02/10/2022
 
 

Pode ser que depois já ninguém se lembre

O Governo tem aperfeiçoado a sua capacidade de adiar a resolução de problemas, numa atitude que muitos definem expressivamente como “empurrar com a barriga”.

O primeiro-ministro remeteu, há poucos dias, para o final de 2023 o anúncio de uma decisão definitiva sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa. É um passo de gigante, mas para trás, ainda para mais quando essa decisão chegou a ser dada como adquirida e muitos economistas pedem celeridade no processo.

É mais uma pasta que fica em águas de bacalhau, como tantas outras. O Governo tem aperfeiçoado a sua capacidade de adiar a resolução de problemas, numa atitude que muitos definem expressivamente como “empurrar com a barriga”.
A sensação que fica, infelizmente, é que António Costa e os seus ministros apontam para a frente não por terem uma enorme capacidade de visão e de antecipação, mas por manifesta incapacidade para resolverem as dificuldades e os desafios que se colocam aqui e agora.

Acontece que nenhum Governo pode viver de boas intenções e de promessas que não consegue cumprir. Veja-se o caso dos médicos de família – o primeiro-ministro garantiu que cada português ia ter o seu, e o que acontece é que não só isso não se verifica como o SNS se encontra num momento muito difícil. Ou a boutade de Mariana Vieira da Silva, quando afirmou que o Parque Natural da Serra da Estrela vai ficar melhor do que estava. Já que não se consegue controlar os incêndios, terá pensado a ministra, pelo menos dá-se um horizonte de esperança.

É verdade que é preciso semear para colher. As coisas levam o seu tempo.

Mas não creio que seja isso que se passa quando Costa promete médicos de família, quando diz que o aeroporto vai ser decidido em 2023, ou quando Vieira da Silva fala do futuro da Serra da Estrela.

A verdade é que temos, e muitos, exemplos do que não foi feito. Capoulas Santos, só para recordar um, vangloriou-se de ter posto em marcha a maior reforma da floresta desde D. Dinis. O facto é que em Pedrógão, cinco anos depois dos incêndios de má memória, continua tudo exatamente na mesma.

Suspeito que é nisso mesmo que o Governo se fia: na má memória dos portugueses. Atira-se a resolução dos problemas para a frente e depois logo se vê. Pode ser que, quando chegar a hora, as pessoas já se tenham esquecido.  

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