20/04/2024
 
 

É inadiável a introdução dos Círculos Uninominais

Em termos económicos caminhamos para o abismo. A inversão desta trajectória tem de merecer a atenção, o empenho e a energia de todos. Para Portugal crescer não podemos ter a situação económica a definhar, alimentando “cancros’’que permanecem e tardam em ser debelados.

Tal como tenho mencionado anteriormente nestas colunas, Portugal vive uma situação muitíssimo preocupante. Em termos económicos caminhamos para o abismo. A inversão desta trajectória tem de merecer a atenção, o empenho e a energia de todos.

Para Portugal crescer não podemos ter a situação económica a definhar, alimentando “cancros’’que permanecem e tardam em ser debelados. Cada Euro tem de ser bem utilizado em prol do Desenvolvimento Económico e dos Apoios Sociais do Estado.

Nos últimos artigos mencionei algumas das “graves doenças” que ainda afectam a nossa economia. Escrevi, entre muitos outros, sobre o enorme escândalo da TAP que, desafortunadamente, só vem aumentando à medida que o tempo passa. Trata-se de um processo verdadeiramente vergonhoso. Recentemente foi emitido o Relatório da Inspecção-Geral de Finanças - Autoridade de Auditoria (IGF) sobre o acordo de saída da Empresa da Administradora Alexandra Reis, “Avaliação do processo relativo à cessação de funções de Administradora do Grupo TAP”, acordo esse assinado em nome da TAP pelo ex-Chairman e pela ex-CEO da TAP, Christine Ourmières-Widener. A ex-CEO não foi ouvida pela IGF por não falar a língua portuguesa! Francamente!! Pergunto-me: ninguém na IGF fala inglês ou francês? Não existem tradutores que possam fazer a tradução das informações prestadas em reunião? A conclusão a que chego é que a IGF só consegue dialogar em português ou só conhece a língua portuguesa!! Este procedimento envergonha os portugueses e as suas instituições! Um parecer assim elaborado, sem ser ouvida uma parte crucial neste processo, devia ter valor nulo. Acredito muito mais na legalidade do acordo de saída de Alexandra Reis da TAP emitido pelos dois reconhecidíssimos gabinetes de advogados portugueses que representaram as partes em conflito.

Lamento, mas neste assunto da TAP vejo uma quantidade de erros que me surpreendem muitíssimo. Para já a escolha de um gestor estrangeiro, neste caso de uma gestora, para dirigir uma empresa pública portuguesa com mais de seis mil trabalhadores! Mas, uma vez escolhida Christine Ourmières-Widener devia ter sido cuidadamente aconselhada e seguramente não o foi. Deviam-na ter aconselhado a como lidar com Alexandra Reis. Vejam os leitores que Alexandra Reis saiu da TAP para a Presidência da NAV, E.P.E. e daí para Secretária de Estado do Tesouro. Percurso notável, mas só acessível a quem tenha uma posição privilegiada nas, ou junto das estruturas do PS.

Ora, como dizia o saudoso político Jorge Coelho “quem se mete com o PS leva” e Christine Ourmières-Widener devia ter feito tudo o que estivesse ao seu alcance para gerir com Alexandra Reis, usando princípios de escuta profunda, convencimento e mostrar mesmo flexibilidade relativamente às soluções a serem implementadas. Diz-me quem sabe que nada disso aconteceu. Arranjou, portanto, graves problemas.

Assisti, no entanto, com espanto, a um Chairman e a uma CEO a serem exonerados por dois ministros em conferência de imprensa! Pensei que tudo já estava tratado. Quer dizer, acordos com os exonerados já feitos, documentos devidamente registados e assinados no livro de actas da  Assembleia-Geral da Empresa. Mas, afinal, nada disto estava feito, ou seja dentro de alguns anos iremos nós, portugueses, pagar elevadíssimas indemnizações de saída àqueles profissionais.

Já não me surpreendi nada com o que ouvi na Comissão Parlamentar de Inquérito da TAP, no que diz respeito à completa anarquia nas relações entre o ex-Chairman, a ex-CEO da Empresa,  três ministros e vários secretários de Estado! Com ministros destes seria difícil que as coisas corressem de forma diferente!

Insisto também, mais uma vez, que este desgoverno que há muito se vive no nosso país tem origem no nosso nefasto Sistema Eleitoral para a Assembleia da República. E que é fundamental para melhorarmos a qualidade da nossa democracia que se introduzam rapidamente Círculos Uninominais para a eleição dos Deputados da Nação, que a Constituição já permite  aliás desde 1997!

A APDQ-Associação Por Uma Democracia de Qualidade, em colaboração com a Sedes e sob a liderança de José Ribeiro e Castro, elaborou uma proposta de grande relevo de Reforma do Sistema Eleitoral, para uma Assembleia da República com 105 Deputados eleitos pelo mesmo número de círculos uninominais (em que é eleito só o deputado mais votado).  Esta proposta pode ser consultada no link:  https://lnkd.in/ervfVep6 

Quaisquer dúvidas podem ser esclarecidas e ou debatidas através do email: porumademocraciadequalidade@gmail.com

Empresário e Gestor de Empresas

Subscritor do “Manifesto:  Por uma Democracia de Qualidade”

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