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Professores do Ensino Superior mobilizam-se

Professores do Ensino Superior mobilizam-se

Sara Porto 11/03/2023 21:33

Estudo revela que há cada vez menos poder de compra no Ensino Superior, envelhecimento do setor e falta de atratividade.

Numa altura em que temos visto o ensino virado de pernas para o ar – com todas as manifestações e greves realizadas pelos professores e outros profissionais do ensino básico e secundário, que têm batido o pé por um conjunto de melhorias nas condições de trabalho – parece ser chegada a vez de os profissionais do ensino superior (professores e investigadores) se juntarem à luta.

O mais recente estudo do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) analisou a evolução dos salários para os vários índices das carreiras de investigador e de docentes do Ensino Superior, tomando em conta os valores da inflação, e concluiu que as perdas de poder de compra entre 2004 e 2023 se cifram em valores entre 22,07% e 27,65%, dependendo do nível remuneratório, e que apenas num único ano já longínquo (2009) se registou um efetivo aumento do poder de compra. Além disso, segundo o estudo, «há cada vez uma maior desvalorização daquelas que são das carreiras mais qualificadas da administração pública», o que significa que «também vão deixando de ser atrativas para os mais jovens». «Temos uma média etária que passou de 43 anos em 2007, para 48 anos, em 2021; há um grande número de colegas que estão próximos da idade da reforma. Temos em Portugal um número muito elevado de doutorados, mas precisamos que estas carreiras sejam atrativas», explica ao Nascer do SOL, a professora Mariana Gaio Alves, presidente do SNESup.

Segundo a dirigente, ao longo dos anos, o SNESup vem alertando para estas questões, chamando a atenção para a questão da precariedade: «Temos tido no caso do Ensino Superior em ciência um aumento exponencial de pessoas a trabalhar a tempo parcial e com contratos a prazo e contratos transitórios». «Temos, entre os professores cerca de 42 % precários e temos entre os investigadores 75% a 80%. Isto é grave», alerta, lembrando situações em que os professores estão contratados a 50% mas estão a trabalhar o número de horas que trabalha um professor contratado a 100%. «Isto desvaloriza as profissões, prejudica o bem estar e a qualidade de vida das pessoas que trabalham, mas tem consequências muito sérias para o país, porque  nós precisamos de fortalecer o ensino superior e ciência», garante a presidente da SNESup.

Está a decorrer, neste momento, uma petição ‘Pela valorização dos salários de investigadores e professores do ensino superior’. «Nós pretendemos que este assunto seja discutido na Assembleia da República. Agora, há cada vez mais a perspetiva de greves e de outras formas de protesto, porque efetivamente a situação está a deteriorar-se. Estamos a chegar a um ponto de rutura!», assegura.

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