26/09/2022
 
 
Ucrânia pede à Alemanha que previna o inverno e adie fim da energia nuclear

Ucrânia pede à Alemanha que previna o inverno e adie fim da energia nuclear

ED JONES / AFP Jornal i 07/08/2022 19:02

Conselheiro de Zelensky alerta que a Europa continua a pagar a guerra à Rússia através da compra de gás.

O assessor de Volodymyr Zelensky, Myckailo Podolyak, pediu este domingo à Alemanha para que prolongue o uso da energia atómica para ter uma maior independência da Rússia e dos fornecimentos de gás russo. “Este inverno é um inverno chave”, disse o responsável numa entrevista ao jornal alemão Der Tagesspiegel, onde defendeu também que não considera ser prudente desligar no final do ano, como está previsto, as três centrais nucleares que ainda estão em funcionamento na Alemanha.

Na mesma entrevista, o responsável diz que muitos países europeus, onde se insere a Alemanha, vão continuar a pagar a guerra à Rússia com a compra de gás uma vez que não existe “um novo mapa energético”. “Nós estamos a pagar um preço alto. As pessoas morrem. Esperamos que os nossos parceiros o entendam e façam tudo o que é possível”, disse.

Troca de acusações A tensão entre a Rússia e a Ucrânia continua e agravou-se depois de a central nuclear de Zaporíjia — a maior da Europa, com seis reatores, no sul da Ucrânia — ter sido novamente bombardeada e por duas vezes, na madrugada de sexta-feira. Mykhailo Podolyak garantiu que foi “por milagre” que não aconteceu um desastre na Europa, falando ainda em “provocações perigosas” por parte da Rússia. E apelou à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e à Organização das Nações Unidas (ONU) para que “exijam a retirada das tropas russas da central nuclear, entregando o controlo a uma comissão especial”.

Mas a Rússia rejeita qualquer responsabilidade deste ataque e acusou o Presidente ucraniano de “terrorismo nuclear”. “Formações armadas ucranianas efetuaram três ataques de artilharia contra o território da central nuclear de Zaporijia e na cidade de Energodar”, disse em comunicado o exército russo, apelando “às organizações internacionais para condenarem as ações criminosas do regime de Zelensky que efetua atos de terrorismo nuclear”.

A empresa estatal Energoatom, responsável pela gestão das centrais nucleares do país, detalha que foi danificada uma linha de alta tensão, provocando a paragem de um dos reatores da central.

Entretanto, o diretor-geral AIEA, Rafael Grossi, deixou um alerta: “Estou extremamente preocupado com os bombardeamentos de ontem [sexta-feira] da maior central nuclear da Europa, o que sublinha o risco muito real de uma catástrofe nuclear que ameaça a saúde pública e o ambiente, na Ucrânia e não só”, disse. “Estão a brincar com o fogo”.

Já o chefe da agência das Nações Unidas para a energia nuclear considerou “completamente inaceitável” a colocação da central em perigo, avançando que podem existir “consequências potencialmente catastróficas”. “Apelo veemente e urgentemente a todas as partes para que exerçam a máxima contenção nas proximidades desta importante instalação nuclear com seis reatores”, disse ainda.

Cereais Entretanto, quatro navios de transporte que estavam retidos na Ucrânia devido à guerra receberam este domingo autorização para deixar a costa do mar Negro, no âmbito do acordo assinado por Kyiv e Moscovo para permitir a retoma das exportações de cereais. Situação que foi saudada pelo Papa Francisco. “Gostaria de saudar com satisfação a saída dos portos ucranianos de cargas de cereais. Este passo demonstra que é possível dialogar e alcançar resultados concretos que beneficiem a todos”, disse, no final da tradicional oração do Ângelus, na Praça de São Pedro.

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