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Campeonato. Das margens do Ave aos gigantescos picos do Evereste...

Campeonato. Das margens do Ave aos gigantescos picos do Evereste...

AFP Afonso de Melo 07/10/2022 20:47

Depois de receber o Rio Ave (amanhã às 18h), o Benfica vai a Paris e ao Porto antes de receber a Juventus – tudo numa semana!

E depois de dois dias de futebol a sério, isto é, com emoções para dar e vender como é próprio da Liga dos Campeões, eis-nos de regresso, ainda que por instantes – terça-feira já há outro PSG-Benfica –, à pobreza do nosso pontapé-na-chincha de um campeonato super-inflacionado e que nos oferece todos os fins de semana, uma série de jogos, desculpem lá a expressão, que não interessam nem ao menino Jesus. De tal forma que atraem aos estádios tão pouca gente que parecem disputados à porta fechada.

Mas, enquanto não houver a clarividência de perceber que, na sua generalidade, o nível competitivo é tão baixo que exige uma tomada séria de posições e não converseta de vão de escada, valem as partidas das quais os três grandes são protagonistas como únicos candidatos ao título, e já tive aqui tempo de explicar e sublinhar porque não consigo meter o Braga nessa refrega.

Desta vez todos sobem ao campo no sábado (esta expressão do sobem ao campo ainda vem do tempo em que os estádio costumavam ter os balneários a um nível inferior ao do relvado), com o Sporting a ir aos Açores, defrontar o Santa Clara num horário pouco costumeiro (15h30), seguindo-se Portimonense-FC Porto e Benfica-Rio Ave (ambos às 18h00 por via da independência da BTV que, em casa, é dona e senhora dos direitos televisivos do clube), três partidas que, à partida, poderiam ser consideradas de pouca complexidade para leões, dragões e águias não fosse, lá está, esse futebol a sério em que ainda há dois dias estavam metidos até ao pescoço.

Convenhamos: até para o simples adepto do Benfica, neste caso concreto, deve ser penoso (vá lá, quanto muito de encolher os ombros) ter acabado de sair de uma noite daquelas que há muito tempo não se via na Luz – em termos de interligação profunda da equipa com o público e de altura máxima de decibéis – para agora ir passar um final de tarde a tentar somar três pontos com o Rio Ave.

Nem eu nem ninguém deitará para trás das costas a importância desses três pontos, muito pelo contrário, seria profundamente grave para o conjunto de Roger Schmidt não os somar amanhã se quer verdadeiramente ser campeão e, ainda por cima, depois daquele empate aguado e bacoco em Guimarães. Mas que a diferença vai ser da água para o vinho, isso vai. E aí ficará concentrado, a meu ver, o principal motivo de interesse do encontro. Sendo muito melhor do que o seu adversário, terá o treinador alemão a capacidade de fazer com que os seus jogadores tenham denodo e vontade de o demonstrar? É esse, certamente, o segredo da vitória.

Porque por mais que todos os treinadores usem a expressão batida do “jogo a jogo”, há jogos e jogos. E logo depois desta receção ao Rio Ave, avança o terrível ciclo de Paris Saint-Germain (fora), FC Porto (fora) e Juventus (casa). Está a águia pronta para voar por cima deste Evereste? Ora eis uma pergunta cuja resposta todos estão interessados em saber.

A sul e ilha A viagem a Portimão costuma ser, para o FCPorto, um passeio, tal como era a de Setúbal, embora a rapaziada que anda pelos campos de futebol deste país há mais de três décadas, como eu, se recorde de como eram duríssimas no tempo em que os algarvios tinham como presidente o saudoso Manuel João. A vitória frente ao Leverkusen reacendeu a esperança europeia e há uma viagem à Alemanha para fazer antes de receber o Benfica, pelo que Sérgio Conceição não estará, certamente, muito descansado da vida.

A primeira parte do jogo de terça-feira passada voltou a demonstrar fragilidades evidentes que só foram ultrapassadas com um coração do tamanho do mundo e um enorme Diogo Costa. Não será, provavelmente, no Algarve que serão exploradas, mas Leverkusen tem nuvens cinzentas por cima, como cinzenta é a Alemanha, já o diziam Pedro Abrunhosa e Jorge Palma.

Em São Miguel estará, provavelmente, um leão confuso. O desastre de Marselha foi tão autoinfligido que pareceu um suicídio bem encenado. A forma como a equipa se esboroou à falta da sua principal referência defensiva (Coates) e se entregou a uma série de erros incompreensíveis (imaginemos o que seria perante um adversário pouco mais do que banal como é o Marselha!), fará com que Ruben Amorim tenha dias de trabalho acrescidos para ressuscitar a alma de alguns dos seus homens. E precise de reflexão em relação ao posicionamento de outros tantos...

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