08/12/2022
 
 

Mama Shelter

Antigamente em Portugal os hotéis eram tão conservadores que as pessoas que não estavam hospedadas tinham quase vergonha em passar da porta, quer para o restaurante ou para o bar. No Mama Shelter tudo rompe com esses princípios. 

Apresentam-se, não como um hotel tradicional, mas como um espaço de entretenimento e restauração que por acaso também tem quartos. No fundo é por aqui que começa a mensagem que se sustenta numa ideia que sempre vingou lá fora mas que por cá teimou em chegar. A hotelaria não devem ser apenas quartos mas sim um conjunto de serviços sustentados pela ideia de que cada quadrado, sobretudo no centro das cidades, é um luxo que deve ser rentabilizado nas diversas horas do dia e nos diferentes espaços e não deve servir apenas para dormir. Antigamente em Portugal os hotéis eram tão conservadores que as pessoas que não estavam hospedadas tinham quase vergonha em passar da porta, quer para o restaurante ou para o bar. No Mama Shelter tudo rompe com esses princípios. Para quem não conhece a marca francesa, arrojada e divertida, aquilo que posso dizer é que se procuras um hotel tranquilo e discreto este não é definitivamente para ti. À entrada uma mesa de matraquilhos dá-te logo a ideia do que podes encontrar. Lá dentro três espaços. Ou melhor quatro, porque a casa de banho aqui também faz parte do espetáculo. Explico mais à frente. A decoração é sempre pensada consoante a cidade onde se situa. Neste caso, além das cores que puxam logo à festa, a temática vai buscar a simbologia marítima portuguesa, os azulejos da Viúva Lamego e peças de Bordallo Pinheiro. Gostei da salada de queijo cabra com romã ao almoço e ao jantar o piano grelhado com molho barbecue é muito bom.

O bar enorme no centro da sala tem o problema de no inicio da noite estar coberto de pessoas que se sentam nos bancos altos e ficam a beber um cocktail tapando praticamente o acesso ao mesmo. Depois de jantar, vira festa. As mesas passam a ser mesas de apoio formando uma espécie de labirinto por onde as pessoas vão circulando e dançando com djs convidados que passam música bem diferente em cada noite. Umas vezes gostei mais, outras menos, mas sempre senti um ambiente bem acima do habitual e sempre com uma animação que vai emprestando magia a cada momento a horas que permitem ao comum dos mortais divertir-se e ainda ir cedo para casa mesmo aos dias de semana, o que é praticamente uma exceção por estes dias em que Lisboa se vai concentrando sobretudo ao fim de semana. Há sempre um ou outro apontamento que marca a diferença. O ponto alto é para mim as festas que vão acontecendo de quando em vez às quartas feiras, sempre com uma temática que puxa a um dress code que quase obriga as pessoas a entrarem no ritmo. Esta semana a Mama dizia “Summer is never over” com uma imagem da mítica série Baywatch e lá dentro, além dos colares havaianos, quem foi sabia ao que ia e mostrava estar disposto a entrar no espírito.

Estas festas têm a particularidade de terminar na sala principal à 01h30 mas desengane-se quem pensa que se fica por aqui.  Somos convidados a descer até às casas de banho, sim, às casas de banho, onde a festa continua até às 03h00 num estreito corredor onde é montada uma mesa de som e umas colunas onde outro dj vai animando os mais resistentes. Grande ambiente, pessoas disponíveis para dançar e onde se sente um ligeiro toque de uma saudável loucura. Um espaço onde quem gosta de beber uma boa bebida em copo de vidro e de dançar durante a semana, se sente como peixe na água e que muita falta faz, especialmente num horário que permite isso tudo e trabalhar no dia seguinte. Nos quartos, além da decoração a condizer existem uns packs meio kinky para os casais que se querem divertir usando um pouco a imaginação.

Por último o rooftop. Excelente decoração, com espaços e recantos, com cadeiras, sofás e grandes almofadas, confortável e ao mesmo tempo com aquele toque misterioso. Embora a ideia não seja ter restaurante lá em cima, achei a carta de pratos para picar fraca e como ponto negativo a abertura nos vidros que protegem o espaço, deixando passar aquele vento frio que muitas vezes invade Lisboa até mesmo no Verão, sobretudo num ponto alto como este. Tudo o resto é de facto uma excelente novidade que vem trazer uma outra alma sobretudo a esta zona da cidade, bem junto ao largo do Rato. Um espaço para descobrir e para se ir descobrindo, ótima escolha para beber um copo de semana, com festas bem produzidas e conteúdos que não são escolhidos ao acaso. Excelente aposta. Fico à espera da próxima quarta.

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