08/12/2022
 
 

A imprescindível reforma do Sistema Eleitoral!

É crucial criarmos condições para retermos os nossos jovens talentos. O país tem condições naturais fantásticas e só não os retemos graças à falta de profissionalismo e de saber da nossa classe governante.

Tal como já mencionei anteriormente nestas colunas, Portugal vive uma situação muito preocupante. Em termos económicos caminhamos para um abismo e a inversão desta trajectória tem de merecer a atenção, o empenho e a energia de todos.

Para melhorarmos o nosso nível de vida e podermos reter os nossos talentos é fundamental que Portugal tenha, nas próximas décadas, o objectivo claro de crescimento económico bem maior do que o da média europeia.

Para Portugal crescer, não podemos ter a situação económica a definhar alimentando ‘’cancros’’ que permanecem e tardam em ser debelados. Todo o dinheiro tem de ser bem utilizado em prol do Desenvolvimento Económico e dos Apoios Sociais do Estado. É crucial criarmos condições para retermos os nossos jovens talentos. O país tem condições naturais fantásticas e só não os retemos graças à falta de profissionalismo e de saber da nossa classe governante.

Já recentemente fiz aqui referência ao estudo feito pelo competentíssimo Economista Prof. Abel Mateus, que num Quadro das Estimativas da Má Afetação de Recursos na Economia Portuguesa de 1995 a 2019, indica o impressionante valor de 82.240 milhões de euros de custos ociosos e investimentos desnecessários.

E os problemas não foram estancados em 2019, bem pelo contrário. Os cancros que minam a nossa economia continuam bem activos. Aqui menciono alguns:

- No Sistema Eléctrico Nacional lamento muito que tenhamos fechado as nossas centrais a carvão, enquanto a Alemanha, a Polónia e a Espanha reabriram as suas por questões económicas! Será que é por sermos muito ricos que as fechamos? Sabe o Leitor que esse fecho contribuiu para o aumento do custo da energia eléctrica em Portugal? E sabe o Leitor que apesar de termos uma capacidade produtiva instalada em Portugal muito acima do consumo, estamos, em muitos dias, a importar mais de 30% da energia por nós consumida? E sabe ainda que quando importamos energia eléctrica produzida nas centrais a carvão de Espanha as taxas de carbono por nós pagas vão para o estado espanhol? E sabe que o Governo só não volta a reactivar as nossas centrais a carvão para não perder a face?

- Na ferrovia o Governo insiste em fazer investimentos de milhares de milhões de euros em linhas ferroviárias de bitola ibérica, em vez de as fazer em bitola europeia UIC. Ligaríamos os nossos portos e as nossas zonas industriais ao centro da Europa sem a necessidade de transbordos custosos e lentos em Espanha. Esta decisão vai originar a transferência de importantes unidades industriais de Portugal para Espanha ou para outos países europeus, para se localizarem mais perto dos centros consumidores. Seremos, infelizmente, uma ilha ferroviária quando a ferrovia vai, sem dúvida ter, na Europa, uma importância acrescida.

- Ainda sobre grandes unidades industriais exportadoras chamo a atenção da importância das 40h de trabalho semanais para que com três turnos se perfaçam as 24 horas do dia. Portugal precisa de aumentar o montante das suas exportações sobre o PIB e gostava de alertar todos para o facto de que só se instalarão em Portugal importantes unidades produtivas se no nosso país for economicamente viável a implementação de laboração contínua (7X24).

Já em artigos anteriores expliquei porque foi um enorme erro para o Serviço Nacional de Saúde e para outras estruturas do Sector Público Estatal, que têm de funcionar em laboração contínua, a passagem das 40 h para as 35 horas semanais. Falam agora em 4 dias de trabalho semanais? Em que condições? Este Governo não aprende com os erros? Quanto mais tarde aprender mais custará aos portugueses!

Insisto, mais uma vez, que o desgoverno que há muito se vive no nosso país tem origem no nosso nefasto Sistema Eleitoral para a Assembleia da República. E que é fundamental introduzirem-se rapidamente Círculos Uninominais para a eleição dos Deputados da Nação, que a Constituição já permite.

A APDQ-Associação Por Uma Democracia de Qualidade, em colaboração com a Sedes e sob a liderança de José Ribeiro e Castro, elaborou uma proposta de grande relevo de Reforma do Sistema Eleitoral, para uma Assembleia da República com 105 Deputados eleitos pelo mesmo número de círculos uninominais (em que é eleito só o deputado mais votado). Esta proposta pode ser consultada no link: https://lnkd.in/ervfVep6

Volto a afirmar que a iniciativa da Sociedade Civil, com a desejável participação em força dos mais jovens, é absolutamente fundamental para o desenvolvimento deste Projecto de enorme relevância cívica, política e económica.

Quaisquer dúvidas podem ser esclarecidas e ou debatidas através do email: porumademocraciadequalidade@gmail.com

 

Empresário e Gestor de Empresas

Subscritor do “Manifesto: Por uma Democracia de Qualidade”

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