08/12/2022
 
 
Bar LGBT+. Quem são os heróis que impediram que massacre no Clube Q fosse maior?

Bar LGBT+. Quem são os heróis que impediram que massacre no Clube Q fosse maior?

AFP Jornal i 23/11/2022 16:08

“Tenho de matar este tipo”, pensou Richard Fierro, antes de se lançar contra o atirador que matou o seu genro.

Um veterano e um artista de drag agarraram um atirador, que estava armado com uma pistola e uma espingarda estilo AR-15, num ato heroico que travou o massacre no Club Q, um bar LGBT+ no Colorado. “Não sou um herói”, assegurou Richard Fierro, de 45 anos, esta terça-feira, numa conferência de imprensa. Fierro contou com ajuda de Thomas James para imobilizar o assassino, revelaram as autoridades. Bem como dos instintos que adquiriu ao longo de 15 anos no exército americano, incluindo missões no Afeganistão e Iraque, permitindo-lhe salvar a mulher e a filha. Mas não o seu genro, Raymond Vance, de 22 anos, um dos cinco mortos no atentado.

Nesse sábado, os Fierro estavam bem-dispostos, tinham saído em família para ver um amigo da filha atuar como drag queen. Richard até estava a gostar. “Estes miúdos querem viver assim, desfrutar”, contou. “Fico feliz com isso, porque foi por isso que lutei, para que eles possam fazer o que raio queiram”.

Subitamente, ouviram-se tiros no Club Q. Por momentos, alguns clientes pensaram que pudesse ser só um efeito sonoro, contaram à CNN. Mas não este veterano, que ainda tentava adaptar-se à vida civil. Tendo até apoio psicológico para enfrentar a dificuldade em descontrair e lidar com multidões, após perder amigos próximos e ser galardoado com duas estrelas de bronze, por mérito em combate.

Enquanto a família se escondia debaixo da mesa, Fierro não hesitou. “Tenho de matar este tipo. Ele vai matar a minha filha, vai matar a minha mulher”, pensou. Enquanto Anderson Lee Aldrich, de 22 anos, perseguia vítimas pátio adentro, Fierro correu. “Agarrei-o pelas costas do colete à prova de bala dele e atirei-o ao chão”, contou.

O atirador largou a espingarda e lutaram no chão, enquanto Fierro lhe tirava a pistola e lhe batia repetidamente com ela. “Uma das artistas estava a passar e eu disse-lhe: ‘Dá-lhe pontapés’. E ela agarrou nos saltos altos e enfiou-os na cara dele”, continuou o veterano. O heroísmo valeu-lhe o aplauso da comunidade, mas também novos traumas. “A minha mulher, a minha filha, nunca deviam ter experienciado o combate aqui em Colorado Springs”, admitiu Fierro à CNN, com lágrimas no rosto. “Toda esta situação foi muito com que lidar”.

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