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Ucrânia começa a "moldar rumo"

Ucrânia começa a "moldar rumo"

João Campos Rodrigues 06/08/2022 10:15

Contra-ataques ucranianos em Kherson obrigaram os russos a reagir, recolocando forças. Agora, o Kremlin tenta recuperar a iniciativa.

O foco da guerra da Ucrânia está a mudar do leste para o sul. E o Kremlin parece estar a preparar uma ofensiva a partir de Kherson, para onde tem estado a deslocar grande número de tropas, armamento e equipamento, avisou Kiev, nesta sexta-feira. O objetivo do regime de Vladimir Putin  seria recuperar o território que tem vindo a perder ao longo das últimas semanas, devido a uma contra-ofensiva ucraniana, que resultou na tomada de dezenas de aldeias e vilas em redor da cidade. Os invasores querem  «ganhar a iniciativa» nos arredores Kherson,  declarou o general ucraniano Oleksiy Hromov, citado pela Reuters. E procuram «parar a expansão de testas-de-ponte» da Ucrânia, que tenta avançar sobre o rio Inhulets, tributário do Dnipro, rumo à única grande cidade tomada pelo Kremlin desde o início da sua invasão, até agora.

«A Ucrânia começou ativamente a moldar o rumo da guerra pela primeira vez», frisou o Instituto para o Estudo da Guerra, um think tank sediado em Washington. Notando que, mesmo após a sua pesada derrota quando tentou cercar Kiev, o Kremlin pode decidir onde concentrar o seu poderio, optando pelo Donbass. «Neste caso, as forças russas parecem estar a responder à ameaça de uma contra-ofensiva ucraniana no oblast de Kherson, em vez de deliberadamente escolar objetivos», continuava o relatório.

Enquanto ataques russos contra Sloviansk – uma cidade que é centro do abastecimento das forças ucranianas em Donetsk, considerada o principal alvo do Kremlin, e que foi convertida numa autêntica fortaleza pelos defensores – eram travados, forças ucranianas acumulavam-se em Kherson. E conseguiram aproximar-se desta cidade o suficiente para a conseguir atingir, tentando isolar a guarnição russa. A ponte de Antonivka, sobre o rio Dnipro, crucial para se chegar de Kherson à península da Crimeia, tem sido sucessivamente alvo das baterias de mísseis americanas M142 HIMARS, que têm um alcance de até 80km. Outras duas pontes sobre o Dnipro foram danificadas por sabotagem, da parte do crescente movimento de guerrilheiros ucranianos que cresce em Kherson, anunciou o Governo de Kiev.

Volodymyr Zelensky teve que aguardar  meses, implorando desesperadamente, para receber os M142 HIMARS. Mas a espera parece ter valido a pena, tendo estas armas tornado-se o pesadelo dos invasores, sendo utilizados para atingir a sua retaguarda, dificultando a sua logística e destruíndo depósitos de munições.

Entretanto, enquanto forças do Kremlin são deslocadas de um lado para o outro da Ucrânia, os defensores têm aproveitado até para levar a cabo pequenas contra-ofensivas perto de Sloviansk Tendo até a vantagem de que aviação russa está a ser transferida para a Crimeia, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, de maneira a atingir os arredores de Kherson e travar os ucranianos.

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