29/11/2022
 
 

Um país de marias vai com as outras

Resumindo: 140 alunos decidiram o que acontece num campus frequentado por cerca de cinco mil! 

Compreendo muitas das dúvidas que tem suscitado o Mundial do Qatar. O pequeno emirado não se rege propriamente pelos princípios democráticos que defendemos e, claro, não tem um cadastro impecável em termos de direitos humanos.
Mas não deixa de ser estranho que os apelos ao boicote só tenham ganho mais força quando já não havia muita coisa que pudesse mudar. E desconfio que os apelos a que o Presidente não vá assistir aos jogos da Seleção nacional venham de grupos que se preocupam menos com os direitos humanos do que com a nossa política interna e que, no fundo, usam a deslocação do Presidente para atacá-lo, diminuí-lo e acusá-lo de convivência com um regime criminoso.

Mas o caso mais ridículo é o da Nova School of Business and Economics, que logo pelo nome se vê como é modernaça. A instituição tinha montado uma tenda onde iam ser transmitidos os jogos do Mundial, mas como um grupo de alunos assinou uma petição contra, a faculdade decidiu recuar, como normalmente fazem os bravos e os corajosos. Ao transmitir os jogos, diziam os 140 alunos, ia “dar um palco à violação dos direitos humanos”.

Resumindo: 140 alunos decidiram o que acontece num campus frequentado por cerca de cinco mil! Ora aí está uma bela lição de democracia.

Mas há mais. A ausência de qualquer referência àquilo que interessa a milhões de pessoas, ou seja, a competição e o desporto, mostra bem o quanto estes grupos se interessam por futebol: zero. O que lhes interessa é fazer política. Não importa o que podem fazer quanto aos direitos humanos no Qatar, mas sim a influência que podem ter em Portugal, seja à boleia do mundial, dos combustíveis fósseis ou de qualquer outro tema que esteja na ordem do dia.

Estão no seu direito, obviamente. O problema é quando instituições como a Nova SBE vão atrás destas modas, como autênticas marias vai com as outras. No dia em que transmitir um jogo de futebol passar a ser um crime, como alguns se calhar pretendem, aí sim, devemos ficar preocupados, porque é sinal de que alguma coisa está muito errada.

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