15/04/2024
 
 

Quem faz guerra é porque nunca soube o que é amor

Seja como for, a consequência é cruamente simples: há, continua a haver e haverá muitas mais, vítimas inocentes de ambos os lados.

Israel. Palestina. Não é uma questão de bons e maus. Há ainda quem chame de conflito israelo-palestiniano, como se se tratasse “só” de dois Estados em confronto. Os informados sabem muito bem que não é assim. Quem conhece o historial sabe que é muito mais complexo do que isso.

Seja como for, a consequência é cruamente simples: há, continua a haver e haverá muitas mais, vítimas inocentes de ambos os lados.

É uma questão de conflito todo ele mau. Haverá maus exemplos israelitas por anos de arrogância geopolítica, durante os quais os seus governos e muitos israelitas comuns sentiram que eram tão mais fortes do que os palestinianos que poderiam simplesmente ignorá-los.

Há muito mau exemplo a criticar sobre a forma como Israel abandonou a tentativa de fazer a paz com os palestinianos e manteve durante décadas milhões de palestinianos sob ocupação. Foram maus.

Mas isto não justifica as atrocidades cometidas pelo Hamas, que, de qualquer forma, nunca aprovou qualquer possibilidade de um tratado de paz com Israel e fez tudo o que estava ao seu alcance para sabotar o processo de paz de Oslo.

O que o Hamas lançou é claramente digno de gente desprezível, que nunca soube o que é o humanismo e por isso sabe provocar a morte de tantos inocentes. Quem faz a guerra é porque nunca soube o que é amor.

Como se sequestra idosos, bebés, matam-se pais em frente a filhos e queimam-se vivos pessoas que viviam felizes as suas vidas?

À hora a que estiver a ler este parágrafo, posso afirmar que infelizmente já se contabilizam mais de dois milhares de mortos, desde sábado passado, o triste dia em que o Médio Oriente, por razões horríveis, voltou a ter um protagonismo mediático que julgávamos que já não voltaria a ter.

Há, tenho essa convicção, bons corações em ambos os lados. Os maus de espírito, incapazes de ter amor pelo que seja, que provocam uma guerra sanguinária nunca podem ser pais de todos os bons que estão no seu país. E esses não merecem o cadastro de quem lhes está perto. Seja em que geografia for. Na Palestina ou na Rússia. Sejamos justos.

É difícil ter a consciencia crítica que enfrente a retórica fácil. Mas numa guerra há sempre maus dos dois lados também. Tenhamos a frieza de o ver.

Os tempos de paz foram, diria, uma ilusão global. Ao longo destas décadas recentes em que pensávamos estar a viver em paz, nunca deixaram de existir guerras, conflitos escondidos e ataques desmesurados aos direitos humanos mais ou menos mediatizados. Ou mais ou menos, infelizmente, publicitados.

O que está a ocorrer no Médio Oriente hoje é um bom (mau) exemplo deste pandemónio mundial. Digamos que de forma desprevenida, mas com consequências dramáticas, como sucede em todas as guerras, mergulhámos neste registo.

Aquela que foi uma das regiões mais martirizadas do planeta nas últimas décadas parecia estar a chegar a uma dita certa normalidade. Vejamos: Havia aproximações entre a Arábia Saudita e Israel, entendiamos as tentativas de alguma parte do bloco ocidental para criar pontes com o Irão, apesar de o regime continuar a desenvolver o seu plano nuclear e a persistir na repressão dos direitos humanos... Afinal, era tudo uma ilusão. Este fim-de-semana demonstrou que as organizações como o Hamas e o Hezbollah têm o poder para afundar toda essa parte do globo terrestre num caos.

Duvido, com pena, que exista amor ali. É aquilo que sinto, nesta fase em que não existem conclusões e todas as propostas alternativas ao que está a acontecer representam milhares de mortes para dois lados.

Nunca se deve dizer isto. Mas que este novo erro de percepção de paz mundial (que representa milhares de mortos inocentes) faça a maioria das pessoas pensar. Informar-se. E sobretudo que faça os líderes mundiais pautarem os seus discursos pela moderação, e não pelo populismo que o médio oriente viveu nestes anos também e a europa começa a ter em excesso, para que os concensos sejam efetivos e os acordos (de paz ou cooperação) sejam cumpridos e não ridicularizados.

 

 

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