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Vingança de Putin lança terror sobre Kiev

Vingança de Putin lança terror sobre Kiev

AFP João Campos Rodrigues 11/10/2022 08:24

Após o ataque contra a ponte de Kerch, joia da coroa de Putin, foram bombardeados alvos civis por toda a Ucrânia.

Mostrando-se de orgulho ferido pelo ataque contra a sua preciosa ponte de Kerch, entre a Crimeia e a Rússia, Vladimir Putin lançou ataques massivos e indiscriminados contra alvos civis, de Kiev, a Odessa, Kharkiv ou Lviv. Ameaçando que a escalada pode não ficar por aqui. “Que não haja dúvida”, declarou o Presidente russo, perante as câmaras, dirigindo-se ao seu conselho de segurança. “Se as tentativas de ataques terroristas continuarem, a resposta da Rússia será severa”. Levando aliados da Ucrânia, como a Alemanha, a comprometerem-se ainda mais com a sua defesa, enquanto um dos poucos amigos do Kremlin, a Bielorrússia, ameaçava os ucranianos. 

Kiev já não via um horror assim desde o início da guerra. Mesmo aí, os alvos russos pareciam ser sobretudo militares. Desta vez, mísseis russos atingiram a ponte Klitschko, nomeada em honra do presidente da Câmara, feita de vidro e atravessando o rio Dnipro, que servia pedestres e bicicletas e tem uma das vistas mais populares entre turistas. Assim como uma das mais movimentadas estradas da capital ucraniana, em plena hora de ponta. Foi destruída uma marshrutka, ou seja, uma das carrinhas taxis tão populares na Ucrânia (foto acima). 

O objetivo do Kremlin foi massacrar o máximo de civis possível, acusou Volodymyr Zelensky. “Eles querem pânico e caos”, frisou o Presidente da Ucrânia, explicando que o principal alvo do Kremlin foi a infraestrutura energética ucraniana, estando o  inverno à porta, com as temperaturas a começar a baixar. “O segundo alvo foram as pessoas. As horas e os alvos foram especialmente escolhidos para causar o máximo de estragos possível”. 

É difícil ter uma leitura diferente de Zelensky. Quando sirenes soaram em Kiev, pouco antes do começo das aulas, crianças tiveram de fugir de um parque infantil, onde cairia um míssil. A Filarmónica Nacional da Ucrânia também foi atingida, anunciou o ministério da Cultura, assim como vários museus. 

“Foi horrível. Num instante apareceu um buraco nas nossas vidas”, relatou Olena Badakh, uma avó cujo apartamento tem vista para o parque infantil em Shevchenko, falando à BBC. “Passei a minha vida inteira aqui. Fui à escola aqui. Limpei o parque, plantei relva. O meu filho e agora o meu neto cresceram aqui”, lamentou o marido de Olena, Valeri, perto da cratera. “Há sempre tantos miúdos aqui”.

Se o objetivo de Putin era desmoralizar os ucranianos, o que não faltou foi gente que ficou ainda mais determinada em enfrentar os invasores. “Não sei no que Putin está a pensar. Não consigo sequer dizer se está doente ou a tentar assustar-nos”, disse Tetiana Kononir, uma residente que observava a limpeza do parque Shevchenko enquanto conversava com um correspondente do Guardian. “Isto só nos une ainda mais”. 

 

Humilhação Se a explosão na ponte de Kerch - esta não foi reivindicada pelo Governo de Zelensky, que apontou o dedo a um eventual conflito entre o aparelho de segurança russo e os mercenário da Wagner, que ganham cada vez mais peso nas operações de guerra - foi motivo para celebrações de ucranianos nas redes sociais, para Putin foi mais uma humilhação.

Ainda por cima sendo a Crimeia a joia da coroa do Kremlin na Ucrânia. É difícil saber quão impopular a atual invasão é, mas a anexação desta península, em 2014, foi amplamente apoiada pelos russos, causando um pico na popularidade de Putin e não sendo sequer questionada pela oposição, incluindo por figuras como Navalny.

Este ataque contra a ponte de Kerch surgiu numa altura em que muitos russos se viram contra o esforço de guerra, devido à mobilização militar parcial. Enquanto muitos dos mais fervorosos nacionalistas se insurgiam contra Putin, exigindo que seja mais dura. O massacre de civis em cidades ucranianas já satisfez alguns deles. 

“Nós avisamo-vos, Zelensky, que a Rússia ainda não tinha começado a sério”, escreveu no Telegram, Ramzan Kadyrov, o senhor da guerra que controla a Chechénia, que nas últimas semanas se atrevera a criticar publicamente generais russos. “Agora estou 100% satisfeito com a forma como a guerra está a ser conduzida”.

No entanto, se 45 dos 75 mísseis disparados sobre cidades ucranianas esta segunda-feira foram intercetados, anunciou Kiev, talvez os próximos ataques russos sejam mais difíceis. Tendo até a Alemanha, tão reticente em enviar armamento para a Ucrânia, decidido enviar sistemas de defesa antiaérea IRIS-T SLM já nos próximos dias.

“O renovado fogo de mísseis sobre Kiev e muitas outras cidades mostra o quão importante é fornecer à Ucrânia sistemas de defesa aéreos rapidamente”, declarou a ministra da Defesa alemã, Christine Lambrecht.

Já a Bielorrussia parece ponderar entrar na guerra, formando um grupo militar com a Rússia. Mas há dúvidas que isso seja mais do que uma ameaça. “Estou cético da Bielorrússia entrar no conflito”, avaliou William Alberque, investigador do International Institute for Strategic Studies, à France Press. “As tropas bielorrussas estão sobretudo dedicadas a reprimir o seu próprio povo”, lembrou.  

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