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China. Após protestos, megacidades aliviam confinamento

China. Após protestos, megacidades aliviam confinamento

AFP João Campos Rodrigues 01/12/2022 13:33

Em Cantão há menos restrições, apesar do surto continuar. Pode servir com uma experiência social para uma reabertura, apontam virologistas.

Sob pressão de multidões furiosas, as autoridades chinesas já desapertaram o confinamento em duas megacidades: Chongqing e Cantão, que têm mais de 18 e 31 milhões de habitantes, respetivamente. O controlo do regime de Xi Jinping sobre a sociedade chinesa enfrenta um desafio sem precedentes.

Em Cantão, na noite anterior à cedência das autoridades, chegou a haver confrontos violentos com a polícia de choque, que avançou sobre manifestantes protegidos por escudos e fatos brancos contra a ameaça biológica. Vídeos mostravam a multidão a derrubar barreiras de confinamento e a retaliar atirando objetos contra a polícia. Depois, mais de uma centena de agentes tomaram de assalto este bairro confinado, contou uma testemunha à France Press, saindo de lá com vários detidos.

Por mais que as autoridades chinesas o neguem, tudo indica que terá sido a raiva dos habitantes a levar ao alívio das restrições em Cantão. O motivo certamente não foram considerações epidemiológicas, dado a megacidade estar a enfrentar o seu pior surto desde o início da pandemia, com quase sete mil novos casos de covid-19 registados na quarta-feira.

Mesmo assim, as autoridades locais anunciaram o fim das sucessivas rondas de testes massivos na cidade, levantando os confinamentos nos distritos de Haizhu, Baiyun, Fanyu, Tianhe, Conghua, Huadu e Liwan. Em Conghua as escolas até voltarão a abrir para ensino presencial. avançou, avançou a Reuters, voltando ainda poder-se ir a estabelecimentos como restaurantes ou cinemas.

Já o distrito onde decorriam confrontos violentos com a polícia esta terça-feira, Haizhu, continuará em confinamento. Algo que certamente dará muito jeito à polícia chinesa perseguir os moradores que se revoltaram.

O desapertar do confinamento em Cantão – em simultâneo com Chongqing, no sudoeste do país, onde será permitido que contactos próximos daqueles que derão positivo à covid-19 passem a sua quarentena em casa, em vez de ir para centros de isolamento – parece ser indicador de uma mudança brusca da posição do regime chinês. Que tinha insistido na sua política de “tolerância zero” perante a covid-19 por ordem de Xi.

“Acho que vão fazer um teste aqui em Cantão e ver se funciona, se mesmo  que façam menos testes em massa e não executem confinamentos tão estritos ainda assim conseguem manter a covid-19 sob controlo”, explicou Jin Dong-yan, virulogista da Universidade de Hong Kong, em declarações ao Financial Times. “Se funcionar podem tentar fazer o mesmo noutras cidades”.

Afinal, desde sexta-feira – quando um incêndio causou pelo menos dez mortos em Ürümqi, incluíndo crianças, havendo alegações que as vítimas não conseguiram escapar por as saídas de emergência estarem fechadas devido ao confinamento – que se assiste a atos de desobediência civil por toda a China, a uma escala sem precedentes durante o reinado de Xi.

Ainda esta terça-feira as autoridades chinesas mandaram os estudantes do ensino superior para casa, para evitar que as universidades continuassem a ser um ponto de encontro para dissidentes, enchendo de polícia as ruas de Xangai e Pequim. Uma demonstração de poderio contra “forças hostis” por trás dos protestos, nas palavras do órgão encarregue da segurança do partido comunista, que pediu mão dura, avançou a agência Xinhua.

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