03/12/2022
 
 

Como é que o Brasil não viu Ciro Gomes?

Voltando ao governador em questão, de seu nome Ciro Gomes, não consigo perceber como é que os brasileiros se deixaram ‘entalar’ entre um ex-prisioneiro, acusado de vários atos de corrupção, e um troglodita que pensa que é o xerife da praça, apoiado pelos evangélicos, quando existe o antigo governador do Ceará.

A primeira vez que fui ao Brasil foi em 1993, fazendo parte de um grupo de jornalistas convidados pelos prefeitos e governadores dos estados do Ceará, Pernambuco e Bahia, numa viagem organizada pelo Grupo de Amigos do Nordeste, empresários que estavam interessados em promover o nordeste brasileiro.

Em cada um desses estados éramos recebidos pelo prefeito ou pelo governador, que explicava o que estava a fazer em prole das comunidades locais e como queria promover o turismo.

Em Fortaleza, no Ceará, apareceu-nos um personagem bem falante e com sentido de humor, penso que aterrou no heliporto do hotel que inaugurava, e na coletiva – é assim que chamam à conferência de imprensa – o governador explicou as alterações que estava a levara cabo. Mais coisa, menos coisa, disse que tinha começado a apostar na escola primária, numa disciplina em que as crianças percebiam a mais-valia dos turistas.

A lição foi tão clara que ainda me lembro de alguns pormenores. Dizia o governante que os professores tinham de explicar aos ‘moleques’ que o turista dava a ganhar a todos. Desde a mãe que lavava a roupa no hotel, aos cozinheiros, seguranças e por aí fora! Ah! E as próprias crianças podiam vender chupa-chupas de açúcar queimado e por aí fora.

Quanto aos empresários, como diz o outro, não era preciso brindar porque isso já estava garantido se o turista fosse bem tratado. Curiosamente, uns anos depois, em 2001, ocorreria um dos crimes mais hediondos, quando seis portugueses foram mortos, alguns enterrados vivos.

Voltando ao governador em questão, de seu nome Ciro Gomes, não consigo perceber como é que os brasileiros se deixaram ‘entalar’ entre um ex-prisioneiro, acusado de vários atos de corrupção, e um troglodita que pensa que é o xerife da praça, apoiado pelos evangélicos, quando existe o antigo governador do Ceará. É lá com eles, mas que Ciro Gomes merecia melhor sorte, lá isso merecia. E o Brasil também.

P. S. Já o escrevi, mas nunca é demais. Abomino o assédio sexual, mas acho um exagero o tempo de antena que tem tido a história do treinador de futsal que mandava umas mensagens nojentas às suas jogadoras. É um caso de polícia, mas preencher tantas horas televisivas parece-me um certo exagero.

Já a médica obstetra que foi agredida por três pessoas – gostava de saber como está o caso de Famalicão – não teve tanta sorte. É certo que se deu a notícia, penso que a RTP até a entrevistou, mas as agressões físicas e morais a profissionais de saúde não ‘vendem’ tanto como mensagens abjetas de cariz sexual.

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