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Andebol. O Mundial mesmo à mão

Andebol. O Mundial mesmo à mão

João Sena 10/01/2023 21:10

Os “Heróis do Mar” querem levar bem longe o nome de Portugal no Campeonato do Mundo de andebol. A tarefa é árdua e pelo caminho encontram a Islândia, Coreia do Sul e Hungria.

Tem início amanhã o Mundial de andebol, a primeira grande competição do ano a nível de seleções, numa organização conjunta da Polónia e Suécia. Portugal garantiu o apuramento depois de vencer a Suíça e os Países Baixos nos playoffs, e vai estar pela quinta vez entre as 32 melhores equipas do mundo. O objetivo dos 18 “Heróis do Mar” – nome tirado do primeiro verso do hino nacional – é honrar a história de Portugal e fazer melhor do que o 10.º lugar alcançado em 2021. 

É uma seleção mais jovem e na máxima força que vai defrontar na fase de grupos duas equipas do centro e norte da Europa e uma asiática, um sorteio que não agradou ao selecionador nacional Paulo Pereira. “Não somos bons nos sorteios. Em termos teóricos, é dos grupos mais equilibrados, mas é ótimo estarmos numa grande competição e lutar ao alto nível para podermos avançar. Vamos ter de colocar tudo em jogo desde o início. O objetivo principal é chegar ao Main Round, depois definiremos outro objetivo. Oxalá consigamos melhorar a nossa marca”, disse o selecionador, que tem em mente garantir o acesso ao torneio de pré-qualificação para os Jogos Olímpicos de Paris em 2024.

Paulo Pereira analisou os adversários da fase de grupos. Sobre a Islândia, relembrou: “Nos últimos anos já ganhámos e perdemos. No último Mundial vencemos e isso ajudou-nos a passar ao Main Round, espero que a história se repita. Conhecemos bem a Islândia, é uma equipa forte, sobretudo nos duelos 1×1, e tem dos melhores ataque do mundo. Pode ser um jogo muito equilibrado e a decidir nos detalhes”. Em relação à Coreia do Sul, treinada pelo português Rolando Freitas, frisou: “Fico feliz por termos dois treinadores portugueses no Mundial, é sinal de que o andebol português está a crescer também ao nível de treinadores. A Coreia tem um modelo de jogo que assenta muito na capacidade e rapidez dos seus atletas. Teremos de ser muito bons na colaboração entre os defesas para poder superar este tipo de equipas, que nos causam muitas dificuldades”. O último jogo é com a Hungria, que “é uma seleção de altíssimo nível, mas já mostrámos que podemos discutir o jogo até final e ganhar”, disse Paulo Pereira. 

O capitão da seleção, Rui Silva, tem a máxima ilusão e as melhores expectativas: “Temos conseguido bons resultados, exceto no último europeu. Fizemos a melhor fase de qualificação de sempre a vamos conseguir a melhor classificação de sempre num Campeonato do Mundo”, fez questão de referir. 

O calendário de jogos é o seguinte: Islândia-Portugal, dia 11, às 19h30; Portugal-Coreia do Sul, dia 14, às 17h00 e Portugal-Hungria, dia 16, às 19h30. Todos os jogos serão transmitidos pela RTP2.

Melhorar a história A seleção nacional iniciou a preparação para o Mundial com o estágio em Rio Maior, onde foi dada especial atenção à forma física e afinados os aspetos táticos e técnicos individuais e coletivos tendo em conta os adversários que vai encontrar na Suécia. Participou depois num torneio na Noruega, onde venceu dois jogos (Estados Unidos e Brasil) e perdeu um (Noruega), conquistando a medalha de prata, atrás da seleção anfitriã. 

Esta é a quinta participação de Portugal no Campeonato do Mundo e, desde a sua estreia em 1997, tem vindo sempre a melhorar a sua classificação final: 19.º lugar em 1997, 16.º lugar em 2001, 12.º lugar em 2003 e, finalmente, o 10.º lugar em 2021. Esse último resultado permitiu que Portugal avançasse para o torneio de Qualificação Olímpica, onde eliminou Croácia e Tunísia e garantiu a primeira participação nos Jogos Olímpicos, terminando Tóquio 2020 na 9.ª posição. 

A qualidade do andebol nacional tem vindo a melhorar nos últimos anos e muitos jogadores atuam nas melhores ligas do mundo. Este poderá ser o Mundial da confirmação de duas estrelas em ascensão, os defesas Francisco e Martim Costa, dois irmãos que já conquistaram o andebol europeu, mas há outros jogadores-chave. Para Portugal ter sucesso será determinante ser consistente durante o jogo e contar com a inspiração dos seus pivôs. Luis Frade e Alexis Borges são dos melhores nessa posição, e a forma como vão aproveitar as oportunidade de golo, aguentar as marcações individuais e abrir espaços na defensiva adversária podem fazer toda a diferença. Portugal vai estar igualmente presente no Mundial com uma equipa de arbitragem formada por Duarte Santos e Ricardo Fonseca. 

Nórdicos favoritos A Dinamarca defende os títulos conquistados nas duas últimas edições, mas tem a forte oposição da Suécia, que joga em casa, e da França, o país com mais títulos mundiais (6). Não faltam razões para apostar todas as fichas nestas seleções. Nas últimas seis edições, a Dinamarca ganhou duas e foi vice-campeã outras duas vezes, e a França venceu quatro dos sete últimos mundiais e é campeã olímpica. Curiosamente, nas 27 edições do Campeonato do Mundo foram sempre equipas europeias a vencer. O recorde de golos marcados num único campeonato pertence a Kiril Lazarov. O jogador da Macedónia do Norte marcou 92 golos no Mundial de 2009.

As 32 melhores seleções do mundo estão divididas em oito grupos. As três melhores de cada grupo avançam para a segunda fase da competição, disputada por 24 equipas que ficam distribuídas por quatro grupos. As duas melhores seleções de cada grupo passam aos quartos de final, a partir daí é eliminação direta até à final.

Uma das principais missões da Federação Internacional de Handebol (FHI) é tornar as competições mais sustentáveis e neutras em carbono e projetá-las para uma política de desperdício zero. Nesse sentido, o Mundial é o primeiro campeonato na Suécia a obter a certificação “Evento Sustentável” através de detalhes como a separação de resíduos na fonte nos recintos de jogos, comunicação digital e garantia de que o café servido nos quiosques públicos tem o selo ecológico, outra medida é solicitar aos adeptos que usem transportes públicos nas deslocações para os pavilhões.

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