02/10/2022
 
 
Ucrânia. Contra-ataque provocou "implicações significativas" na invasão

Ucrânia. Contra-ataque provocou "implicações significativas" na invasão

AFP Hugo Geada 13/09/2022 09:29

Reconquista de Kharkiv por parte da Ucrânia pode ter derrubado a moral dos soldados da Rússia e o funcionamento da sua ofensiva.

O contra-ataque ucraniano em Kharkiv, que repeliu as forças russas e reconquistou esta região, está a ser considerado um sucesso enorme, enquanto o ministério da defesa do Reino Unido afirma que provocará “implicações significativas para o funcionamento operacional geral da Rússia” e para o moral dos soldados no terreno.

“A maioria das forças na Ucrânia provavelmente está a ser forçada a priorizar ações defensivas de emergência”, escreveu o ministério num post no Twitter na manhã de segunda-feira, cita o Guardian. “A confiança já limitada que as tropas russas destacadas têm na liderança militar sénior provavelmente irá se deteriorar ainda mais”, conclui.

As autoridades militares da Ucrânia anunciaram que as suas tropas recapturaram mais de três mil quilómetros quadrados de território em setembro das forças russas, mais do que os russos conseguiram conquistar desde abril, e forçaram as tropas invasoras a abandonar mais de 20 cidades e aldeias.

Mas as forças russas não ficaram de braços cruzados a observar estas vitórias ucranianas. Foi reportado, esta segunda-feira, diversas explosões e lançamentos de mísseis em Kharkiv que deixaram a região sem energia e fornecimento de água.

“A situação da noite passada está a repetir-se. Devido aos ataques russos o fornecimento de energia e água foi interrompido”, disse o Presidente da câmara de Kharkiv, Ihor Terekhov, numa publicação no Telegram, acrescentando que os serviços de emergência estão a trabalhar para restaurar os serviços, que já estavam a funcionar em cerca de 80% da cidade.

Segundo o Kremlin, a intervenção militar russa na Ucrânia vai continuar “até que os objetivos sejam atingidos”, garantiram as autoridades.

“A operação militar especial vai continuar até que os objetivos fixados inicialmente sejam atingidos”, afirmou a imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, admitindo que, atualmente, “não existem quaisquer perspetivas de negociações” entre Moscovo e Kiev.

Segundo o porta-voz do Ministério da Defesa, Igor Konashenkov, os ataques que atingiram Kharkiv na segunda-feira foram dirigidos contra tropas e equipamentos de guerra das unidades nacionalistas Kraken, da 113.ª Brigada de Defesa Territorial e da 93.ª Brigada Mecanizada, localizadas nas cidades de Kupiansk e Izium, recentemente recuperadas pela Ucrânia.

“As perdas do inimigo somaram 250 soldados e mais de 20 equipas de combate”, declarou.

Eleições regionais As eleições regionais e municipais, que aconteceram esta segunda-feira, foram concluídas na Rússia, confirmando a força da Rússia Unida, o partido do Kremlin, que procura consolidar o seu poder com base na campanha militar iniciada na Ucrânia em 24 de fevereiro.

Nestas eleições, que decorreram durante três dias, com a possibilidade de voto antecipado pela internet em diversas regiões, foram convocados mais de 44 milhões de eleitores e foi registado uma divergência no nível de participação.
Nas eleições que decorreram em 11 regiões russas terão votado entre 13% e 44% dos eleitores inscritos, enquanto nas eleições para as assembleias legislativas locais a percentagem situou-se entre os 13% e os 38%.

A fraca participação terá favorecido a Rússia Unida, que mantinha uma intenção de voto de 41%, segundo uma recente sondagem do Fundo de opinião pública, e que procurou afirmar-se com uma campanha discreta e muito crítica face aos candidatos opositores.

A campanha militar russa na vizinha Ucrânia foi utilizada pela Rússia Unida como uma “arma de arremesso” contra a oposição, a quem estavam reservadas poucas opções: o exílio, manifestar-se publicamente contra a “operação militar especial” e assumir as consequências, ou o silêncio.

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