05/12/2022
 
 

5 de Outubro. Governo foi o bombo da festa

Que Marcelo aprecia enviar recados a António Costa, disso poucos duvidam.

Marcelo Rebelo de Sousa não gosta de passar indiferente e não perde uma oportunidade para puxar dos galões. E assim o fez no discurso do 5 de Outubro, em que lembrou a todos que o Presidente da República tem o poder de vetar leis e de dissolver a Assembleia da República. Porque o lembrou, não se sabe, mas da boca de Marcelo não costumam sair frases inocentes, já que o Presidente sabe bem o que quer alcançar. Neste caso, de dizer ao Governo que há limites que não podem ser ultrapassados e que em democracia nada é eterno.

Até é possível que o chefe de Estado se estivesse a referir ao crescimento dos movimentos populistas de esquerda e de direita, que podem fazer estragos à democracia, mas Marcelo sabe muito bem que ao referir-se aos poderes de dissolver o Parlamento está a dizer ao Executivo de António Costa que não vale tudo, apesar da maioria absoluta.

É óbvio que o Presidente não quererá ‘deitar’ abaixo o Governo, pois, legalmente, não há motivos para isso, apesar das trapalhadas de supostas incompatibilidades de alguns ministros. Mas que Marcelo aprecia enviar recados a António Costa, disso poucos duvidam.

O Governo acabou por ser um pouco o bombo da festa, pois também Carlos Moedas aproveitou a ocasião para ‘malhar’ no Executivo: “Os desafios com que o país se depara exigem audácia e não resignação. Audácia para crescer mais, libertar a criatividade dos portugueses, libertar as famílias, as empresas a sociedade civil”; “Deveremos querer mais do que apenas convergir com a Europa”;“Devemos querer um país mais preparado para um mundo cada vez mais competitivo. Um país que liberte os portugueses do jugo fiscal que se torna insuportável para as suas vidas”, foram alguns dos mimos lançados ao Governo pelo presidente da Câmara de Lisboa. Costa, como seria de esperar, tentou desvalorizar as críticas de Moedas com a sua elegância habitual.  “O presidente da Câmara de Lisboa fala para os lisboetas e para os desafios que se colocam aos lisboetas”, ele, Costa preocupa-se com o que se passa no país e no mundo. Que é como quem diz “Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?”.

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