06/02/2023
 
 

A noite e os horários

À medida que o tempo vai passando, os mais velhos vão saindo de cena para dar lugar aos mais novos e mesmo que isto seja normal dada a energia e as responsabilidades de uns e de outros, a verdade é que há espaço para todos, em diferentes horários e de uma forma bem natural.

  por José Paulo do Carmo

Numa breve passagem por Sevilha na semana passada, para festejar o aniversário de um amigo, tive oportunidade de sentir novamente o pulso das festas e do entretenimento daquela cidade. Acho que não é novidade para ninguém a vida de rua que os espanhóis fazem, os bares completamente cheios ao final da tarde, a festa que começa mesmo antes do jantar e a animação que se sente e que é transversal a várias gerações. À medida que o tempo vai passando, os mais velhos vão saindo de cena para dar lugar aos mais novos e mesmo que isto seja normal dada a energia e as responsabilidades de uns e de outros, a verdade é que há espaço para todos, em diferentes horários e de uma forma bem natural. Num passeio para digerir o almoço tardio de sábado passámos por vários espaços em plena festa e decidimos entrar num deles. Eram 19 horas e lá dentro parecíamos viajar num autêntico regresso ao passado, com músicas dos anos 80 misturadas com clássicos espanhóis e sevilhanas a fazer lembrar as playlists da nossa Feira da Golegã ou da OviBeja.

Se é certo que me senti um teenager, porque a média de idades fazia parecer uma festa sénior do INATEL, também não é menos verdade que os amigos com quem eu estava, bem mais próximos dessa faixa etária, se sentiram como peixe na água. Mas não eram só esses que por ali se animavam, eram amigos que se juntavam e festas de aniversário, uma delas, pelos balões com o número 28, seriam com toda a certeza de gente mais jovem, que não se importava muito de estar em minoria. Isto para dizer que é maravilhoso existirem ofertas para todos os gostos e que lá porque a idade vai passando por nós isso não significa que tenhamos que deixar de nos divertir, de sair para beber um copo ou de dançar ao som de uma música. Haja ofertas para todos os públicos, para que pessoas de diferentes idades possam ter a possibilidade de escolher entre ficar em casa ou de ir “abanar o capacete” um bocadinho. Claro que depois de jantar, os espaços que encontrámos e que nos recomendaram já refletiam idades mais próximas à minha e conforme o tempo foi passando, numa discoteca já pela noite dentro eram os miúdos de tenra idade quem mais reinava, salvo raras excepções.

Em Portugal ainda temos muito pouco a cultura de ir tapear ou de beber um copo ao final da tarde. Preferimos ir todos para casa tomar banho e pôr perfume para o jantar e depois sim, segue a diversão. Felizmente que, ao contrário do que se passava há 20 anos, hoje já se consegue jantar e beber um copo a seguir, em ambientes animados e que podem perfeitamente preencher a necessidade e ainda chegarmos a casa antes das 03h. Antigamente fazíamos horas para entrar numa discoteca, tentávamos puxar os jantares para um horário mais tardio porque não havia nada para fazer entre a refeição e as festas. Nesse particular, com o aparecimento dos “restaurantes dançantes” onde se pode jantar e beber um copo a seguir, conseguiu-se ultrapassar em certa medida esse problema mas também com uma nova oferta de bares que preenchem certamente esses requisitos.

Ficam-nos a faltar, ainda assim, os fins de tarde como chamam no Reino Unido os “after work”. Sítios de qualidade onde se possa petiscar alguma coisa, beber uns copos e dançar um pouco. Falta-nos, também é certo, cultura nesse sentido, que nos tire de casa ou que nos permita ir com amigos ou colegas a qualquer lado depois do trabalho. Sou cada vez mais adepto de começar mais cedo e terminar mais cedo, talvez pela idade ou porque valorizo cada vez mais as manhãs e não gosto de perder os dias por causa de noites anteriores. Mas não quero deixar de me divertir. Nisso temos muito a aprender com o nosso país vizinho, a forma como eles veem a diversão e como se relacionam entre si.

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