29/11/2022
 
 

As traquinices de Marcelo e as virgens ofendidas

O Presidente podia ter seguido o exemplo de Joe Biden e fazia uma chamada por videoconferência e anunciava que ia ao Qatar se Portugal chegasse às meias-finais, mas isso não lhe dava gozo.

Marcelo Rebelo de Sousa cada vez mais parece um menino traquinas que justifica as suas diatribes com as desculpas mais esfarrapadas. Já se sabia que o Presidente da República queria muito ir ao Qatar, calcula-se que não prescinda de ir ao balneário dar os seus famosos apertos de mão aos craques da seleção, mas escusava de trazer de volta Cavaco Silva e José Sócrates para a discussão. Argumentar que aquando da escolha do Qatar para a organização do Mundial de 2022 os dois responsáveis, Presidente e primeiro-ministro, respetivamente, não levantaram objeções à decisão da FIFA, não lembra mesmo ao careca.

Marcelo não precisava de dar uma resposta tão esdrúxula, mas o Presidente é mesmo assim: sempre fora da caixa e pondo mais alguém ao barulho.

O Presidente podia ter seguido o exemplo de Joe Biden e fazia uma chamada por videoconferência e anunciava que ia ao Qatar se Portugal chegasse às meias-finais, mas isso não lhe dava gozo. Confesso que não estou naquele grupo de ofendidos que acham que Marcelo está a legitimar as atrocidades de que se fala - nomeadamente a morte de milhares de migrantes e o não respeito pelas mulheres, embora só se fale nas questões LGTBI+...

Em 2018, aquando da realização do Mundial na Rússia poucos falaram na falta de democracia na pátria de Putin. E não havia já a invasão da Crimeia, a tortura e a morte de opositores, bem como a perseguição à comunidade gay? Havia sim, e muito. Mas agora está na moda estes histerismos e muitos se esquecem dos negócios que fazemos com países tão pouco democráticos como o Qatar.

Além de que, como prova o passado - depois do escândalo que foi a atribuição ao Qatar do Mundial -, resta fazer barulho para chamar a atenção dos supostos crimes cometidos, à semelhança do que se fez no Campeonato da Argentina, em 1978, em que as Mães da Praça de Maio conseguiram ganhar um protagonismo que não tinham até aí. Basta ir aos arquivos e ver os documentários que foram feitos e de como as mães de filhos desaparecidos alcançaram um palco mundial.

P. S. Tanto quanto me lembro, a seleção holandesa, que perdeu a final, recusou cumprimentar o ditador Jorge Videla, dando mais uma ajuda às Mães da Praça de Maio. À semelhança do que está a fazer no Qatar a seleção iraniana, chamando a atenção do mundo para o que se está a passar no seu país.

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