08/12/2022
 
 
Será teimosia ou incompetência?

Será teimosia ou incompetência?

Sónia Leal Martins 25/11/2022 12:01

Em 2024 a Roménia – o país mais pobre dos atuais 27 Estados-membros - ultrapassará Portugal no ranking de desenvolvimento económico da União Europeia.

Nos últimos meses o Partido Socialista tem-nos vindo a apresentar um retrato do País que apenas eles conseguem ver. O PS fez do País, uma pequena maravilha, no entanto, esta visão não é acompanhada pelos diversos partidos da oposição, nem tão pouco por algumas Organizações Internacionais.

A Comissão Europeia anunciou que a sua previsão é que em 2024 a Roménia – o país mais pobre dos atuais 27 Estados-membros - ultrapassará Portugal no ranking de desenvolvimento económico da União Europeia.

Também a OCDE está mais pessimista quanto à evolução da economia portuguesa no próximo ano e deixa um aviso claro quanto ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) – é uma ferramenta determinante para o investimento público, mas os atrasos já conhecidos são um sério risco para a sua boa execução.

Os avisos e chamas de atenção das várias Instituições vão acontecendo cada vez com mais frequência, mas o Governo parece não estar preocupado, ora vejamos:

  1. O Governo deixou por executar 1,8 mil milhões de euros em apoios Covid-19 às empresas;
  2. A execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) não descola dos 5% há três meses;
  3. Tivemos um ano, mais uma vez, bastante afetado pelos fogos florestais, mas de acordo com a Secretária de Estado da tutela “ardeu 70% do que era suposto arder”;
  4. O início do ano letivo foi mais uma vez desastroso, mas o Ministro da Educação descansou-nos, apenas 60 mil alunos iniciaram o ano letivo sem professores a pelo menos uma disciplina, quando se esperava que fossem 100 mil alunos;
  5. Os problemas provocados pelo fecho sucessivo das urgências de hospitais e maternidades por todo o País não se esgotaram com o fim do verão. As urgências de continuam a encerrar por falta de profissionais. E não são só as urgências de obstetrícia e ginecologia, as Urgências Pediátricas do Hospital de São Bernardo encerram frequentemente por falta de profissionais;
  6. Em 2016, sem que nada o obrigasse, o Governo socialista decidiu reverter a privatização da TAP. Gradualmente, o Estado foi assumindo os riscos e as responsabilidades financeiras da companhia até que a nacionalizou a 100%. Seis anos e mais de 3.2 mil milhões de euros depois, o Governo quer privatizar a TAP novamente, dando como certo que os contribuintes perderão o dinheiro entretanto injetado na empresa;
  7. Corte de 100 mil milhões - um corte permanente de mil milhões de euros nas pensões futuras, a partir de 2024. E em 2023, os pensionistas têm uma perda real de rendimentos e de poder de compra;
  8. O Governo tem vindo a demonstrar com frequência aquilo que é o seu conceito de justiça social - opta por atribuir a todos, generalizadamente, meia pensão a título de suplemento extraordinário. Quem tem pensão de 300€ recebe 150€, quem tem pensão de 3000€ recebe 1500€!
  9. A 21 de abril de 2021 o Governo anunciou que iria pagar através do Fundo de Solidariedade da União Europeia as despesas dos Municípios com o combate à pandemia de Covid-19, a 16 de novembro de 2022 – 1 ano e meio depois – o Governo anuncia que não tem como pagar às autarquias as despesas que assumiram, substituindo-se ao Estado – é uma injustiça perante os munícipes – e um desrespeito pelo Poder Local, que tantas vezes se vê obrigado a substituir o Estado Central;

Não fosse a falta de capacidade e competência do Governo suficientes para a preocupação de todos nós, perante todas as perspetivas económicas e sociais que se adivinham, ainda temos de assistir quase diariamente a “casos” e mais “casos” dentro do próprio Governo por alegadas incompatibilidades, envolvendo o Ministro da Saúde, o Ministro das Infraestruturas, a Ministra da Coesão Territorial, a Ministra da Presidência, o Ministro das Finanças, o Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro, enfim, tantos que podemos cair no erro de nos esquecermos de algum – e assim vamos, caminhando a passos largos para o precipício. No final virão os mesmo de sempre resolver o caos instalado.

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