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Nove meses após ter sido agredida com um machado pelo ex-companheiro, Susana Sousa morreu

Nove meses após ter sido agredida com um machado pelo ex-companheiro, Susana Sousa morreu

DR Maria Moreira Rato 14/10/2022 21:29

A mulher, que completaria 42 anos a 4 de novembro, foi vítima de uma tentativa de homicídio levada a cabo pelo companheiro de 25 anos.

Nove meses depois de ter sido brutalmente agredida com um machado pelo ex-companheiro de 25 anos, Igor Nave, Susana Sousa, de 41, perdeu a vida esta quinta-feira. A notícia foi avançada pela Beira Baixa TV que, na sua página oficial do Facebook, escreveu: "Susana Paula Amaral de Sousa, 41 anos, natural da Horta, Açores, residente no Teixoso, Covilhã O velório decorre a partir das 16h00 de hoje, sexta-feira, dia 14, na Casa Mortuária do Teixoso. O funeral realiza-se amanhã, sábado, 15 de Outubro, às 15h00, no Crematório de Castelo Branco. Beira Baixa TV manifesta as mais sentidas condolências à família enlutada".

À época, o Nascer do SOL anunciou que Susana, no dia 6 de janeiro, estava em casa com o filho de 17 anos - que padece de problemas cognitivos - quando o agressor invadiu a sua habitação e cometeu o crime, colocando-se em fuga no carro da vítima. Para além do filho adolescente, a vítima de violência doméstica tem mais dois filhos, menores de idade, que não se encontravam na habitação por estarem em casa do pai.

A mulher foi submetida a uma intervenção cirúrgica na noite desse mesmo dia e lutava pela vida no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, sendo que terá passado três horas numa ambulância até o seu transporte para aquela unidade ser dado por concluído, como o Nascer do SOL tinha avançado. Entretanto, devido a complicações de saúde, nomeadamente infeções por covid-19 e pulmonares, o seu estado de saúde deteriorou-se e não resistiu. 

Naquela noite, no início deste ano, o alerta foi dado pelas 00h30 e o agressor esteve a monte até à tarde de hoje. A detenção do homem foi anunciada por uma amiga da vítima de violência doméstica que partilhou a seguinte mensagem no Facebook: "Susana. Estou a lutar, pelo menos, para se fazer justiça! Nem que só tenha os teus pais e quem te ama a dar-te força! Mana, estou a lixar-me para a opinião alheia! Está muita gente do teu lado e uns quantos a pensar que não pode ser! Mas é. Infelizmente, não consigo aceitar! E não vou aceitar! E tu estás a aguentar-te... és uma guerreira!!! Portugal está contigo!! E sobretudo: Deus está a teu lado a acompanhar os médicos neste momento! Não vou parar!!! Não vou!". 

Essa mesma amiga entrou, de imediato, em contacto com a ativista dos direitos humanos Francisca de Magalhães Barros que, agora, ao ter conhecimento do desfecho desta história, diz ao Nascer do SOL: "Mais um trágico homicídio que ocorre de forma macabra no nosso país em contexto de violência doméstica. Falta de medidas preventivas. Não por falta de queixas. Não por falta de alertas!", evidencia a também cronista e pintora, lembrando que Igor Nave estava referenciado pela GNR da Covilhã. "Estou a planear algo que espero que lhe dê um pouco de tranquilidade e mostre que os nossos tribunais estão a falhar não só com todas as mulheres, mas com todas as crianças. Quando as mães morrem, quando são violentamente atacadas, os filhos assistem. Este ano está a ser trágico, absolutamente trágico!", exclama com indignação. 

Até há três semanas, segundo a CNN Portugal, tinham sido assassinadas 22 mulheres. Susana completaria 42 anos no dia 4 de novembro.

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