uma programação imensa que vai desde a cidade até à praia, por esta altura diminuem-se gradualmente os espaços disponíveis para realizar este tipo de eventos, com o risco de fazer algo ao ar livre e de a chuva ser impeditiva. As pessoas recolhem-se mais porque já não estavam habituadas a estas temperaturas e o pensamento começa a navegar até ao Natal até porque o dinheiro não estica e no Verão gasta-se normalmente mais. É por isso de acompanhar este novo projecto na capital do país mas que se move em diferentes zonas da cidade, bem eclético, diversificado e heterogéneo no que apresenta mas bem objectivo na ideia e nos conteúdos que pretende mostrar.

São cinco os dias do festival que se vai perder entre a imponência da igreja de St. George, o multi-culturalismo do B.Leza, o espaço de eventos e concertos LISA e o novo complexo 8 Marvilla. Muitos nomes interessantes para poder ouvir e novas tendências para descobrir entre uma ampla esfera de artistas nacionais e algumas novidades internacionais. Começando pelos internacionais, Joanna Sternberg, é uma artista americana num género Folk com traços de estilo hippie, com uma componente bem urbana num género de música experiencialista com uma voz a fazer lembrar a reconhecida Janis Joplin, num estilo meio depressivo e vulnerável mas definitivamente pungente. Também o japonês FUJI|||||||||TA, um nome que me desperta particular curiosidade, artista sonoro e compositor que desenvolve os seus próprios instrumentos, traz-nos o seu “majestoso órgão de tubos” controlado de forma manual, será aliás no primeiro dia na igreja anglicana.

Mas os espetáculos são muito mais sobre uma cultura aventureira e um espirito musical aberto e livre que nos fará com certeza serpentear pelos diferentes sítios sempre um bocadinho na expectativa sobre o que iremos encontrar, seja em termos musicais e sonoros como da proposta contemplativa. Um novo álbum de Nihiloxica (uma banda do Uganda que vale a pena ouvir), nomes consagrados que regressam ao nosso país como Luke Vibert ou Kléo, muita música electrónica e amplos estilos musicais que podem e devem satisfazer os desejos de todos. De Gabriel Ferrandini & Xavier Paes, Maria Reis, Polido ou Dj Caring mas uma especial referencia para as Batucadeiras das Olaias, um projecto comunitário de origem cabo-verdiana mas nascido no bairro Lisboeta e que depois do Festival Iminente e de muitas outras atuações de relevo aparecem com um dos nomes de excelência no cartaz.

É por isso para todos os gostos e em diferentes dias para que a expressão artística não se perca e não existam desculpas. De 15 a 19 de Novembro Lisboa volta a celebrar a música entre diferentes espaços e propostas bastante alternativas. Começa já esta quarta e vai até domingo. Mais um importante movimento que se inicia na cidade.

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