03/12/2022
 
 

O perigo de olhar para o passado com os olhos de hoje

Olhar para o passado com os olhos de hoje traz alguns perigos, mas, como é óbvio, os casos de pedofilia e abusos sexuais não deviam prescrever, pois são um dos maiores atentados à dignidade humana. 

Os supostos casos de abusos sexuais, pedofilia ou encobrimento dos mesmos estão a fazer estragos na Igreja Católica, notando-se uma guerra aberta no interior da mesma. As denúncias parecem surgir como retaliação de casos anteriores, notando-se que as várias fações e sensibilidades da Igreja Católica se estão a digladiar na praça pública, o que é péssimo para uma instituição que tanta importância tem na sociedade portuguesa.

O melhor que pode acontecer é as investigações em curso serem o mais célere possíveis, até para que a calma regresse à Igreja, depois de afastados todos os responsáveis pelos crimes sexuais, e que os mesmos não se voltem a repetir.

Tudo isso é inquestionável e os suspeitos devem ser julgados e condenados se se provar que infringiram as leis. Já se percebeu que há 30 ou 40 anos muitos assobiavam para o lado, não querendo ter nada a ver com as queixas. Hoje sabemos que nada devia ter sido assim, mas, se calhar, a sociedade era diferente e, infelizmente, mais tolerante com os infratores, pois perante uma queixa e a negação do suposto infrator optavam por se colocar ao lado deste.

Se olharmos para o crime de violência doméstica percebemos melhor como as coisas se passavam. Mesmo na rua, maridos ou namorados agrediam as mulheres e a máxima “entre marido e mulher não se mete a colher” prevalecia. Hoje todos sabemos que era um disparate, mas era assim que a sociedade via a relação entre homem e mulher. Recordo-me de uma tia que, de vez em quando, era agredida, mas no dia seguinte já se estava a rir e não deixava que ninguém condenasse o marido. Havia até histórias pitorescas que não devem ser relatadas num texto destes. 

Olhar para o passado com os olhos de hoje traz alguns perigos, mas, como é óbvio, os casos de pedofilia e abusos sexuais não deviam prescrever, pois são um dos maiores atentados à dignidade humana. 

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