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Ucrânia. Ataques "misteriosos" contra o poderio aéreo russo

Ucrânia. Ataques "misteriosos" contra o poderio aéreo russo

João Campos Rodrigues 07/12/2022 08:45

Kiev não assume ataques contra bases aéreas em território russo, mas não resistiu celebrar. Mesmo assim, o Kremlin continua a bombardear.

A Ucrânia tem sido devastada por bombardeiros estratégicos, mísseis de longo alcance ou drones suicidas, mas mostrou que consegue retaliar. O Governo de Kiev – provavelmente para não perturbar os seus aliados mais preocupados com uma escalada no conflito – não nega nem confirma ter rebentado um depósito de combustível num aeroporto em Kursk, na Rússia, esta terça-feira. Um dia após audacioso ataques com drones contra bases aéreas russas, a mais de 450 km da fronteira, ameaçando a capacidade do Kremlin para destruir pedaço a pedaço a rede elétrica ucraniana.

Imagens mostram uma enorme explosão a iluminar o céu noturno de Kursk durante a madrugada, vendo-se ainda uma gigantesca coluna de fumo preto na manhã seguinte, devido ao incêndio num tanque de combustível. Fora resultado de um ataque com um drone ucraniano, anunciou o governador deste oblast, Roman Starovoyt. “Não houve baixas, o fogo foi localizado. Todos os serviços de emergência estão a trabalhar no local,”, garantiu no Telegram.

Para o Kremlin, esta demonstração da vulnerabilidade da sua retaguarda trouxe alguma humilhação, multiplicando-se as críticas dos mais extremistas nacionalistas russos quanto à qualidade das defesas aéreas do país. À semelhança do que já se via esta segunda-feira, quando o Ministério da Defesa russo admitiu os ataques nas base aérea de Engels-2, perto de Saratov, e na de Dyagilevo, em Ryazan. Acusando a Ucrânia de utilizar versões modificadas dos Strizh, um antigo drone de reconhecimento de fabrico soviético.

Já o Governo de Kiev pode não ter assumido publicamente a autoria destes ataques, mas não resistiu a celebrar. “Se algo é lançado para o espaço aéreo de outros países, mais tarde ou mais cedo objetos voadores desconhecidos vão voltar ao ponto de partida”, notou Mikhail Podolyak, um conselheiro de Volodymyr Zelensky, no Twitter.

De facto, a base Engels-2 fora crucial para a campanha de bombardeamento contra a infraestrutura elétrica ucraniana, sendo o lar do 121º regimento de bombardeiros pesados, cujos Tu-95 e Tu-160 lançam mísseis de longo alcance impunemente, a partir das alturas.

A estimativa é que a Rússia mantenha umas trinta destas aeronaves em Engels-2, apontou Rob Lee, um investigador do Foreign Policy Research Institute citado pelo Guardian. Mas as instalações em Dyagilevo talvez fossem ainda mais cruciais, não só hospedando algumas das aeronaves do 121.º regimento de bombardeiros pesados, mas sendo a sede da única unidade de aviões-tanque russos, a Il-78, responsáveis por abastecer os bombardeiros estratégicos quando estão em missão no ar.

Ainda assim, o regime de Putin insistiu na sua oitava vaga de bombardeamentos à Ucrânia, logo na noite dos ataques às bases de Engels-2 e Dyagilevo. Atingiram sobretudo a rede elétrica ucraniana no leste, deixando também Odessa sem luz. No entanto, para a próxima, se os ataques contra bases aéreas russas continuarem, talvez os estragos sejam menores.

“Eles terão menos equipamento de aviação depois de sofrerem estragos devido a estas explosões misteriosas”, notou o porta-voz da força aérea ucraniana, Yurii Ihnat. “Isto reduz as suas capacidades”, explicou.

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